A alta rentabilidade que o fruto proporciona e a demanda crescente leva a cada ano mais produtores do Alto Uruguai demonstrarem interesse em introduzir o cultivo de noz pecã em suas propriedades ou em aumentar a área já cultivada. Conforme dados da Emater, em 2014 a região possuía uma área de 1 hectare com produção de 1700 quilos e neste ano já são 30,2 ha com produção contabilizada em 21 toneladas produzidas por 21 produtores. A área teve um aumento de 3.020%, enquanto que a produção teve um salto de 1235.29%.
No Alto Uruguai os produtores são familiares e as áreas são pequenas, mas é uma atividade alternativa que é utilizada em consórcio com o gado de corte ou de leite e também, nos primeiros anos, pode ser com grãos.
O agrônomo da Emater Luiz Ângelo Poletto explica que o empecilho da atividade é o tempo que demora para a nogueira produzir. “Para começar a ter retorno financeiro leva alguns anos, já que a produção demora oito anos. É um projeto de longo tempo. E a produção aumenta no decorrer dos anos, ela é maior com cerca de 10 a 11 anos. Mas o custo de produção não é elevado. A muda custa em torno de R$ 35 e são 100 plantas por hectare. Exigindo nos primeiros anos, formação da planta com podas e adubação”, diz. Em áreas pequenas a colheita é manual, já áreas maiores é com maquinário.
O agrônomo salienta que tem muitos produtores entrando na atividade, mas ressalta que é importante cultivar mais de uma variedade para haver melhor polinização. “Há expectativas de crescimento regional na cultura, principalmente pelos preços favoráveis, pelo crescimento da utilização de nozes em padarias e confeitarias, e ainda pela possibilidade de consorciar a cultura da noz, principalmente com a ovinocultura. Também alia-se ao fato de haver viveiros que produzam mudas de qualidade”.
No Rio Grande do Sul está ocorrendo crescimento da área plantada. Em 2014 havia 3.396 hectares e hoje já são 4.256 ha. Entre os municípios que se destacam por maior área estão Cachoeira do Sul, com 1.043 ha e Anta Gorda, com 480 ha. Na Região do Alto Uruguai destaca-se o município de Itatiba do Sul, que possui área de 13 hectares plantados.
De acordo com o técnico da Emater de Itatiba do Sul, Clecir Miguel Nonnenmacher, todos produtores tem outras atividades juntas, como uma renda a mais. Um deles, o que mais produz, com nove hectares, é que está em fase de transição e visa passar a produzir somente noz. Sua primeira produção foi nesta safra, com 500 toneladas. Ele foi plantando a área aos poucos e nesse ano, teve sua primeira safra.
“Como tem espaçamento grande, permite nas entre linhas haja outras atividades, como pecuária, bovinos de corte ou ovinocultura, e nos estágios iniciais com grandes culturas, como o tabaco, soja ou milho. É bastante rentável. Porém, é preciso ter paciência, pois a produção demora alguns anos para iniciar, assim como o retorno financeiro”, diz.
Segundo ele, para a implantação, além das mudas, é preciso adubação, mão de obra. Com relação a produtividade ele diz que é possível chegar de 1.500 a 3 mil quilos por hectare, podendo atingir 5 mil quilos/ha, dependendo do manejo e das condições climáticas. Existe a necessidade de plantar mais de uma variedade, porque ocorre polinização cruzada.
Nonnenmacher ressalta a importância de agregar valor na mão de obra na propriedade com o descascamento, pois isso traz mais remuneração ao produtor. Aumenta o valor agregado do produto. Além disso, processando o produto, o agricultor consegue obter ainda mais renda. Para tanto, exige a necessidade de instalação de agroindústria. Por enquanto, no município de Itatiba do Sul, toda produção é comercializada com casca. E o preço médio que recebido ficou em torno de R$17,00.
Valdemar e Diles Franceschini, em Linha Baixo Caçador, interior de Gaurama, tem 20 hectares, e trabalham com citricultura, milho, gado de leite e noz pecã em 1,5 hectares. “Cultivamos nogueira desde 1967 e comercializamos sem casca para padarias”, diz o produtor.