Erechim organiza evento para capacitar pessoas que buscam oportunidade no mercado de trabalho
Vagas de emprego em aberto e candidatos buscando colocação no mercado de trabalho: duas situações que se complementam mas que, muitas vezes por falta de preparação de um dos atores, não se ajustam. É este cenário – cada vez mais frequente – que motivou a articulação em torno da “Feira E - sua carreira em foco”, iniciativa que será realizada em março a fim de capacitar pessoas em busca de oportunidades na profissão.
Ainda em fase de sistematização, a feira foi tema de um encontro nesta semana, no qual participaram o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Altemir Barp, representantes de empresas, entidades e agências de empregos. Conforme a assessoria de comunicação da administração municipal, o grupo discutiu o atual cenário do mercado de trabalho, mão de obra disponível, perfil dos candidatos, vagas de emprego e a falta de qualificação.
Problema recorrente
Responsável pelo recrutamento e seleção em uma agência de empregos, Hercio Menegotto Ferraro Neto afirma que hoje em dia, quem tem buscado emprego está ciente da necessidade de estar preparado, “porém muitas vezes não tem, ou não teve, condições financeiras ou tempo disponível para efetuar esta qualificação”. Isso, porém, vai na contramão das perspectivas das empresas que oferecem vagas. “Como existe uma grande oferta de mão de obra, as empresas estão exigindo uma qualificação cada vez maior, como, por exemplo, o ensino médio completo para vagas de auxiliar de indústria e para vagas administrativas, até graduação completa ou em andamento. O domínio da informática também é algo bem procurado pelas empresas da mesma forma que cursos técnicos específicos também são cobrados. Os empregadores estão buscando profissionais prontos para o mercado”, pondera.
Por outro lado, quem busca estas vagas, muitas vezes tem a falta de preparo como principal barreira. “A crise que tivemos nos colocou diante de uma situação complicada de empregos e a necessidade colocou muitas pessoas dispostas a buscar todas as vagas possíveis. A frase “qualquer coisa serve” por parte dos candidatos passou a ser recorrente. Por outro lado, esse é um dos grandes problemas, pois estando aberto a diversas possibilidades, muitas vezes não há qualificação para nenhuma das alternativas”, pontua o coordenador do Sistema Nacional de Empregos (Sine) de Erechim, Gabriel Jevinski.
Como alternativa a isso, ele orienta a preparação e o foco em determinada área. “Investir na preparação e capacitação para ir em busca de uma área específica de atuação pode aumentar as chances de emprego. A qualificação é benéfica para ambos, tanto para quem busca a oportunidade quanto para quem vier a contratar”, pontua, ao ressaltar que a feira se configura como “uma ótima chance de as pessoas aprenderem como conseguir uma colocação de emprego, principalmente partindo de coisas que parecem simples, mas que causam dúvidas, como o preenchimento de um currículo, por exemplo”, diz Jevinski.
Os desafios do primeiro emprego
Os jovens em busca do primeiro emprego costumam ser público-alvo de grande parte das críticas de quem oferece vagas. A situação, porém, envolve reflexões: “A colocação dos jovens no mercado de trabalho realmente é um ponto delicado, pois muitas vezes existe a exigência de experiência prévia até mais do que a qualificação. Sem oportunidade de trabalho, o jovem nunca terá experiência, mesmo tendo efetuado uma graduação, por exemplo. É necessário que se dê espaço e oportunidade a quem está buscando qualificação para que também se tenha experiência”, Neto.
O recrutador finaliza deixando dicas para quem busca oportunidades no mercado de trabalho atualmente: “Continuar a estudar e a se qualificar enquanto a oportunidade de trabalho não aparece; procurar cursos gratuitos que são oferecidos por entidades, buscar cursos online, participar de entidades que necessitam de voluntários para ampliar a rede de contatos e ganhar experiência. E não desanimar, pois o mercado aos poucos está se ajustando e voltando a contratar”, completa.
Geração Y: objetivos diferentes
O headhunter – profissional responsável por recrutar pessoas aliando as necessidades da empresa com a qualificação do profissional - Marcelo Liutti, comenta sobre o que a geração Y (nascida nos anos 80) deseja em sua vida profissional. Por exemplo, ele destaca que ao se candidatar a uma vaga de emprego, os objetivos são diferentes.
Segundo ele, a geração Y vem mudando historicamente, e é difícil taxar exatamente o que eles buscam a julgar pelos diferentes momentos de vida destes profissionais. “Por exemplo, profissionais nascidos no início dessa geração (início da década de 80) normalmente estão em uma fase de vida de construção de família, alguns até já com filhos, e por isso, olham mais a questão da estabilidade na empresa e buscam um plano de carreira mais estruturado. Muitos destes profissionais hoje já ocupam cargos de lideranças em grandes empresas”, explica.
Já profissionais das próximas décadas (anos 90 e 2000), estão mais preocupados com questões como meritocracia, pensam em crescimento rápido, por isso, buscam empresas que tenham culturas que possibilitem essa ascensão mais acelerada. “E isso se reflete até na mudança contínua de emprego, o que para seus pais era um tabu e até visto com maus olhos, para essa geração a mudança é uma necessidade constante em suas vidas e elas são vistas como grandes oportunidades”, finaliza Lutti.
Sobre a Feira E
Programada para ser realizada em março, a Feira E - Entidades envolvidas na Feira E tem o objetivo de oferecer um direcionamento às pessoas que procuram por uma oportunidade no mercado de trabalho. Isso deverá ser feito por meio de minicursos e oficinas com temas voltados a essa preparação, como técnicas de preenchimento de currículo, trabalho em equipe, Programas de Qualidade 5S, etiqueta pessoal e postura profissional, marketing pessoal, planejamento de carreira e recolocação profissional. A iniciativa é da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, em parceria com a Escola Dom.
Do primeiro encontro sobre o tema, participaram, além o secretário de Desenvolvimento, a presidente da CDL, Arlei Cavaletti; o presidente da Accie, Fábio Vendruscolo; o coordenador do SINE, Gabriel Gewinski; o diretor da Escola Dom, Miguel Pereira Couto, além de representantes da Aurora Alimentos, CooperAlfa, Master Sonda, Instituto Prosperitá, Atitude Agência de Empregos e Agência Contato. Outras reuniões serão agendadas com o intuito de obter mais parceiros para realização do evento.