Coordenadora estadual do programa Alfa visitou turmas na região
Presente no Estado há 17 anos, o Programa Alfa – voltado à alfabetização de adultos do campo – conta atualmente com 222 turmas no Rio Grande do Sul, sendo __ delas na região de abrangência do Sindicato Rural de Erechim. A iniciativa, realizada através do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) atende alunos na faixa etária dos 18 aos 92 anos, sendo que a maioria dos estudantes têm idades acima dos 35.
A fim de acompanhar o andamento das turmas e o desenvolvimento do programa na região, a coordenadora estadual do Alfa, Carina Bridi, esteve no Alto Uruguai ontem (15). Acompanhada da secretária executiva do Sindicato Rural, Diva Picoli e da coordenadora pedagógica regional do programa, Márcia Nonenmacher, Carina esteve nas turmas dos municípios de São Valentin, Entre Rios do Sul e Erval Grande, dando sequência ao trabalho de visitas que vem sendo realizado por ela desde junho deste ano.
Antes disso, elas conversaram com o Bom Dia, ocasião em que destacaram os resultados positivos do programa, que tem seu principal objetivo destacado já em sua apresentação: “Alfabetizando para profissionalizar”. Enquanto Carina ressaltou toda a sistemática do Alfa, enfatizando que o programa, assim como outros realizados pelo Senar, é um retorno ao produtor pela sua contribuição. “Ele dá a base principalmente aquele produtor que está há muito tempo fora da escola ou que não a frequentou. Desta forma, permite a ele a inserção na sociedade através do aprendizado, sendo assim, mais que um programa de alfabetização já que tem sua abordagem social”, explicou.
A secretária executiva do Sindicato Rural, por sua vez, explicou os aspectos que motivaram a criação do programa Alfa. Ela ressaltou que ele foi visualizado a partir da percepção de que muitos agricultores deixavam de participar de cursos oferecidos pelo sindicato e pelo Senar, por sentirem-se intimidados e até mesmo envergonhados já que, muitos sequer sabiam assinar seus nomes. “Diante disso, o programa – que é realizado apenas aqui no RS – foi criado para mudar este cenário, o que vem conseguindo de maneira muito positiva”, comentou Diva.
A coordenadora pedagógica do programa elencou ainda os aspectos sociais e humanos que a alfabetização permite aos estudantes. “Temos muitos exemplos maravilhosos de pessoas que só agora têm a oportunidade de se alfabetizar e que destacam a todo momento a diferença que saber ler e escrever promove em suas vidas”, pontuou Márcia, complementada por Diva: “Mais do que isso, o aprendizado também exerce um papel muito importante na autoestima de cada um”, completa.
Carina ressaltou ainda que o programa oferece material gratuito aos estudantes, desde lápis, canetas e cadernos, até mochilas, camisetas e bonés do programa. “Para muito deles isto também representa muito, pois eles sempre nos relatam que na época em que iam a escola, no caso dos que chegaram a frequentar, a realidade era completamente diferente, pois eles não tinham materiais ou quando tinham, eram divididos com os irmãos. A relação deles com o ensino hoje é muito diferente e fica nítido na vontade e disposição de cada um o quanto é importante o aprendizado que eles têm por meio do programa”, completa.
Sobre o programa
O programa é desenvolvido em um período de seis meses, com aulas realizadas três vezes por semana nas localidades onde vivem os alunos. Os professores são indicados por meio do poder público municipal dos municípios, sendo que uma das exigências é que sejam da própria localidade onde ministrarão as aulas. “Isso para que ele tenha uma identidade com a realidade e também maior proximidade com o público que estará presente nestas turmas”, justifica Diva.
As aulas duram em média três horas, sendo que a decisão quanto ao turno em que são realizadas é tomada em comum acordo com a turma, de acordo com as especificidades de cada uma. As atividades são realizadas nas próprias comunidades, em escolas, salões comunitários entre outros espaços. O número mínimo de estudantes para que o programa possa ser desenvolvido é de 12 alunos. As turmas são formadas por homens e mulheres. Na região, segundo Márcia, o público é, em sua maioria, feminino.