21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Blog do Marcos Vinicius Simon Leite

Os superbebês

Por Marcos Vinicius Simon Leite

Quem viveu nos anos sessenta no interior de Erechim deve lembrar do tempo em que os recém-nascidos eram envoltos em faixas, como múmias. Era uma tradição e sabe-se lá de onde veio. Para sorte da evolução, o tempo e o esclarecimento livraram os bebês daquela prática aparentemente questionável. Mas como tudo muda, inclusive as tradições, o que no passado era considerado algo comum e benéfico, aos olhos de hoje seria visto com bastante estranheza.

Os nascidos de hoje

Passados todos estes anos, desde o tempo em que os bebês eram enrolados em faixas, o que hoje vemos nascer são como que superbebês. Crianças que já nos primeiros momentos da vida fora do útero apresentam uma expressão diferente. É como se nascessem quase sabendo o que querem da vida. Não me surpreenderia se começassem a falar mais cedo, a caminhar mais cedo, a fazer tudo de forma prodigiosa. Por quê? Porque as crianças evoluíram e hoje vemos nascer crianças com uma inteligência claramente superior à das gerações passadas, incluindo as que eram mumificadas.

Os crescidos de hoje

Paradoxalmente, é a primeira vez na história que a humanidade se depara com o fim de um ciclo evolutivo. As novas gerações, criadas no ambiente digital, são consideradas menos inteligentes do que aquelas que as antecederam. Se, de um lado, nos chamam a atenção estes bebês prodigiosos, como explicar o fato de que as novas gerações são consideradas menos capacitadas do que as anteriores? Talvez a resposta esteja justamente num fator chamado epigenética.

Epigenética

Considerada o ramo da biologia que estuda as mudanças no funcionamento dos genes (sem que ocorra mudança no código genético), a epigenética tem sido objeto de muita pesquisa. Os estudos que apontam para o decréscimo coletivo das capacidades têm a mesma origem dos que apontam para o nascimento de crianças superdotadas. Neste caso, a estimulação externa seria o fator determinante, tanto para justificar a razão do nascimento destes superbebês, quanto para nos fazer entender que os comportamentos da atualidade têm prejudicado o desenvolvimento das futuras gerações.

Toxicidade tecnológica

Em um mundo cada vez mais tecnológico, fruto de um ambiente de conectividade sem precedentes, observamos uma mudança de comportamento que é resultante do uso indiscriminado dessas tecnologias. Há muito pouco a ser feito longe de um smartphone. As tarefas do dia a dia acabam por ser incorporadas pelos meios digitais quase que em sua totalidade. Mas há sinais – sutis - de que esta mudança para um ambiente totalmente digital não está seguindo uma linha que se possa considerar como “saudável”. Se o nascimento de superbebês é um indicador evolutivo, a perda cognitiva das novas gerações pode apontar no sentido de que a humanidade, ao invés de evoluir, caminha para uma subjugação total ao mundo digital, mesmo que lá de cima venham crianças com mais aptidões. Elas se perdem.

O que nos reserva

É sempre bom estarmos atentos. Não se trata aqui de ser contra os inúmeros benefícios que as tecnologias trouxeram às nossas vidas. No entanto, não há como não pensar que os dons divinos que determinados bebês carregam, ali na frente, serão perdidos ou desperdiçados em decorrência da toxicidade de um mundo cada vez mais digitalizado e controlado. Infelizmente, neste imenso paradoxo, é como se voltássemos a “enrolar” os bebês. Em vez de faixas, tecnologias. Em vez de liberdade, damo-lhes amarras e castramos nossa evolução.

Publicidade

Blog dos Colunistas

Publicidade

Horóscopo

Aquário
21/01 até 19/02
Previsões de 19 de dezembro a 25 de dezembro Sol e...

Ver todos os signos

Publicidade

;