Entre 2014 e 2017, anos de crise no país, o preço de venda dos imóveis residenciais prontos caiu 17%, já descontada a inflação, segundo o Índice FipeZap, feito com base no mercado de 20 cidades. De janeiro a dezembro a queda no valor dos imóveis foi de 3,23%.
A queda nos preços se deu pela diminuição significativa na concessão de crédito. E, também, devido à forte queda no mercado de trabalho a partir de 2015, quando o aumento do desemprego fez com que o consumidor adiasse a compra do imóvel ou não conseguisse mais arcar com seu financiamento.
O ponto positivo é que a Caixa Econômica Federal elevou de 50% para 70% o limite de financiamento para imóveis usados. O percentual volta ao mesmo patamar do ano passado, antes do banco reduzir o limite para 50% do total financiado.
De acordo com o corretor Sergio Zanardo, nos últimos dois anos, 2016 e 2017, houve uma variação nos preços dos imóveis. No entanto, até 2016 o mercado vinha segurando os valores. Somente a partir de 2017 que os preços abaixaram, a diminuição chegou até o percentual de 20% entre imóveis novos e usados. Sergio afirma que com a liberação de recursos o mercado local deve voltar a aquecer.
Acime
Para o presidente da Associação dos Corretores de Imóveis de Erechim (Acime), Ronei Pereira, as novas regras para compra de imóveis usados já estão em vigor desde terça-feira (2). Com a mudança agora o comprador só precisa dar 30% de entrada para compra de usado e 20% para novos.
Segundo Ronei, o ano de 2017 ficou estagnado, as modalidades anteriores de financiamento dificultavam muito as vendas. “Poucas pessoas têm a metade do valor do bem para dar de entrada”, explica. Esta situação, enfatiza ele, “prejudicou muito as vendas, trancou a viabilidade do financiamento”, acrescenta.
A expectativa de Ronei é que o mercado de Erechim reaja com as novas regras, já que a cidade está tendo dificuldades de retomar as vendas no setor. A projeção é que no geral ocorra um crescimento neste ano de 8% a 10% na venda de imóveis novos e usados.
“Com crédito na praça o mercado se aquece e outros setores serão influenciados como construção civil. A partir daí vai ter uma efetiva geração de emprego e renda”, observa. Ele acrescenta que se a Caixa fizer novas alterações, e aumentar ainda mais o percentual de financiamento chegando a 80% a 90% do valor do imóvel, a projeção de crescimento ficaria em torno de 12% a 15%.
Sinduscon
Conforme Carlos Eduardo de Marco, representante do Sindicato da Indústria da Construção e do Mobiliário de Erechim (Sinduscon), a alteração no percentual de financiamento vai ter impacto positivo no setor. “Sofremos muito com a redução do percentual no ano anterior. Não é todo mundo que tem R$ 70 mil para dar de entrada num apartamento de R$ 150 mil. Esta situação estava inviável”, ressalta.
Segundo Carlos, a situação dos imóveis usados foi muito complicada no ano que passou. Cita o próprio exemplo, afirmando que não vendeu nenhum apartamento usado em 2017. A mudança deve aquecer o mercado e estimular as vendas.
No entanto, Carlos observa que a Caixa mudou o percentual somente para uma modalidade de financiamento, o Sistema de Amortização Constante (SAC), que começa com uma prestação alta e vai baixando o valor à medida que vai pagando. “É bom, mas não é ideal, melhor seria envolver a Tabela Price – prestação constante, mais fácil e melhor para o consumidor”, explica. “A partir de agora vai melhorar”, afirma.
Brasil
Segundo a Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip), em dezembro de 2014, mais de 33 mil imóveis foram financiados para compra. Em novembro de 2017, o dado mais recente, foram pouco mais de 8 mil.
Para 2018, a tendência é que a desaceleração dos preços dos imóveis se mantenha, mesmo com reação da economia e um aquecimento do mercado.
Caixa
A Caixa Econômica Federal também retomou a linha de financiamento habitacional Pró-Cotista, destinada à compra de imóveis a juros baixos por trabalhadores que têm conta vinculada ao Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O valor disponibilizado para a linha este ano é de R$ 4 bilhões. No ano passado, o recurso disponível foi de R$ 6,1 bilhões. O Pró-Cotista é uma linha de crédito imobiliário mais barata com taxa de juros que variam de 8,85% ao ano a 7,85% ao ano para clientes com débito em conta ou conta salário na Caixa. A taxa só não é inferior à do programa Minha Casa, Minha Vida.
O financiamento pela linha Pró-Cotista pode ser contratado por trabalhadores com pelo menos 36 meses de vínculo com o FGTS ou saldo em conta vinculada de pelo menos 10% do valor da avaliação do imóvel. Quem quiser obter o financiamento também não pode ser proprietário de imóvel no município onde mora ou trabalha, nem ter financiamento no Sistema Financeiro da Habitação em qualquer parte do país.