O consumidor já tem percebido a boa qualidade e a doçura que a uva de Erechim tem apresentado nessa safra de 2017. Porém, os grãos mais doces neste ano têm uma explicação técnica e estão diretamente relacionados ao clima quente e seco que se intensificou em períodos estratégicos.
Segundo o engenheiro agrônomo do escritório municipal da Emater de Erechim, Adriano Szynkaruk, a boa expectativa dessa safra tem deixado produtores e consumidores muito satisfeitos. "A safra da uva desse ano está muito boa em comparação com o ano passado. Além disso, essas condições climáticas interferem diretamente na doçura do grão. Apesar de termos registrado alguns dias chuvosos, essa baixa umidade não tem interferido no sabor da uva, tampouco prejudicado a qualidade da fruta", explica.
Conforme o técnico, com o calor e a pouca umidade, em especial nessa fase de maturação, maior será a taxa de açúcar nos grãos da fruta. "O tempo tem sido favorável para a cultura da uva. Com dias ensolarados e baixo índice de chuva em especial nesse período de enchimento do grão, a uva tem ficado mais doce e saborosa", pontua.
De acordo com Adriano, o calor nessa época deixa a fruta mais resistente e doce. O engenheiro agrônomo reforça que o excesso de umidade na fase de maturação deixa a uva mais sensível, favorecendo dessa forma o aparecimento de fungos, abertura e apodrecimento dos grãos.
"Nossa expectativa é que as condições climáticas sigam favoráveis, com dias quentes, sem quantidades excessivas de chuva. Assim teremos uvas com boa qualidade e cada vez mais doces", conclui o engenheiro.
Colheita
Erechim destina 150 hectares ao cultivo da uva, sendo um dos principais municípios do Alto Uruguai a cultivar a fruta. A expectativa, segundo o produtor Marino Slongo, é de 20 toneladas por hectare, sendo que a colheita está em fase inicial com cerca de 10% da uva colhida das vinhas. “Realmente o calor tem deixado a fruta bem mais doce, mas como a temperatura tem se mantido alta durante a noite, a maturação será mais lenta. Certamente teremos colheita de uva até o mês de março”, afirma Slongo.