No Alto Uruguai a colheita do trigo está iniciando e, mais uma vez, as intempéries climáticas poderão afetar o resultado da safra. A princípio, não foram registrados danos significativos nas plantas pela queda de granizo ou o acamamento com o vento, mas a umidade em excesso aliada às altas temperaturas provocou o surgimento de doenças que podem vir a afetar a produtividade e qualidade dos grãos.
O trigo ocupa 29.100 hectares na região e 11% da área está madura por colher, 82% na fase de enchimento de grãos e 6,5% na fase de floração. “Se essas condições climáticas persistirem, a safra de trigo poderá ser comprometida, com possíveis prejuízos em função da perda de qualidade do grão. Isso porque, grande parte das lavouras está na fase de floração, enchimento de grãos e maduro por colher”, explica o agrônomo da Emater Regional, Nilton Cipriano de Souza.
Até esta sexta-feira (13), não foram notificados municípios com significativos danos na cultura de trigo em virtude do granizo ou acamamento das lavouras, por causa de ventos fortes. O que está acontecendo em algumas lavouras da região é o surgimento de uma doença causada por bacteriose. Seu sintoma é quando as folhas ficam esbranquiçadas. Cipriano relata que são casos isolados, mas que hoje não tem método de controle efetivo, e essa bacteriose acaba matando a planta.
Esta não é a primeira vez que a bacteriose é diagnosticada em lavouras do Alto Uruguai. A primeira vez ocorreu em 2008, se repetiu em 2010 com alguns registros e voltou a aparecer nesta safra. “Isto está acontecendo porque a planta do trigo teve um estresse muito grande. Primeiro houve excesso de chuva na época da semeadura, o que acabou atrasando o processo, depois foram registrados períodos sem chuva no início do desenvolvimento. Em meados de julho ocorreu geada de forte intensidade e agora, períodos intercalados com vários dias sem chuva e chuva. Esse estresse gera o aparecimento dessa bacteriose”, explica.
A quantidade de chuva registrada em outubro, em Erechim, até a manhã desta sexta-feira foi de 125mm, sendo que a média esperada para o período é de 178,3mm.
A colheita na região acontece até a metade de novembro. Em alguns municípios o processo já iniciou, como em Cruzaltense, com cerca de 0,5% da área cultivada com uma média de produtividade de 3.300 quilos por hectare. Em Campinas do Sul, de acordo com o técnico da Emater Carlos Carraro, foram cultivados 3 mil hectares com o cereal e 5% da área já foi colhida. A previsão é de que a partir da próxima semana o processo seja intensificado. Carraro também salienta a questão da diminuição da produtividade e qualidade dos grãos por causa das condições climáticas e pelo surgimento de giberela e da bacteriose.
O prefeito de Campinas do Sul, Neri Montepó salienta que é cedo para avaliar os possíveis prejuízos nas lavouras de trigo no município devido às doenças. Já na questão de queda de granizo que ocorreu na manhã de quinta-feira (12), não foram notificados danos nas lavouras.
No município de Erval Grande são cultivados 300 hectares com trigo e, de acordo com o técnico em agropecuária da Emater, Ivonir Antônio Biesek, ainda não está computada a perda na safra. “A queda de granizo ocorrida dia 1º atingiu o município, mas não as lavouras com o cereal. Com relação ao acamamento também não podemos quantificar as perdas ainda. Mas em conversas com os produtores, o que tem sido registrado são danos causados por doenças”, diz.
O produtor Tiago Frassini, tem sua propriedade com a família em uma área de 350 hectares em Goio-Ên, interior de Erval Grande. No ano passado destinou ao cereal 160 hectares, mas em virtude da expectativa negativa de preço e pelo elevado custo de produção, reduziu a área nesta safra para 50 hectares. Segundo ele, não teve problemas por granizo nem ventos, mas por doenças e, principalmente, pela falta de umidade no início do desenvolvimento. “Acredito que a planta não desenvolveu todo seu potencial e, nossa projeção era colher quase 70 sacas por hectare, a produtividade obtida no ano passado, mas acredito que vou ficar com uma média de 50 sc/ha”, relata. A colheita deve iniciar em 15 dias.
No Estado, conforme levantamento da Emater, a colheita iniciou nesta semana. Cerca de 20% das lavouras estão aptas para a colheita, 60% em fase de formação de grão, 15% em floração e 3% estão em desenvolvimento vegetativo. De acordo com o levantamento da Emater Estadual, as primeiras colheitas apresentam volumes aquém do desejado e qualidade inferior. Com isso, as empresas compradoras de trigo estão sem preço para o produto e, portanto, sem comercialização para os grãos em depósito, o que deixa os triticultores gaúchos desmotivados quanto aos investimentos realizados na cultura nesta safra de 2017.
Volume de chuva registrado nesta semana em Erechim
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Dia |
Volume de chuva |
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9 (segunda-feira) |
17,5mm |
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10 (terça-feira) |
2,5mm |
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11 (quarta-feira) |
20mm |
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13 (sexta-feira) |
17,5mm |
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Total em outubro |
125mm |
*Fonte Emater