O agricultor Dorvalino Franco, acompanhado da esposa, contou um pouco da sua história e como perdeu a mão direita e quase todo antebraço num acidente de trabalho. Apesar da situação que limita as suas ações no dia a dia, Dorvalino afirma, com bom humor, que tem que enfrentar o problema sem desanimar, e trabalhar conforme for possível. Essa sensibilização abriu o 1º Seminário sobre Prevenção de Acidentes no Meio Rural realizado, nesta quinta-feira (25), na Cantina Trentin Km 6 Dourado em Erechim (RS).
Segundo o chefe do Escritório Municipal da Emater, Walmor Gasparin, já faz alguns anos que se observam diversos tipos de acidentes no meio rural e não havia um trabalho de prevenção. E essa é uma preocupação muito grande da Emater, já que o agricultor é o público que ela atende.
Walmor comenta que foram realizadas sete palestras para o público formado por agricultores, sobre dados estatísticos de acidentes no meio rural, gestão de riscos, cuidados durante o preparo de calda e aplicação de agroquímicos, riscos e prevenção de acidentes na utilização de equipamentos agrícolas, equipamento de proteção individual (EPI), primeiros atendimentos no campo e ergonomia e qualidade de vida.
Conforme Walmor, a apresentação de exemplos de pessoas que sofreram acidentes, no início do evento, foi para dar um alerta aos produtores. “Esse é um evento para conscientizar e preparar os agricultores para a rotina do dia a dia com segurança”, afirma.
Walmor ressalta que quando se mexe com máquinas “a primeira coisa que se faz é jogar o manual na gaveta, ninguém lê manual, essa preocupação é importante e a cada dia as máquinas estão mais sofisticadas e perigosas”.
Além disso, ele cita outros perigos eminentes que o produtor está exposto ao longo do dia, como a questão do fogo, produtos químicos, pesticidas, choques elétricos e motosserras. “O agricultor no dia a dia é eletricista, mecânico, pedreiro, faz tudo que pode fazer”, destaca.
No evento, foram repassadas muitas informações sobre medidas preventivas importantes para preservar a integridade física do produtor rural, com informações direcionadas também às agroindústrias.
Outro ponto importante do evento, segundo Walmor, foi como fazer os primeiros socorros caso ocorra o acidente, e a parte de sensibilização, valorizando o fato de ter o corpo sem nenhuma mutilação. “A gente não segue simples protocolos que estão pedindo todo dia para serem usados”, observa.
Cerest
De acordo a representante do Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest/AU), Dirce Dornfeld, esse primeiro evento é marcante para que se possa dar continuidade nesse trabalho de orientar os trabalhadores do campo e da cidade. “Para que a gente possa oferecer cada vez mais qualidade de vida ao trabalhador”, ressalta.
“Temos uma parceria, agora, com o Ministério Público do Trabalho para que se faça 100% de notificações desses acidentes, principalmente na agricultura, em que ocorre o acidente e o agricultor acha que tem que resolver como dá. A gente precisa cuidar da saúde do trabalhador”, enfatiza.
Dirce destaca que essa é uma realidade que precisa ter um olhar um pouco mais apurado. “Precisamos prevenir, quanto maior for a prevenção menor serão os casos de acidentes e de doenças”, salienta.
Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar
O secretário de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar, Leandro Basso, ressalta que o evento apresentou os cuidados que os envolvidos no processo de produção precisam tomar. “A gente fica entristecido quando vê agricultores perdendo a vida em acidentes de trator, acidentes elétricos, perdendo membros”, afirma.
Segundo Basso, são informações para conscientizar, alertar e apresentar procedimentos que devem ser respeitados no exercício das atividades. “É preciso investir em informação para proteger a vida dos nossos produtores de alimentos, para que ocorra cada vez menos acidentes de trabalho seja no espaço rural ou urbano”, observa. E, acrescenta, quando ocorre o acidente se compromete a receita de toda unidade familiar. “Essa informação tem que ser levada a toda a cadeia produtiva”.
O secretário de Agricultura enfatiza que o agricultor usa várias ferramentas ao longo do dia, trator, motosserra e, às vezes, sem todo o conhecimento necessário. “Esse evento é para que o produtor tenha mais atenção. A sobrecarga de trabalho não pode fazer com que ele abra mão dessa atenção, porque em frações de segundo pode comprometer sua vida e tudo aquilo que construiu ao longo de sua história”, salienta.
Um dos apoiadores do evento e proprietário de uma empresa de EPIs, Alaoir Castilhos, afirma que a região é bastante agrícola e a segurança no trabalho é um assunto “latente no nosso meio”. A ideia do evento é sensibilizar os trabalhadores para uma nova cultura, em que usar equipamentos de prevenção sejam prioridade. Isso porque os danos causados não afetam somente o trabalhador, mas os filhos e netos, as próximas gerações.