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Saúde

Erechim poderá ofertar terapias integrativas pelo SUS

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Por Roberta Jansen e Fabiana Cambricoli/Estadão Conteúdo
Foto Emerson Salomão

O Ministério da Saúde anunciou a inclusão de dez novas práticas integrativas no Sistema Único de Saúde (SUS) como florais, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar e cromoterapia A partir de agora, são 29 procedimentos oferecidos. No ano passado, foram realizados mais de 1,4 milhão de atendimentos aos usuários, como acupuntura, yoga e auriculoterapia, procedimentos que já estão disponibilizados em alguns municípios do Alto Uruguai.

O anúncio ocorreu no início da semana na abertura do Primeiro Congresso Internacional de Práticas Integrativas e Saúde Pública, no Riocentro. As práticas alternativas começaram a ser oferecidas pelo SUS em 2006. As terapias estão presentes em 9.350 estabelecimentos em 3.173 municípios. Entre as práticas mais procuradas estão a acupuntura e a medicina tradicional chinesa.

"O Brasil passa a contar com 29 práticas integrativas pelo SUS. Com isso, somos o país líder na oferta dessa modalidade na atenção básica. Essas práticas são investimento em prevenção à saúde para evitar que as pessoas fiquem doentes. Precisamos continuar caminhando em direção à promoção da saúde em vez de cuidar apenas de quem fica doente", ressaltou o ministro Ricardo Barros.

Segundo o Ministério da Saúde, evidências científicas têm mostrado os benefícios do tratamento integrado entre medicina convencional e práticas integrativas e complementares. Além disso, há um crescente número de profissionais capacitados e habilitados e uma valorização dos conhecimentos tradicionais. Somente no ano passado foram capacitados mais de 30 mil profissionais

O Conselho Federal de Medicina rebate as afirmações do ministério e critica a inclusão de tais técnicas. "As práticas integrativas feitas no SUS não têm resolubilidade, não têm base na medicina em evidências e, portanto, onera o sistema e não deveriam estar incorporadas", declarou nesta segunda o presidente do conselho, Carlos Vital.

Ele afirmou ainda que os médicos não podem prescrever essas terapias, com exceção da acupuntura, reconhecida como especialidade médica. "Os médicos só podem atuar com procedimentos e terapêuticas que têm reconhecimento científico", disse.


Veja abaixo a lista de novas terapias incorporadas ao SUS
Apiterapia - método que utiliza produtos produzidos pelas abelhas nas colmeias como a apitoxina, geléia real, pólen, própolis, mel e outros.
Aromaterapia - uso de concentrados voláteis extraídos de vegetais, os óleos essenciais promovem bem estar e saúde.
Bioenergética - visão diagnóstica aliada à compreensão do sofrimento/adoecimento, adota a psicoterapia corporal e exercícios terapêuticos. Ajuda a liberar as tensões do corpo e facilita a expressão de sentimentos.
Constelação familiar - técnica de representação espacial das relações familiares que permite identificar bloqueios emocionais de gerações ou membros da família.
Cromoterapia - utiliza as cores nos tratamentos das doenças com o objetivo de harmonizar o corpo.
Geoterapia - uso da argila com água que pode ser aplicada no corpo. Usado em ferimentos, cicatrização, lesões, doenças osteomusuculares.
Hipnoterapia - conjunto de técnicas que pelo relaxamento, concentração induz a pessoa a alcançar um estado de consciência aumentado que permite alterar comportamentos indesejados.
Imposição de mãos - cura pela imposição das mãos próximo ao corpo da pessoa para transferência de energia para o paciente Promove bem estar, diminui estresse e ansiedade.
Ozonioterapia - mistura dos gases oxigênio e ozônio por diversas vias de administração com finalidade terapêutica e promove melhoria de diversas doenças. Usado na odontologia, neurologia e oncologia.
Terapia de Florais - uso de essências florais que modifica certos estados vibratórios. Auxilia no equilíbrio e harmonização do indivíduo.

Práticas já difundidas no Alto Uruguai

As práticas anunciadas pelo Ministério da Saúde já são difundidas em alguns municípios do Alto Uruguai. A informação é da coordenadora do departamento de Atenção Básica da 11ª Coordenaria Regional de Saúde, Leda Mendes, que ressalta a importância das terapias alternativas no processo preventivo da saúde humana. A mesma opinião é compartilhada pela bióloga Cláudia Zanchett, que integra a equipe da vigilância ambiental. Ela explica que a normativa do governo deverá oferecer amparo legal para que os municípios contratem profissionais e incrementem os serviços oferecidos aos usuários do SUS, mas ressalta que a medida não deverá representar injeção de novos recursos. A orientação é para que as secretarias municipais de Saúde disponibilizem o atendimento conforme a regulação do serviço público de saúde.

Erechim estuda implantação do serviço
Em Erechim, segundo o secretário adjunto de Saúde, Jackson Arpini, nenhuma terapia integrativa está sendo oferecida pelo município. "Estamos discutindo o assunto, mas creio que é um caminho sem volta", ponderou Arpini, indicando que a prefeitura deverá incorporar os tratamentos alternativos nas políticas públicas de saúde.

O presidente da Associação de Secretários Municipais de Saúde, Jandir Cassol, antecipa que o assunto deverá pautar a próxima reunião da entidade vinculada a Associação de Municípios do Alto Uruguai. Cassol confirma que Erval Grande e Paulo já ofertam o serviço e acredita que as maioria dos municípios deverá seguir pelo mesmo caminho. "É notório o avanço das práticas integrativas no âmbito da saúde. Os municípios precisam estar alinhados com o anseio popular, que cada vez busca qualidade de vida", finaliza. (Texto: Antonio Grzybowski)

 

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