O cidadão não tem muito que comemorar em 2018 quando o assunto é custo do dinheiro. Ao fazer uma simulação de financiamento ainda se constata que o consumidor tem que desembolsar muito mais do que pegou emprestado do agente financeiro para pagar a conta. Em alguns casos o valor chega a dobrar e até mesmo aumentar quatro vezes mais. Mesmo com as reduções seguidas da taxa Selic, que regula os juros no país.
Hoje a taxa básica de juros está em 7% ao ano e pode cair para 6,75% em fevereiro de 2018. De outubro de 2016 a novembro deste ano, a Selic caiu de 14,25% para 7,5% ao ano. Em dezembro, o Banco Central reduziu a Selic para 7% ao ano, no menor nível da história. Aí vem a pergunta: os juros abaixaram para o consumidor?
Se o consumidor for fazer uma simulação de empréstimo nas financeiras em Erechim para compra de bens duráveis vai se surpreender. Numa operação de R$ 3 mil em 12 vezes a prestação fica em torno de R$ 478, com valor final de R$ 5,7 mil, quase o dobro. Se este mesmo valor fosse financiado em 24 meses teria um prestação média de R$ 265 e o valor total de R$ 6,3 mil, mais que o dobro. Se os mesmos R$ 3 mil forem divididos em 36 parcelas, a prestação média fica em torno de R$ 197, no final o cliente vai pagar R$ 7 mil, muito mais que o dobro.
Por exemplo, ao financiar R$ 5 mil em 48 parcelas, a prestação fica em torno de R$229, ao final o consumidor vai pagar pouco mais de R$ 10 mil, isto é, o dobro.
Se o cidadão precisar de R$ 40 mil, a lógica não é muito diferente. Ao dividir o valor em 48 vezes a parcela média fica em torno de R$ 1565. No total quem pegou o dinheiro vai pagar cerca de R$ 75 mil, quase o dobro.
Se um aposentado for fazer um empréstimo consignado de R$ 3 mil no caixa rápido também vai se assustar com os números. O valor médio, se pagar em 36 vezes, da parcela será R$ 124, o valor total de R$ 4.464. Se dividir por 48 meses a prestação será de R$ 104, resultando em R$ 4.992. Ao aumentar o prazo para 72 parcelas a prestação será de R$ 86, valor final de R$ 6.192.
As contas do mês atrasaram e o trabalhador – pessoa física - resolve fazer um empréstimo para não ficar devendo a ninguém, só para o banco. Ao cair nesta situação a realidade é também assustadora. A pessoa vai financiar R$ 8,3 mil em 48 parcelas fixas de R$ 599,85. Isto é, até a última prestação o cidadão vai desembolsar R$ 28 mil, três vezes mais. Se optar por R$ 5,8 mil de empréstimo em 48 prestações de R$ 419, não fica por menos de R$ 20 mil, até a última parcela, quase quatro vezes mais.
Já numa simulação de financiamento para crédito de pequena empresa, para ampliar o capital de giro, a situação é um pouco melhor. Numa simulação média de R$ 15 mil, se o empresário pagar em duas vezes a prestação fica em torno de R$ 8,2 mil, num total de R$ 16,4 mil. Se for em 10 parcelas ao final vai pagar R$ 18,2 mil e prestação média de R$ 1,8 mil.
Por outro lado, se o trabalhador quer deixar suas economias rendendo na caderneta de poupança ele vai ter outra surpresa. Quando financia R$ 3 mil em 12 vezes o trabalhador vai pagar ao final R$ 5,7 mil, quase o dobro. Agora, se o cidadão deixar também R$ 3 mil, as economias da família, aplicadas na poupança obterá em 12 meses R$ 3.185,00. Ou seja, somente R$ 185 de rendimento, bem inferior aos R$ 2,7 mil que pagará de juros.
Por outro lado, o governo federal aprovou o novo salário mínimo de R$ 954, que está valendo desde o dia 1º de janeiro, com um aumento de R$ 17. O detalhe, este é o menor reajuste do salário mínimo em 24 anos. O valor é inferior ao estimado anteriormente pelo governo, que era R$ 965.
Spread
Beneficiado pela limitação ao crédito rotativo, o spread bancário encerrou novembro no menor nível em dois anos. Segundo dados do Banco Central (BC), o spread médio dos créditos com recursos livres (que excluem os créditos subsidiados) caiu 8,1 pontos percentuais entre outubro do ano passado e novembro deste ano, de 42,4% para 34,3%. Esse é o menor nível registrado desde dezembro de 2015.
O recuo, no entanto, deve-se quase exclusivamente ao rotativo do cartão de crédito. Segundo levantamento da Agência Brasil, os juros médios da maior parte dos tipos de linhas de crédito caíram menos que os 6,75 pontos percentuais de queda acumulada da taxa Selic (juros básicos da economia) no mesmo período. De outubro do ano passado a novembro deste ano, a Selic caiu de 14,25% para 7,5% ao ano. Em dezembro, o BC reduziu a Selic para 7% ao ano, no menor nível da história.
O spread bancário é a diferença entre as taxas que os bancos pagam para captar recursos de clientes (ao vender aplicações financeiras) e as taxas cobradas do tomador final de empréstimos e financiamentos. A queda na Selic costuma ser repassada aos juros finais pelas instituições financeiras, mas só resulta em redução do spread se os bancos reduzirem as taxas cobradas em ritmo maior que a diminuição dos juros básicos.
Se uma instituição reduz a taxa de uma linha de crédito em 6 pontos percentuais, contra uma queda de 6,75 pontos na Selic, o spread aumenta. Isso porque as taxas de captação pagas pelas instituições financeiras são apenas um pouco maiores que os juros básicos da economia.
O Banco Central separa o spread bancário conforme o tipo de tomador de crédito. Para pessoas físicas, o spread caiu 13,2 pontos percentuais de outubro de 2016 a novembro de 2017 – de 62,3% para 49,1% ao ano. Para pessoas jurídicas, que tradicionalmente pagam juros menores, o recuo chegou a 3,7 pontos percentuais – de 18,8% para 15,1% ao ano.