Quando perdeu o emprego, em março de 2017, Elisandro Filipiak se viu em uma situação nada agradável. “O primeiro impacto foi muito negativo. Eu estava em um bom emprego e ai de repente perdi, o baque foi grande”, conta o erechinense.
A primeira atitude dele, foi se manter ativo economicamente. “Fui em busca de algumas oportunidade, cheguei a fazer alguns trabalhos informais, mas isso acabou me abrindo uma porta, pois vi ali a oportunidade de abrir um negócio próprio, dentro de uma lacuna de mercado no setor”, explica ele.
Hoje, com outras três pessoas, coordena uma empresa no ramo de material elétrico (Ereluz). Contra o desemprego, Elisandro usou a vontade de trabalhar para seguir em frente. “Nem tudo na vida é fácil, mas sempre tem algo que possa ser feito para ajudar o próximo, basta ver isso como uma oportunidade de negócio. Hoje a mão de obra, novamente está em alta velocidade de crescimento no mercado de trabalho”, pontua.
Trabalho por conta própria
Com a crise e o desemprego, aumentou o número de brasileiros buscando alternativa no mercado trabalho por conta própria. Em 2017, aproximadamente 23 milhões de pessoas estavam nessa situação, e desses, 5 milhões (23%) tinham se tornado conta própria há menos de 2 anos, segundo dados da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Os que apostaram nessa alternativa, depois da crise, no entanto, tinham o rendimento cerca de 33% menor do que os que estavam há mais tempo nesse tipo de ocupação, mostra a Pesquisa.
Segundo os dados, há diferenças importantes também por cor/raça e sexo entre os trabalhadores que se tornaram conta própria mais recentemente e os demais. Por exemplo, a mulher não negra que era conta própria há menos de 2 anos recebia, em média, apenas 59% daquela com as mesmas características que estava há mais tempo nesse tipo de ocupação.
Considerando apenas o trabalhador por conta própria com até dois anos, os homens não negros tinham o rendimento médio mais alto (R$ 1.637,00); as mulheres não-negras ganhavam 31% menos que eles; os homens negros, 36%; e as mulheres negras, apenas a metade do recebido por este grupo.
Entre os setores de atividade nos quais mais atuavam, destacam-se: comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (4,8 milhões), agropecuária (3,8 milhões), construção (3,6 milhões) e informação e comunicação (2,0 milhões). Com a crise econômica, houve uma aceleração da entrada dos trabalhadores por conta própria no setor de alojamento e alimentação (34% dos que estavam nesse setor atuavam há menos de 2 anos como conta própria), transporte e armazenagem (28%) e comércio e reparação de veículos (28%)
Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Diesse), ao contrário da ideia difundida do “empreendedor” que deixa de ser empregado para se tornar “chefe de si mesmo”, em uma atividade dinâmica, a maioria (52%) dos trabalhadores por conta própria em “ocupações elementares” (faxineiros, pedreiros, preparadores de comidas rápidas etc.), com baixos rendimentos, entrou nesse trabalho há menos de dois anos. Isso deixa clara a dificuldade de empreender “com sucesso”, principalmente em contexto de grave crise econômica, como o vivido hoje, que se arrasta desde 2014 e para o qual não se vislumbra saída por meio da atual política econômica.
Pós-emprego
O erechinense Elisandro Filipiak diz que a transição entre perder o emprego e finalmente estar trabalhando por conta própria, “não foi tão complicado”. “Por já ter feito alguns cursos enquanto estava empregado ajudou, o que mudou foi o produto, agora completamente diferente. “Mas agora estou implantando as metodologias que os cursos e a faculdade nos ensinou”, amplia.
Antes de entrar em um negócio próprio, ele também buscou informações com amigos. “Hoje ganhamos menos do que quando estávamos empregado, mas acreditando e trabalhando para que no futuro tenhamos uma condição melhor”, conclui ele.
Estudo*
Entre os que trabalhavam por conta própria há menos de dois anos
- 77% não tinham CNPJ nem contribuíam para a Previdência Social, percentual maior do que o
daqueles que estavam há mais tempo nessa posição;
-menos de 9% possuíam CNPJ e contribuíam para a Previdência (situação em que se enquadra
o microempreendedor individual, por exemplo);
-cerca de 10% contribuíam com a Previdência, ainda que sem CNPJ, o que garante pelo menos alguma proteção social (como auxílio-acidente, licença maternidade/paternidade etc.), percentual também inferior ao daqueles que estavam há mais tempo (19%) atuando nessa posição.
(*): Fonte: Diesse