Não há dúvida que todo trabalho requer atenção, esforço e dedicação. Agora, produzir alimentos necessita algo a mais. Mas, por quê? Porque sempre se está em contato com a natureza, faça chuva ou sol, sujeito às intempéries do tempo. Tem que realizar as tarefas por mais frio, chuvoso ou quente que esteja o dia. No entanto, há coisas boas também, conviver diariamente, construir e ver a vida seguir junto dos familiares, dividir alegrias, mas, também, tristezas. Esse é o caso da família May, produtores rurais de Erechim.
Para o agricultor Lindolfo May, 57 anos, é um orgulho ver o filho continuar produzindo alimentos. “A gente sempre quis que os filhos continuassem e fizemos muito esforço para manter eles aqui”.
Lindolfo produz muitos tipos de verduras em estufa, numa pequena área de terra, junto com a sua esposa Ivete May, desde os anos 1980. “Sempre trabalhei com verduras”, afirma.
Com origem no campo, Lindolfo escolheu Erechim para construir sua família e teve que superar muitas dificuldades para conseguir criar as condições para integrar os filhos, Cristiano e Cleisom, na atividade. “Graças a Deus conseguimos, por insistência, vendo que tinha algum retorno, e olhando para a dificuldade que era estar na cidade. Assim conseguimos”, destaca.
O agricultor lembra que no início todo o processo de preparação e cultivo era realizado manualmente. “Quando a gente começou era tudo manual, eu e a esposa, tudo era feito na mão. Se fosse ver, hoje, comparado com aqueles anos é bem mais fácil’, comenta.
Lindolfo observa que a produção depois de colhida era vendida em feiras. “Trabalhava com meu cunhado, que parou, eu continuei, e trabalho até hoje”, salienta.
Dos anos passados e da sua experiência de vida, Lindolfo tira a seguinte lição. “Com trabalho e a família, os filhos juntos, se vence as dificuldades. Essa atividade é familiar, se não for familiar é difícil funcionar”, sentencia.
Ao lado, Cristiano May, 37 anos, ouvia atento, na residência da família, o pai falar sobre sua vida, sonho realizado e suas vivências. Hoje, o filho tem a mesma profissão e trabalha junto com o pai. Uma história que começa há muito tempo, já que sempre acompanhou seu pai no dia a dia.
Cristiano junto com sua esposa Daiane, também produzem alimentos na propriedade da família. Ele lembra que “antigamente era complicado, para fazer um canteiro tinha que pegar a vaca e lavrar a terra. Hoje, com o trator e a máquina em cinco minutos eu faço um canteiro, viro a terra e deixo ele prontinho”, observa.
Segundo Cristiano, essa maneira de fazer começou a mudar nos últimos 15 anos, e agora, inclusive, as plantas têm até irrigação. Para ele é bom trabalhar com o pai e a família toda junta, e ver o retorno do negócio familiar, essa é a motivação para vencer as dificuldades do trabalho. “A gente sempre está junto, tem meu filho Bernardo, isso é gratificante”, afirma.
Ele ressalta que apesar dos avanços no sistema produtivo com o auxílio de máquinas para preparar os canteiros, a maior parte do serviço ainda é manual e o trabalho da pessoa é fundamental na cultura, já que a rotina começa as cinco horas da manhã. “A tecnologia facilitou preparar o canteiro, mas plantar, carpir, cortar, lavar e aprontar as verduras, tudo é manual. A verdura sai daqui pronta para ir ao mercado”, explica. E, acrescenta, “é um trabalho delicado desde o plantio, exige muito cuidado até o final”.
Cristiano mora do outro lado do asfalto, perto da casa do pai e do trabalho. A produção de verduras proporcionou a ele também ter a sua própria casa. Apesar de produzir alimentos ser um serviço cansativo, sofrido, começando as cinco horas da manhã, Cristiano gostaria que seu filho Bernardo ficasse no campo e continuasse todo o trabalho realizado por sua família.