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Rural

Cenário de lutas e busca por reconhecimento

Presidente do Sutraf, Douglas Censi, destaca que profissionais do campo têm vocação para a produção de alimentos

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Por Izabel Seehaber izabel@jornalbomdia.com.br
Foto Arquivo BD

Várias são as lutas e fatos que marcam a história dos agricultores de nossa região. Neste dia 29, as comemorações se fortalecem e evidenciam fortes características da classe, que mesmo diante de vários desafios, não desanima e reivindica seus direitos.
Na avaliação do presidente do Sindicato Unificado dos Trabalhadores da Agricultura Familiar do Alto Uruguai do Estado do Rio Grande do Sul, Douglas Censi, para fazer uma avaliação do momento atual é preciso recordar um pouco da história. "Desde os anos 80 nos organizamos para superar os problemas e obter crédito, seguro agrícola, habitação, melhorias na área de saúde. Constituímos um conjunto de políticas públicas no ano de 2000 e obtivemos várias conquistas, tais como alternativas de financiamento até mesmo habitacional e a agricultura familiar ganhou um salto de qualidade", destacou.
Atualmente Douglas salienta que o momento é de ameaças a muitos desses direitos garantidos. "Hoje em dia a PEC 55 e da reforma da previdência trazem mais preocupação. Outra questão diz respeito ao Pronaf que, mesmo com a redução de juros, se manteve, mas congelou recursos e traz reflexos inclusive no seguro agrícola. Tínhamos um programa em torno de R$ 600 mil e caiu para mais da metade. Impacto direto na agricultura familiar", destaca.  
No ano de 2016 e até o presente momento, segundo Douglas,nenhuma habitação foi oficializada no meio rural na região. Tais fatos podem gerar consequências a longo prazo. "O agricultor sofre o impacto da crise, da política, da instabilidade. Contudo, o clima tem auxiliado a produção. Impulsionamos o desenvolvimento do País, mas ainda falta reconhecimento e organização de um conjunto das ações", reforça o presidente.
Para Douglas, o agricultor tem uma capacidade para enfrentar as dificuldades e aprende a administrar a crise. "Diante de várias situações, os produtores encontrar alternativas para contornar problemas como a seca, falta de recursos, entre outros", completa.
No que se refere às melhorias e avanços, ele destaca que é preciso investir em qualificação e tecnologias para inovar no campo.
Entre as muitas atividades, Douglas cita as agroindústrias que estão oferecendo um suporte importante nas famílias e a área de hortifrutigranjeiros. "A agroindústria tem um papel de despertar na sociedade o espírito de empreendedorismo por meio de um alimento mais limpo, com valorização do trabalho e mão de obra. Nesse contexto, os jovens participam ainda mais ativamente, há valorização do agricultor através do retorno mais direto ao consumidor. Também é possível controlar o preço da venda. Os profissionais do campo têm vocação para a produção de alimentos", enfatiza.
Outras áreas citadas incluem os grãos, principalmente a soja, que é uma das principais referências em produtividade na região. "Mas é preciso buscar novas alternativas e explorar o nicho de mercado priorizando sempre o alimento de qualidade. Nesta data, especialmente, parabenizamos os agricultores pela coragem, pela produção e luta. O trabalho com luta dá resultado", ressaltou.

 

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