Os mutuários voltarão a poder financiar imóveis de valor mais alto com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS). O Conselho Monetário Nacional (CMN) elevou para R$ 1,5 milhão o teto de valor das unidades que podem ser adquiridas por meio do Sistema Financeiro de Habitação (SFH), que empresta dinheiro com recursos do FGTS com juros menores que as taxas de mercado.
O novo teto vai beneficiar todas as regiões do país e valerá para o financiamento de imóveis residenciais novos contratados a partir de 1º de janeiro próximo. Concedidos com recursos do FGTS e da poupança, os financiamentos do SFH cobram juros de até 12% ao ano. Acima desses valores, valem as normas do Sistema Financeiro Imobiliário (SFI), com taxas mais altas e definidas livremente pelo mercado.
Impacto
Para Gilmar Fiebig Filho, sócio da Construtora Fiebig em Erechim, a novidade é importante, mas não necessariamente impactará no mercado como um todo. “A parcela de imóveis comercializados nesta faixa de valor é mais baixa. A elevação do teto financiado ajuda, mas o que mais mexeria com as vendas neste momento, seria o incentivo que o governo poderia proporcionar ao setor como um todo”, destaca.
Segundo Gilmar, a queda da Selic, de 14,5% no início do ano para 6,5% até julho, não necessariamente chegou ao setor. “No início do ano os juros de financiamento de um imóvel novo eram de 11% ao ano e caíram para pouco mais de 9%. Poderia sim chegar a 6% ou algo mais próximo, parece pouco, mas 3% ao ano em um financiamento de longo prazo, significa muito para o comprador”, pondera o construtor. Segundo ele, o grande incentivo ao setor poderia vir justamente na queda de juros dos financiamentos.
Reação
Gilmar explica ainda que o mercado de imóveis teve uma reação importante no primeiro semestre de 2018. “Conseguimos fechar maior percentual de vendas do que em 2017, por exemplo. Ainda não está dentro do ideal, mas a percepção é de melhora. Esperamos que os próximos meses possam nos reservas notícias melhores e que novos negócios possam ser concretizados”, avalia o construtor.
Flexibilização
Além de elevar o teto dos financiamentos com recursos do Fundo de Garantia, o CMN flexibilizou a parcela que os bancos são obrigados a aplicar em crédito imobiliário. Até agora, os bancos precisavam destinar 65% dos recursos da poupança para o financiamento de imóveis, dos quais 80% (o equivalente a 52% dos depósitos na caderneta) deveriam ser empregados no SFH.
Com a decisão, o sublimite de 80% deixará de vigorar em janeiro. Dessa forma, os bancos poderão usar os recursos da poupança para financiarem imóveis de qualquer valor, a critério de cada instituição. No entanto, os bancos que concederem crédito para imóveis de até R$ 500 mil terão o valor multiplicado por 1,2 para facilitar o cumprimento da exigência de usarem 65% da poupança no financiamento imobiliário.
Estímulo à construção
Segundo o Banco Central (BC), as medidas foram tomadas para estimular a construção civil. Recentemente, entidades do setor reclamaram que a indústria da construção continua a recuar e a enfrentar dificuldades para sair da crise por causa do alto custo dos financiamentos.
“Esse conjunto de aperfeiçoamentos, ao flexibilizar e simplificar as regras do direcionamento, pretende estimular a entrada de novos operadores e a melhor segmentação de mercado. Espera-se, ainda, uma maior compatibilidade entre a oferta e a demanda de financiamentos, respeitando-se a estrutura e as características de nosso mercado imobiliário. A maior liberdade para contratação pode estimular também o desenvolvimento do mercado de securitização [conversão de papéis] e de títulos com lastro em operações imobiliárias, atraindo novos recursos para o setor”, explicou o BC em nota. (Com in formações da Agência Brasil).