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Rural

Intensificada a colheita do fumo

Produtores com áreas de difícil acesso de maquinário optam pelo cultivo do tabaco no Alto Uruguai

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Delmir Pedro Fuzinato cultivou 2 hectares de fumo
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação/Emater

O município de Itatiba do Sul cultiva em torno de 450 hectares de fumo. Produz tabaco juntamente com outros municípios da encosta do Rio Uruguai, como Aratiba, Barra do Rio Azul e Erval Grande. Em Itatiba do Sul, estão envolvidas cerca de 220 famílias que tem esta como principal ou atividade secundária. No município também se destacam a pecuária e a fruticultura.

A atividade é bastante praticada em Itatiba do Sul por causa do relevo, íngreme, onde não é possível o plantio de grãos que não permite a entrada de maquinário. Já o fumo é uma atividade manual.

Ao contrário da safra passada em que o clima foi prejudicial, nesta safra a produtividade deverá ser praticamente o dobro, com expectativa de 2.200 a 2.500 quilos por hectare, considerada boa. De acordo com o extensionista da Emater, Clecir Miguel Nonnemacher, as chuvas regulares no desenvolvimento vegetativo, e após o desbrote, com as temperaturas mais elevadas entre novembro e dezembro, seguindo agora na colheita beneficiaram o fumo.

Na região, a colheita ocorre durante o mês de dezembro. Logo após, conforme Nonnemacher, os produtores levam até os galpões e é realizada a murcha - o processo de retirada da água. Depois de fevereiro os produtores começam a retirar o talo e só então, é feita a comercialização. “A venda acontece para empresas integradoras que fornecem os insumos para produção, adubos, sementes, agroquímicos e assistência técnica. A venda já é garantida. Existe um preço tabelado que as empresas tomam como base, mas outros fatores influenciam no preço final, como a demanda pelo produto e a produção maior, por exemplo”, explica.

Para esta safra, a tendência é de o preço diminuir um pouco, e passar a R$ 8 a R$ 8,50 o quilo da folha murcha. Mas conforme o extensionista rural, é uma boa rentabilidade para o produtor.

Todo processo, desde o plantio, colheita e retirada dos talos é manual. “Por ser todo braçal, a penosidade é grande”, acrescenta. Além disso, a atividade exige um cuidado maior do produtor, no manejo dos agroquímicos. “É obrigatório o uso de Equipamento de Proteção Individual (EPI), composto de chapéu, botas, calças, camisa manga longa e luvas. Além disso, existe a recomendação para não colher com o fumo úmido. Tudo isso para evitar a contaminação dos agricultores”, pontua.

Na propriedade de Delmir Pedro Fuzinato, 32 anos, localizada em Derrubadas, interior de Itatiba do Sul, são 14 hectares, sendo que 2 ha são destinados ao cultivo de fumo. As principais atividades são fumo, gado de leite e de corte.

Segundo Delmir, o fumo é o que mais dá retorno financeiro. Ele está nesta atividade há nove anos e entrou por causa da rentabilidade. “Em pequena propriedade, o que mais dá retorno por área é o cultivo do tabaco”, comenta. Trabalham ele e a esposa e como a atividade é toda braçal, não consegue aumentar a área cultivada, porque exige mão de obra o ano todo.

Além disso, Delmir diz que é importante diversificar as atividades, pois quando uma está em dificuldades, as demais suprem esta carência.

Ele tem contrato de comercialização da produção. A venda é garantida, quando chega na empresa é realizada a classificação e firmados os preços de acordo com a qualidade das folhas.

O agricultor salienta que hoje o cultivo do fumo é diferente de anos atrás. “Atualmente diminuiu muito a quantidade de veneno utilizado no cultivo de fumo. Todos tratamentos exigem o uso de EPI e é proibida a entrada de pessoas sem o uso de equipamentos quando se passa agroquímicos. São tidos muitos cuidados”, declara.

 

 

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