A oncologia brasileira está vivendo um momento muito importante, pois, por incrível que pareça, até recentemente não era considerada uma especialidade, mas sim, uma área de atuação. O médico se formava e depois fazia residência e ganhava um título de cancerologista que podia fazer cirurgia ou atuar somente na parte clínica. Somente neste ano que a oncologia se tornou uma área de especialidade médica, o que torna mais poder de decisão frente às outras instituições médicas, um reconhecimento da especialidade.
Conforme o médico oncologista César Arnt, outro ponto positivo são as novidades que os países desenvolvidos apresentam no que se referem às novas opções de tratamentos. “A imunoterapia vem crescendo muito. Hoje em dia se preconiza atender a cada paciente de acordo especificamente com a doença que ele está sofrendo. Tal maneira ajuda a melhorar o rendimento do tratamento e a diminuição dos efeitos colaterais”, ressalta.
A oncologia vem conseguindo, enquanto país, registrar a diminuição do número de fumantes, o que repercute na área. “Diante disso a expectativa é que tenhamos redução dos casos de câncer relacionados ao cigarro. Porém, isso ainda não estamos vivenciando. Já os países desenvolvidos vem conseguindo diminuir os casos das doenças”, comenta, dizendo que a forma é incentivando o diagnóstico precoce, os hábitos mais saudáveis, exames regulares. “Com certeza repercute em um grau melhor de saúde. O câncer hoje tem cura, quando descoberto no início. Atualmente mais de 70% dos casos são possíveis curar, mas os pacientes também precisam colaborar e evitar hábitos nocivos", alerta.
Segundo o especialista, a oncologia vem crescendo muito e os profissionais vem se interessando mais pela expectativa de mudanças nos próximos anos. “A demanda cresce e percebemos que o aumento do número de casos de câncer vem aumentando nos países em desenvolvimento. Tanto que, procede a ideia de que, nos próximos anos, nestes países vão ser registrados mais casos de morte por câncer do que por doenças cardiovasculares”, pontua. Tal estimativa gera um desafio ainda maior aos profissionais.
No que se refere à relação de doenças da saúde mental com o câncer, o médico explica que a maior preocupação atualmente acontece da forma inversa: os pacientes que desenvolvem problemas como a depressão em razão do câncer. Contudo, ele explica que psicólogos argumentam que, do ponto de vista biológico, a depressão causa alterações na bioquímica do corpo que podem deixar algumas pessoas mais “vulneráveis” a desenvolver a alguns problemas. “Porém, sabemos que a depressão é uma doença muito comum hoje em dia. Então, se fizermos uma relação com o número de pessoas que sofrem desses problemas e as que desenvolvem câncer, há, felizmente, uma disparidade sobre essa relação”, salienta.
O oncologista, além da preocupação com o cuidado e a recuperação, acaba por atuar como um importante “ouvinte”, de seus pacientes. “É uma especialidade multidisciplinar, pois precisamos muitos das outras áreas. Acabamos sendo um pouco terapeutas, e isso é muito importante.
Acesso ao tratamento
Conforme César, no país não há uma barreira em receber novidades da indústria farmacêutica ou no que se refere à oncologia mundial. Sendo assim, não estamos muito defasados enquanto especialidade. Contudo, uma problemática é o acesso do paciente ao tratamento. “Atualmente o SUS possui uma demora para incrementar novas tecnologias. Os governantes dizem que não há verba suficiente para introduzir todos os medicamentos novos que surgem no exterior para tratar os pacientes. A luta está sendo contínua e por isso, mais uma vez, a importância do reconhecimento da especialidade para reivindicar junto ao Ministério da Saúde, mais medicamentos para os pacientes do sistema público.
Sobre a data
“Todo estudante que decide seguir a carreira médica, deve ter amor ao próximo, dedicação para estudar e se atualizar. Compromisso com si mesmo e com o próximo”.