Abastecer o carro hoje em dia é um peso no orçamento familiar. Isso porque, o preço do litro da gasolina pago pelo consumidor em Erechim, é o maior já cobrado nos postos de combustíveis. Segundo a Agência Nacional de Petróleo, o valor médio praticado na cidade é de R$ 4,331, variando de R$ 4,189 a R$ 4,579.
Conforme Paulo Da Veiga, proprietário de restaurante e lancheria, a gasolina interfere muito nos negócios. Porque influencia o valor de produtos usados diariamente, e nos serviços prestados pelo estabelecimento. “O cliente não quer mais fazer a tele-entrega, porque custa muito caro, paga R$ 12 o marmitex e R$ 8 a entrega. Como o Brasil se diz autossuficiente em gasolina deveria ser mais barata”, explica.
Paulo ressalta que o preço da gasolina é um absurdo. O custo de vida no Rio Grande do Sul é muito alto, e que se trabalha só para pagar as contas, e o negócio deixa de ter rendimento.
“Há pouco tempo o restaurante tinha cinco dias de movimento intenso. Nos últimos anos diminui 40% o movimento, agora dá um dia, quando dá. O povo não tem mais dinheiro, é muito encargo, a crise é geral. A classe trabalhadora tem que pagar o pato sempre, isto está matando o Brasil e a população”, afirma.
O pintor Taylor dos Santos, afirma que o preço da gasolina é uma vergonha, já que o Brasil tem petróleo para exportar. Ele atua há 26 anos no ramo e utiliza o carro todo dia para trabalhar.
“Gasto em torno de R$ 90 por semana de combustível, sendo que meu carro é econômico. Isto dá 15% a 20% do orçamento familiar só em gasolina. Deixo de comprar calçados e roupas para fazer sobrar e conseguir abastecer o carro, e não deixar de trabalhar”, ressalta. “Tenho certeza que se parar a corrupção ia diminuir o valor”, desabafa.
Taxista há 20 anos, Lisandro Almeida afirma que a gasolina pesa muito nas contas da casa, porque com o reajuste do combustível vem também o aumento de outros itens. “A gente tem que deixar de gastar com comidas, roupas. O alto preço da gasolina interfere diretamente na rotina da casa”, afirma. Almeida observa que nestes anos de trabalho nunca viu o litro da gasolina tão caro.
Segundo o pintor Lindomar dos Santos, que utiliza todo dia o carro para trabalhar, o preço do combustível está muito alto. “Está demais. A gente tem que deixar de comer algumas coisas melhores para colocar combustível no carro. Hoje está difícil trabalhar, sobreviver, tem que abaixar o valor do combustível”, ressalta.
Lindomar comenta que não adianta acrescentar o valor do combustível em cima do orçamento, porque aí o cliente não fecha o negócio. “Este é um custo a mais que o trabalhador tem que arcar sozinho. Vamos torcer que mude”, enfatiza.
O proprietário de posto de combustível, Roberto Machry, há 35 anos no setor, explica que em função do preço atual não ocorreu redução drástica na procura, o que está acontecendo é a diminuição na litragem colocada nos carros.
Conforme Roberto a queda na quantidade de litros abastecidos por automóvel supera os 20%. “O cliente que colocava R$ 100 hoje coloca R$ 80, o que abastecia R$ 70 põe R$ 50. O consumidor tem tendência de vir no posto mais vezes, mas abastecer menor valor”, destaca.
Isso está ocorrendo desde que Petrobrás alterou a tabela de reajuste, fazendo mudanças diárias, seguindo o mercado. Soma-se a isto todas as altas de preços dos últimos quatro a cinco meses.
“Desde que estou trabalhando este é o maior valor da gasolina com certeza, nunca atingiu este patamar de US$ 1,5, a US$ 1,75, mesmo com trocas de moedas pelo governo não chegou a ter este preço”, observa.