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Rural

Comercialização do trigo em debate

Produto argentino chega a preço mais baixo, impedindo a competição com o cereal nacional

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Técnico da Emater Welison Valduga, de Ponte Preta, vistoria lavoura.jpg
Por Rosa Liberman
Foto Divulgação Emater

Com o objetivo de debater formas de agilizar a liberação de mecanismos que garantam pagamento do preço mínimo ao produtor quando necessário, como o PEP e o PEPR, representantes do setor produtivo do trigo estiveram reunidos com o gerente de operações da Companhia Nacional de Abastecimento de Brasília (Conab), Allan Silveira dos Santos. Conforme o presidente da Comissão do Trigo da Farsul, Hamilton Guterres Jardim, os produtores que necessitam acessar os leilões sofrem com processos burocráticos de cadastramento que dificultam o acesso ao sistema. Os presentes propuseram a criação de um grupo de trabalho para agilizar as liberações do uso dos mecanismos de proteção pelos produtores.

De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Erechim, João Picoli, o preço mínimo do cereal deveria aumentar pelo menos em R$ 3 a saca para cobrir os custos de produção. “Tem muito trigo entrando no país. O cereal gaúcho não compete com o dos outros países, que chega mais barato no Estado. O nosso vai para o Norte do país e o da Argentina vem para o RS”, diz.

Ele explica que uma opção para a atividade voltar a se tornar economicamente viável seria fazer negociações com a compra via estatal. “O produtor colhe, entrega para uma cooperativa que vende para um órgão do governo. Assim não há livre mercado e os preços não recuam”, explica.

O Rio Grande do Sul cultiva 727.728 hectares com trigo e a expectativa média de produtividade é de 2.419 quilos/ha – uma produção de 1.760 milhão toneladas. A expectativa da Emater é da produção se manter semelhante nesta safra. O consumo é superior a produção e é atendido pela produção Argentina. No Brasil, o consumo é de 11 milhões de toneladas e a produção nacional é em torno da metade disso. A estimativa é de que sejam importadas neste ano, 14,4 milhões de toneladas.

Conforme o agrônomo da Emater, Nilton Cipriano de Souza, o preço mínimo de R$ 37,26 deixa uma margem de lucro difícil ao produtor. Ele explica que para produzir um hectare são necessários mais de R$ 1,7 mil e para empatar os custos, são necessários colher 45 sacos de 60 quilos. A média da produtividade na região é de 3,2t/ha.

No Alto Uruguai a área cultivada nesta safra foi de 29.100 hectares. Ela vem reduzindo a cada safra. No ano passado foram ocupados 33 mil ha. Mas a região já destinou 60 mil ha.

“Seria preciso uma garantia que a nossa produção tivesse comercialização com preços justos, em detrimento do trigo que vem de fora. Porque a nossa produção tem a carga de impostos elevada”, diz.

 

 

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