As regras para o funcionamento dos serviços de vacinação estão novamente em discussão pela Anvisa. O principal motivo é adequar as normas atuais para que as farmácias também apliquem vacinas com o mesmo controle e segurança que já é adotado nos serviços tradicionais de vacinação.
A previsão deste tipo de serviço foi criada pela Lei 13.021/2014. Porém, a norma atual não se aplica de forma clara para as farmácias e drogarias. Esses locais não têm um histórico de armazenamento e aplicação, por isso, segundo a Anvisa, precisam fazer adequações caso queiram oferecer o serviço.
Ainda segundo o que prevê a Anvisa, as vacinas são medicamentos específicos que necessitam de condições especiais de conservação, além da aplicação por um profissional habilitado para este trabalho. As farmácias e drogarias que pretendem fazer vacinação deverão ter uma infraestrutura específica que inclui a sala de imunização com equipamento de refrigeração exclusivo para vacina e recipiente para o descarte de materiais perfurocortantes, entre outros.
Os serviços de vacinação, incluindo as farmácias, também precisam ter um sistema de controle para garantir a conservação desses medicamentos em casos de falta de energia ou necessidade de transporte.
Exercício de mais uma competência
A temática gera opiniões diferenciadas entre alguns profissionais da área da saúde. Contudo, de acordo com o coordenador do curso de Farmácia da URI de Erechim, profº Luiz Carlos Chicota, a questão tem mais vantagens do que preocupações. “Partimos do princípio que o farmacêutico é um profissional consciente e que cada vacina passa anteriormente por uma prescrição médica. Por isso é algo seguro, acessível. Há um controle do profissional médico, farmacêutico e além disso, no município de Erechim a equipe de vigilância em saúde tem uma atuação muito efetiva”, comenta.
O professor explica que até 2014 não havia uma normativa específica sobre a vacinação. “Acredito que essa é uma forma de até mesmo atingir um público ainda maior, inclusive nas campanhas de vacinação. Os farmacêuticos possuem capacitação voltada a essa área e por isso pode ser mais uma competência a ser exercida”, salienta.
Preocupação
Por outro lado, o médico pediatra, diretor técnico de uma clínica de vacinação de Erechim, Alberto Schmidt, observa esse debate com preocupação. Segundo ele, o assunto é muito delicado e o controle das vacinas depende de um sistema específico. “Algumas vacinas tem que ficar em uma temperatura de dois a oito graus, por exemplo. Esse sistema de conservadores denomina-se rede de frio e exige um controle intensivo. Tanto que, na ausência de energia elétrica, os profissionais devem agir de imediato na colocação de gelo nos materiais, para confirmar a segurança que o produto terá posteriormente no contato com o paciente”, explica.
O médico ressalta que é fundamental que se amplie o debate sobre o assunto, pois é algo extremamente importante. “É um risco muito grande para a população se não houver essa estrutura preparada para manter a qualidade das vacinas”, alerta, citando que uma vacina custa caro exatamente pela responsabilidade muito expressiva. “É todo um processo desde a fabricação, saída da indústria e chegada na clínica”.
Outro aspecto, conforme Schimidt é a assistência ao paciente no caso de ocorrer algum tipo de reação após a aplicação da vacina. “Cada dose tem um potencial risco e é importante prestar o atendimento imediato”, pontua.