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Rural

Transporte de citros para fora do Estado está liberado

Adequações nas exigências do Ministério da Agricultura estão sendo feitas pelos agricultores e governo

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Por Rosa Liberman - rosa@jornalbomdia.com.br
Foto Divulgação

Dez dias depois das cargas com citros estarem suspensas de serem transportadas para outros estados em função da vigência da Instrução Normativa nº37 do Ministério da Agricultura (Mapa), exigindo a sanitização das frutas cítricas com determinados produtos para que possam ser vendidas para fora do Rio Grande do Sul, entre outras exigências, a expectativa é de que a partir desta sexta-feira (6), as cargas começaram a ser organizadas e o trânsito liberado. A informação é do prefeito de Três Arroios, Lirio Zarichta. Ele esteve representando a Associação dos Municípios do Alto Uruguai (Amau), em duas reuniões que aconteceram em Porto Alegre na quinta e sexta-feira.

Conforme Zarichta, somente o Mapa é que pode suspender a vigência da Normativa até o dia 31 de dezembro, conforme solicitação realizada na última semana. “O que acordamos é que vamos implantar a sanitização, mesmo que de maneira precária. O processo vai ser realizado, pois não podemos interromper os compromissos com a comercialização dos frutos”, diz. A medida visa o manejo para a diminuição da quantidade de cancro cítrico no Estado.

Também foi acertado que o lacre que está sendo obrigatório na carga não será cobrado neste momento, até que o Mapa se manifeste com especificações a respeito desta regra. A Normativa prevê que as cargas sejam lacradas e o prefeito explica que a produção do Alto Uruguai comercializada pela Ecoterra para outros estados, como Santa Catarina, Paraná e São Paulo, acontece em diversos locais de cada um destes estados, o que acaba dificultando se a carga estiver lacrada.

Outro impasse, é que a Normativa também prevê a exigência de um produto na higienização das caixas plásticas usadas no transporte e que não é registrado para agricultura orgânica e foi solicitada a substituição deste produto.

Participaram das reuniões em Porto Alegre, o secretário de Agricultura do Estado, Ernani Polo, agricultores, direção da Ecoterra, delegado do Ministério da Agricultura, os prefeitos de Severiano de Almeida, Milto Vendruscolo e de Marcelino Ramos, Juliano Zuanazzi, os deputados Edegar Pretto, Altemir Tortelli, Elton Weber, Gilmar Sossella, representantes da Emater, da Secretaria de Agricultura, técnicos e representantes da Fetraf e Fetag. Na quarta-feira foi criada uma comissão para tratar do assunto.

De acordo com o coordenador da Câmara Setorial da Citricultura da Secretaria Estadual de Agricultura, Paulo Lipp, foram discutidos os gargalos do setor com relação à Instrução Normativa que estavam dificultando o trânsito de fruta para fora do Estado e vários procedimentos foram encaminhados, assim como se constituiu um grupo de trabalho.

Entre as principais reivindicações dos agricultores está a deficiência de responsáveis técnicos para emitirem os certificados fitossanitários. Segundo Lipp, ficou o compromisso da Secretaria e do Mapa em homologar o mais breve possível, a habilitação de novos técnicos para a emissão dos certificados para o trânsito interestadual. Enquanto isso, a diretoria da Emater, deliberou que os técnicos da região vão continuar a emitir os certificados.

Também será encaminhada novamente ao Mapa, a solicitação de incluir novos produtos registrados para a agricultura orgânica para a lavagem de caixas reutilizáveis no transporte das frutas. No que diz respeito ao lacre, Lipp explica que como já havia sido requerido pela Secretaria uma regulamentação de como usá-lo e até agora não houve definição por parte do Ministério da Agricultura, este não será um impedimento. “Vamos aguardar as orientações do Mapa de como proceder, mas até lá, o trânsito das cargas segue”, diz.

Desta forma, a princípio, os produtores saíram das reuniões satisfeitos, segundo o coordenador da Câmara Setorial da Citricultura. E a partir de agora as cargas de citros vão fluir sem maiores problemas. No dia 17 de outubro haverá reunião da Câmara Setorial Nacional em São Paulo e esses assuntos serão levados. “Acreditamos que a sanitização exigida na Instrução Normativa 37 é importante para o Rio Grande do Sul, porque defende a citricultura do Alto Uruguai, pois é a primeira barreira. E a pior doença do citros no mundo, o greening já está em São Paulo, no Norte do Paraná e Sul de Minas Gerais. Temos que evitar que chegue ao Estado, porque seria devastador para a pequena propriedade, porque é uma doença que não se tem controle. Então, a Normativa é um controle para o produtor”, ressalta.

 

 

 

 

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