A rotina de um profissional de medicina costuma ser muito agitada. Seja no âmbito público ou no privado, as demandas na área de saúde são crescentes. Junto delas, porém, surgem os desafios e dificuldades. Diante desse cenário, o Bom Dia apresenta uma entrevista especial com o médico ginecologista e obstetra, Dr. Sérgio Bigolin. O especialista também é o coordenador do curso de Medicina da URI de Erechim.
Segundo ele, todas as ciências para que possam se manter em constante aperfeiçoamento necessitam de aporte permanente de dedicação de pessoas, profissionais que se sintam com estímulos para que despertem a maior capacidade de mobilizar conhecimento.
Confira a seguir a entrevista completa:
Jornal Bom Dia - Inicialmente, gostaria que fizesse uma breve avaliação sobre o atual cenário da medicina no país e região:
Sérgio Bigolin - “Cada ser humano em sua profissão depende muito para o avanço das ciências de importantes aportes financeiros para a pesquisa, atendimento nas mais variáveis escalas de complexidades dentro das necessidades da população.
Hoje como todas as outras áreas profissionais a medicina encontra um cenário de conturbação político-econômica em nosso país e isto se reflete na sociedade.
Penso que o nosso país está passando por isso, mas olhando para a saúde em nossa região nossos indicadores encontram bem e acima da média nacional. Isto tem a ver com a forma como nossos profissionais da saúde regional, em todas as áreas, vem atuando com dedicação, profissionalismo e acima de tudo otimismo”.
Jornal Bom Dia - Na sua opinião, como está a valorização de especialidades como ginecologia e a obstetrícia?
Sérgio Bigolin - “Valorização médica em qualquer especialidade deve ser interpretada sob dois contextos, primeiro a satisfação em relação ao que se esta fazendo ou seja, estar feliz com o exercício da profissão escolhida e isto esta acima da média basta ver o contexto geral de nossa saúde regional. Segundo a valorização financeira esta acompanhada a outras áreas profissionais em que nos resta o otimismo e o pensamento positivo”.
Jornal Bom Dia - Comente sobre as diferenças e desafios das estruturas de trabalho no sistema público e no privado:
Sérgio Bigolin - “Na teoria não temos diferença entre a saúde no sistema público e privado, pois está na constituição que “saúde e um direito de todos e um dever da nação”, porém na prática teremos um grande desafio pois o Estado em suas três esferas prometeu algo que não pode cumprir, pelo menos até hoje. Mas nossa esperança é manter um “meio termo” entre o poder público e a população com o propósito de suprir as demandas no atendimento à população”.
Jornal Bom Dia - Em relação às inovações e investimentos em pesquisa e tecnologias, qual a sua opinião?
Sérgio Bigolin - “Sempre temos descobertas, sempre encontramos caminhos menos agressivos e com os mesmos resultados na promoção e prevenção da saúde das pessoas. As ciências não pararam, as pesquisas sempre aconteceram e são a base mais relevante para o conceito de saúde de uma população.
Talvez o capítulo da educação voltado para a pesquisa deva ter um olhar mais atento e realmente aconteça para inovar as ciências e não apenas para a multiplicação de títulos. Pesquisar é descobrir algo novo ou acrescentar valores a algo já descoberto em pro da humanidade para ao final termos melhor qualidade de vida”.
Jornal Bom Dia - Sobre a formação em medicina em Erechim, quais serão os diferencias do profissional formado pelo curso da URI?
Sérgio Bigolin - “O objetivo é formar um profissional com perfil humanista, reflexivo e que tenha um importante senso crítico voltado para a atenção, educação e gestão em saúde. Para tanto devemos formar um profissional com competência, capaz de mobilizar conhecimento em pro da saúde da comunidade em que for atuar tanto no atendimento primário, secundário e terciário da saúde.
O principal diferencial do egresso da faculdade de medicina da URI é a formação desde o primeiro semestre com o aluno imerso no Sistema Único de Saúde, mas, respeitando a evolução de sua formação, sua imersão ativa buscando o problema, saber resolver este problema e principalmente saber agir frente a uma situação real”.