Mais de metade dos usuários da internet já fez compras por meio de aplicativos
Um estudo divulgado nesta semana revela dados de um hábito que vem crescendo: o das compras por meio de aplicativos. Realizada pelo SPC Brasil e pela Confederação Nacional dos Dirigentes lojistas (CNDL), a pesquisa aponta que 59% dos internautas já fizeram ao menos uma compra por meio de apps. Os mais utilizados são os de compra e venda de produtos usados e de serviços de transporte particular. O próprio WhatsApp também entra na jogada do comércio online. Concebido inicialmente para troca de mensagens, vem se tornando também uma plataforma para negócios – desde encomendar pizzas ou comprar roupas e acessórios até a negociação com corretores de imóveis na busca por apartamentos.
Aplicativos de compra de comida delivery também despontam como os mais utilizados e Erechim tem um exemplo bem específico deste hábito. Em funcionamento no município desde janeiro de 2016, o app Delivery Much reúne diversas empresas do ramo da alimentação. Com mais de 10 mil cadastrados, o aplicativo viu em menos de dois anos o número de pedidos subir de aproximadamente 10 por dia no primeiro mês, para cerca de 100 compras diárias atualmente. “Desde que iniciamos em Erechim até agora, percebemos um crescimento de 8% a 10% a cada mês. Os dias de maior procura são sábado, domingo e sexta-feira” explica o administrador do aplicativo, Cristian Lima.
As motivações para o uso cada vez mais expressivo, segundo ele, são a comodidade, a praticidade e a variedade de produtos. “No aplicativo é possível ter acesso a muitas opções, vários cardápios, preços e demais informações em um único lugar. Evita, por exemplo, que a pessoa precise ficar ao telefone aguardando para ser atendida, e até mesmo que haja erros no pedido. Toda esta praticidade e comodidade facilita ao usuário a tarefa de pedir comida, já que o pedido é feito pelo celular, com tranquilidade”, pontua.
O estudante Luiz Glockner, por exemplo, é usuário do aplicativo e explica que sua escolha na hora de pedir comida se dá principalmente pela comodidade. Além disso, ele também costuma adquirir outros produtos pela internet, como suplementos alimentares e materiais eletrônicos. “Uso para compras efetivas pelo menos uma vez por mês, mas para pesquisa de mercado quando desejo determinado produto, recorro à internet diariamente”, destaca ao elencar que nestes casos o principal motivador é o preço.
Da mesma forma, a empresária do ramo de assessoria de eventos, Lauren Varella Carcheski, também recorre aos aplicativos para as compras. Receosa inicialmente, acabou sendo conquistada pela facilidade do uso e por ter seu produto entregue em mãos, sem precisar sair de casa. “Em função do meu trabalho, comecei comprando produtos que precisava para eventos e que não encontrava aqui. Conforme fui ganhando segurança, passei a comprar cada vez mais e hoje utilizo muito, a começar pela comodidade, depois pelos preços e também peal variedade”, completa.
Pesquisa “Consumo por meio de Aplicativos”
A pesquisa da CNDL revela ainda que os aplicativos mais utilizados são aqueles relacionados à compra e venda de produtos usados, como por exemplo Mercado Livre, Enjoei, OLX e outros (46%), seguidos dos serviços de motorista particular ou táxi (45%), lojas varejistas nacionais (42%), apps de ofertas e descontos, como Peixe Urbano e Groupon (31%), serviços de streaming – Netflix, Spotify, etc-. (31%), lojas varejistas internacionais (30%) e compras de comidas por delivery (29%).
O estudo também comprova o contexto de uso generalizado dos aplicativos, indo muito além do consumo: 94% da amostra garantem utilizar apps para outras finalidades, sendo que as mais mencionadas são operações e consultas bancárias (68%), geolocalização/GPS, como Waze e Google Maps (67%, aumentando para 79% nas classes A e B), comparar preços (49%) e organizar as finanças (20%).
Ao justificarem as compras feitas através de aplicativos, 35% mencionam a facilidade de acesso, enquanto 27% julgam ser mais prático e 14% argumentam que deste modo encontram os melhores preços e ofertas do mercado.
“O mobile já é visto como tendência irreversível no consumo. É preciso, portanto, desenvolver experiências que cativem os consumidores e facilitem o engajamento, pensando ainda no uso das redes sociais. Tudo mostra que a consolidação dos dispositivos móveis será o caminho a seguir no comércio eletrônico nos próximos anos”, afirma o presidente do SPC Brasil, Roque Pellizzaro.