Nesta semana foi realizado em Erechim um evento especial voltado à importância da amamentação. A programação, desenvolvida na terça e quarta-feira no Salão de Atos da Secretaria Municipal de Saúde, reuniu vários profissionais e teve por objetivo central,
possibilitar um treinamento às agentes comunitárias de saúde e às visitadoras que integram o programa Primeira Infância Melhor (PIM).
A enfermeira responsável pelo Programa Materno Infantil da Secretaria municipal de Saúde, Miriam Regina Cecconello, salienta que são estas profissionais que vão até as residências das mães e famílias diariamente e por isso serão as multiplicadoras das orientações sobre amamentação, durante todo o ano. “Para tanto foi firmada uma parceria com a equipe multiprofissional do Hospital Santa Terezinha que atua diretamente na maternidade. Foi um momento para esclarecer dúvidas e trocar experiências”, destacou.
Miriam reforça ainda, que é importante observar se as mamães estão com alguma dificuldade durante a amamentação e os fatores que podem estar influenciando. Um dos aspectos que auxiliam é o apoio da família. “As principais dúvidas citadas pelas agentes se referem às mães que não estavam preparadas para o processo de amamentação”, cita.
Reflexo da amamentação
O processo de aleitamento materno pode influenciar em todo o desenvolvimento das crianças. Do mesmo modo, o uso da chupeta e da mamadeira influenciam na fala da criança e também do adulto.
A fonoaudióloga Michele Veares explica que na área de atuação são estudadas as estruturas relacionadas à boca e mandíbula. “Durante a amamentação natural essas funções serão desenvolvidas, por isso é importante que os bebês sejam amamentados no peito para que o desenvolvimento das funções da respiração, mastigação, deglutição e fala ocorra de maneira correta.
Michele comenta que, se o bebê não consegue ser amamentado no peito e necessita da mamadeira, podem acontecer alterações no crescimento craniofacial e a oclusão dentária será alterada. “Além disso, a língua também pode ter modificações no desenvolvimento e isso pode trazer impacto nos ajustes motores finos da fala”, completa.
Do mesmo modo, as crianças que são amamentadas no peito mas também usam chupeta, podem registrar alterações. Contudo, a fonoaudióloga salienta que se forem amamentadas com o leite materno, esses impactos geralmente são amenizados, sendo que contato com o peito pode auxiliar na formação da musculatura e no desenvolvimento osseo. “Isso contribui para que ocorram menos alterações no futuro”, pontua, reiterando que o momento da amamentação é algo decisivo para o desenvolvimento da fala, da linguagem.
Retomada e avanços
A enfermeira do Hospital Santa Terezinha, Mariane Bohm de Toffol, relata que hábitos como o uso da chupeta, têm relação com questões culturais, pois é algo que vem de família. “A intenção é mudar essa ideia, em função da Rede Cegonha, da questão da humanização dos partos, por isso, estamos retomando algumas práticas que eram feitas há muitos anos”, afirma.
Mariane alerta que amamentar é algo difícil, mas há mães que têm mais facilidade.
“A mamadeira e a chupeta acabam sendo uma forma de facilitar o processo, que é o meio mais fácil de conseguir o alimento. No entanto, procuramos destacar o foco da alimentação no desenvolvimento da criança, qual a importância do leite materno que diz respeito à imunidade, ao vínculo afetivo, ao ganho de peso”, explica.
As profissionais de saúde enfatizam que cada etapa do aleitamento é específica para a criança e o leite materno é único. Nesse contexto, o momento dedicado à amamentação também é importante e deve ser respeitado, pois é um espaço para reforçar o vínculo, o laço entre mãe e filho.