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Economia

Falta de crédito afeta venda de veículos

Empecilho travou a realização dos negócios provocando queda de 20% na comercialização de novos em Erechim

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Venda de veículos novos caiu em média 20% em Erechim
Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Antonio Grzybowski

As vendas de veículos novos e usados em Erechim seguiram a mesma tendência do cenário nacional, com queda em 2016, comparando com 2015. A diferencia é que em algumas concessionárias, os seminovos apresentaram uma redução muito superior ao índice nacional, de 0,07% divulgado pela Federação Nacional de Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave). No município, o índice supera os 10%. Já em outras, neste segmento apresentaram crescimento devido a limitação para a compra de veículos novos. Mas as expectativas são otimistas para 2017, com recuperação do setor já a partir do primeiro trimestre para algumas concessionárias.

As vendas de veículos usados ficaram estáveis em 2016. Conforme a Fenabrave, foram vendidas 13,34 milhões de unidades, contra 13,35 milhões em 2015, uma redução de 0,07%. Em compensação, as vendas de veículos novos enfrentam forte queda, com retração de 20,29% em 2016 em comparação com 2015. Foram emplacadas 3,17 milhões de unidades ao longo do ano passado, contra 3,98 milhões de 2015.

As vendas de automóveis tiveram queda de 20,47% em 2016, com a comercialização de 1,68 milhão de unidades, contra 2,1 milhões do ano anterior.

A vontade de compra dos consumidores, de acordo com os gerentes das concessionárias, existe. O problema é o crédito, que limita e dificulta a aquisição. Mas quem consegue a liberação efetua a aquisição. Este foi o caso da funcionária pública Clarice Moraes. Ela uniu o desejo de trocar de automóvel com a oportunidade de negócio e trocou de veículo no mês de outubro. Pela primeira vez adquiriu um automóvel zero quilômetro. Apesar do ano turbulento, conseguiu o crédito e financiou a aquisição.

 

2017 já demonstra reação positiva

Na concessionária Ford de Erechim, a venda de veículos novos teve uma queda superior a 20% e os seminovos acima de 10%. De acordo com o diretor da concessionária, Marcelo Gambatto, o cenário se deve a crise econômica do país. Mas a expectativa para 2017 é positiva. Segundo ele, os primeiros dias de janeiro já tiveram uma reação no segmento e acredita que já no primeiro semestre o setor deve ter uma mudança no comportamento. “Esperamos as vendas cresçam e vamos aumentar nossa gama de clientes”, diz.

 

Comercialização de novos caiu cerca de 20%

Também houve retração na venda de veículos novos e usados na concessionária Chevrolet. Segundo o consultor de vendas Leandro Skowronski, a queda dos novos ficou em cerca de 20% e nos usados uma redução de 13%. Ele atribui essa situação em função da retenção da economia, aos juros mais altos e um pouco da instabilidade do mercado. “Mas um dado importante é que como concessionária, tivemos uma participação maior do que em 2015. A participação passou de 21,3% em 2015 para 23,4% em 2016”, comenta.

Skowronski acredita que haverá um crescimento nos negócios ao longo do ano tanto de zero quilômetro como seminovos, porque para efetuar a compra de um automóvel novo, se dá o usado no negócio. “Em 2016 iniciamos com números menores e terminamos com números maiores e agora para este ano, esperamos um crescimento aos poucos”, pontua.

O consultor de vendas acrescenta ainda que, diante do que se esperava, o ano de 2016 não foi tão ruim e como marca, a Chevrolet conseguiu crescer.

 

Vendas da linha popular caíram 36%

Na concessionária Volkswagen o cenário é peculiar, pois conseguiu ter aumento nas vendas do seminovos. A venda de veículos novos caiu 31% porque não participou do mercado por três meses por falta de produto. Já a comercialização de seminovos aumentou 16,4%. Em 2015 foram comercializados 286 carros usados e em 2016 foram 343 carros. Na praça (região que abrange 38 municípios) foram emplacados 2.079 veículos no ano passado ante 2.889 emplacamentos em 2015 – uma queda de 28% nos veículos novos. “Neste caso podemos aplicar a regra de quatro transferências por um emplacamento de carro novo no mercado. No total, foram transferidos em torno de 8 mil carros no ano passado”, diz o gerente geral da concessionária, Guilherme Schubert.  

O cenário está atribuído a situação de crédito. As vendas da linha popular caíram 36%. “O cliente que não conseguiu acessar a linha zero quilômetro por falta de crédito, acabou optando por fazer a troca do automóvel visando melhorar o ano do veículo. Assim, aumentou a comercialização dos seminovos. No mês de dezembro tivemos uma situação na empresa mais de cinco por um. Ele estava disposto a adquirir, só não tinha o crédito”, salienta.

Schubert acredita que o primeiro semestre de 2017 seja semelhante com 2016, mas que o ano tenha um crescimento de 5 a 6% nas vendas  de veículos novos.

 

 

Seminovos estagnados

Enquanto a venda dos novos sofreu grande queda, os seminovos tiveram estagnação na concessionária Fiat de Erechim, que abrange 40 municípios do Alto Uruguai. Conforme o gerente de vendas Tarcisio Assoni, as linhas de crédito, o desemprego na região, a política brasileira, falta de incentivos para o setor e o aumento de preço dos automóveis levou a uma diminuição nas vendas de 30% dos veículos novos em 2016, comparando com 2015.

Já os usados se mantiveram semelhantes ao ano anterior. A expectativa para 2017, segundo Assoni, é de que haja um aumento nos negócios de veículos novos de 20% comparando com 2016. Mas esse aumento deve ocorrer somente a partir do terceiro trimestre. “O primeiro semestre ainda deve ser turbulento para o setor”, afirma.

 

Retomada deve se concretizar no segundo semestre

O diretor da concessionária Peugeot Lawson Gambatto, comenta que a venda de veículos novos caiu entre 25% a 30% em 2016 comparando ao ano anterior e seminovos teve um aumento nas vendas entre 5% a 10%. Ele atribui o cenário a situação turbulenta na política e na economia que reflete diretamente nos veículos. “A taxa de juros também aumentou muito. O cliente procurou, mas o novo ficou mais difícil de comprar, então ele optou pelo usado”, diz.

Gambatto diz que espera uma retomada nas vendas em 2017, mas acredita que elas devam ocorrer a partir da segunda metade do ano. “As negociações não estão ruins, apenas não estão sendo efetivadas”, diz.

 

Anfavea registra queda na fabricação

A Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) divulgou nesta quinta-feira (5) que a produção de veículos registrou queda de 11,2% em 2016 em comparação com 2017. De janeiro a dezembro, foram montadas 2,16 milhões de unidades contra 2,43 milhões no mesmo período de 2015.

A redução do ritmo nas fábricas acompanhou a retração do mercado, que registrou no acumulado do ano passado queda de 20,2% nas vendas. Ao longo de 2016, foram licenciados 2,05 milhões de veículos, enquanto em 2015 foram comercializadas 2,57 milhões de unidades.

Em dezembro, a queda nos licenciamentos ficou em 10,3% em relação ao mesmo mês de 2015, com a venda 204,3 mil veículos. O resultado é, no entanto, 14,7% superior ao de novembro de 2016, quando foram comercializadas 178,2 mil unidades.

 

 

 

 

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