Já estão valendo os novos preços do gás de cozinha (GLP) e do gás industrial para Erechim, o reajuste médio chega a 8,9% no botijão de 13 kg. Apesar de ainda não estar definido o preço para o consumidor, estima-se que o erechinense vai pagar pelo GLP entre R$ 90 e R$ 95, um dos preços mais altos do Rio Grande do Sul.
Neste ano, o governo já fez oito aumentos no preço do gás de cozinha, iniciados em março com 9,8%, junho 6,7%, agosto 6,9%; setembro foram três acréscimos um de 3,8%, 12,2% e 6,9%; outubro 12% e o recente neste mês de dezembro de aproximadamente 8,9%, resultando em torno de 68% de acréscimos.
Isto é, em janeiro um botijão de gás P13 estava em média R$ 62, neste mês vai chegar a R$ 90. Se fosse repassado todo o percentual o consumidor estaria pagando quase R$ 120, diz o proprietário. Para se ter uma ideia o botijão de gás de cozinha está custando R$ 64 na capital do Estado, muito do elevado preço de Erechim se dá em função do transporte, tributos e repetidos aumentos.
Conforme o proprietário de uma revenda de gás de cozinha e industrial, no centro de Erechim, José Carlos Moura, o aumento no GLP 13 kg será de R$ 5,75 para o revendedor, o novo preço para o consumidor ainda não está definido, mas ele estima que fique entre R$ 90 e R$ 95 o valor final.
No entanto, não são somente os consumidores prejudicados com esta situação, explica o revendedor, já que a venda caiu nos últimos meses. “Este aumento diminui a nossa lucratividade, desde que começou os reajustes já perdemos em torno de 20% do nosso lucro”, destaca.
Moura destaca ainda um dado importante, além de diminuir o consumo, as pessoas passam a se organizar diferente, o revendedor ainda tem o problema dos tributos, que sobem muito, em torno de 71% do valor do gás de cozinha são impostos.
A proprietária da revenda Elenir Dallagnol, localizada no bairro Cerâmica de Erechim, informa que o gás de cozinha (P13) vai subir 8,9%, ficando em torno de R$ 87. “Não vou conseguir vender neste valor, acho que vai ficar em torno de R$85 na revenda e R$ 90 para entrega”, explica.
Conforme Elenir, o gás industrial (P45) utilizado em bares e restaurantes vai subir, porém com taxa menor cerca de 4%, assim na média vai custar R$ 344. “Isso não é um dado preciso, porque não vieram informações da companhia, estes são valores estimados”, esclarece.
Consumidor
O proprietário da padaria Roberto Falabretti, usa três botijões P45 por semana, isso dá um custo médio de R$ 900. Ele comenta que ainda tem margem para trabalhar e não repassar tudo para o consumidor. “Ainda consigo segurar, mas logo vai estourar e vou ter que repassar os aumentos para o consumidor”, observa.
Para a empregada doméstica Elenir Alberti, o gás está muito caro. “Para a gente que ganha salário mínimo não é fácil pagar luz, água e gás. É um aumento em cima do outro, o preço está muito alto”, enfatiza.
Segundo Jéssica dos Santos, empregada doméstica, para conseguir pagar as contas tem que cortar gastos. “A gente trabalha e ganha pouco, comprei gás neste mês e paguei R$ 88, é muito dinheiro, poderia comprar outras coisas se não fosse este preço”, destaca.
Para o presidente do Sindicato, Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de Erechim (SHRBS Erechim), Chárli Oldoni, o consumo de gás pesa muito no orçamento das empresas que trabalham com alimento, tendo impacto grande e direto nas contas.
Para tentar diminuir este custo, o sindicato se reuniu e propôs aos associados fazer uma licitação para comprar gás a granel. A iniciativa trouxe resultados, o projeto iniciou com 11 associados ano passado e hoje já são 20. O trabalho em conjunto resultou numa redução de mais de 30% nos gastos com gás, observa Oldoni.