Com o objetivo de que o produtor melhore sua propriedade e aumente a rentabilidade, a Emater lançou nesta semana o programa regional da bovinocultura de leite. Ele envolve cinco linhas de ação: gestão da propriedade, nutrição do rebanho, qualidade do leite, reprodução e criação da bezerra. O programa terá a duração de quatro anos.
“Definimos alguns parâmetros e repassamos aos colegas para escolher uma propriedade para implantar o projeto piloto. Serão 16 unidades demonstrativas em municípios diferentes, com acompanhamento sistemático e visitas mensais. Serão realizadas medições de qualidade, contagem de CCS (contagem de células somáticas), de CBT (contagem bacteriana total) – é o parâmetro que indica a qualidade do leite”, explica o agrônomo da Emater, Vilmar Fruscalso, doutorando em Agroecossistemas.
De acordo com o agrônomo, esses parâmetros serão monitorados e quando estiverem inadequados serão investigados. As propriedades que irão receber as unidades demonstrativas serão de produtores que já estão na atividade leiteira e estão estruturados.
A intenção do programa, de acordo com Fruscalso, é que a propriedade sirva de exemplo para os demais produtores do município e da região. E também é uma forma de a Emater mostrar seu trabalho e de capacitar os próprios técnicos.
Até 2015, a produção na região era de 300 milhões de litros por ano, com 87 mil vacas envolvendo 9 mil produtores. A produção média por vaca/dia é de 10 a 11 litros – considerada muito baixa. De acordo com Fruscalso teria que ser o dobro.
O Rio Grande do Sul é a segunda maior bacia leiteira do país. São quase 200 mil produtores. 95% deles originários da agricultura familiar. A atividade está presente em 94% dos municípios e equivale a quase 10% do PIB gaúcho.
“A nutrição é insuficiente atualmente, com oferta de pasto geralmente aquém das necessidades dos animais. Verificamos graves problemas de manejo das pastagens, com equívocos no tamanho das áreas, número de piquetes, locação das sombras e pontos d’água, momentos de entrada e saída dos animais, além de baixos níveis de adubação”, destaca.
Oferta provoca queda dos preços
Nesta época do ano, historicamente, a oferta de produto aumenta e, consequentemente, os preço recuam. Ao contrário do que normalmente ocorre no outono. Neste período, segundo o agrônomo, a oferta de pastagens de inverno, como aveia e avezem, é abundante. “A forragem e pasto são extremamente são elevados e a qualidade é excepcional. Avezem é rico em proteínas”, diz.
O Brasil importa muito leite em pó do Uruguai porque chega mais barato do que o nacional. Um decreto do governo Estadual de junho de 2016 baixou a alíquota para importação de 18 para 12%. O que fez com que a entrada de leite vinda do exterior passasse de 27 mil toneladas em 2015 para 50 mil em 2016.
Mas além dessa situação da entrada do leite em pó do Uruguai, a grande oferta de pasto, aumentando a produção de leite, reduziu o preço do valor recebido pelo produtor. É a lei da oferta e procura. Como resultado, cai o preço, não somente para o produtor.
A média que o produtor está recebendo é de R$ 1,10 o litro, enquanto que o valor que cobriria os custos de produção seria em torno de R$ 1,50. Já para o consumidor, o leite longa vida pode ser encontrado no supermercado por R$ 1,85.
“A partir de agora, em qualquer setor da agropecuária vai ser assim. O agricultor tem que estar preparado para momento de crise, com certa reserva”, ressalta Fruscalso.
Conforme o gerente de um supermercado em Erechim, Osvaldo Rossi, o preço do litro do leite longa vida está em torno de R$ 2,00. Mas quando conseguem fazer uma compra em oferta, é possível disponibilizar o alimento por R$ 1,85. “Acredito que nas próximas semanas, com oferta maior de pasto, a tendência é do preço do leite baixar mais”, diz.