Uma audiência pública, realizada na manhã de ontem (18) na Câmara de Vereadores de Erechim, foi o ponto de partida para revitalização, uso e o destino do Castelinho. Na ocasião, foi apresentado um Plano de Ação para o Restauro e Reocupação do Castelinho. Atualmente, esse patrimônio arquitetônico do município se encontra fechado, inacessível e sem utilidade, sofrendo somente a ação do tempo.
Segundo a secretária de Cultura, Esporte e Turismo, Vanir Bombardelli, o Castelinho é um símbolo da cidade, e por isso há uma insistência da população em saber o que está acontecendo e porque continua fechado. Para utilizá-lo é necessário um planejamento para que se possa fazer uso permanente dele. “Mas para isso há todo um processo, e hoje vamos dar início”, afirma.
Assim, segundo a secretária, é necessário traçar um plano estratégico de ações para chegar a esse fim. E, desta forma, também buscar um aporte de recursos financeiros. “Porque só ficar a cargo do município não tem condições. Para que possa viabilizar precisamos dar o início e hoje é o início”, afirma. Vanir convida toda a população para que ajude a encontrar uma forma de fazer o Castelinho ser o que sempre foi.
Conforme o diretor de Cultura e Turismo, Neidmar Alves, o ponto principal da audiência pública foi apresentação de um plano de desenvolvimento em fases para reabertura do Castelinho, “garantindo assim que esse patrimônio fique de portas abertas”.
Segundo Neidmar, o processo inicia com a formação de um grupo técnico na área da arquitetura, formado por universidades e técnicos da prefeitura, que serão os responsáveis pelo planejamento. “Após, teremos uma audiência ou sequência de reuniões que irão tratar do Plano de Ocupação, quais espaços vão funcionar no Castelinho”, afirma.
Em seguida será realizado um plano museológico, plano cultural e um plano de sustentabilidade, sempre acompanhado por essa equipe técnica. “Por fim, iniciamos o projeto para busca do financiamento público no sistema Pró-Cultura LIC/RS e também na Lei Rouanet”, observa.
Ele explica que o tempo de execução vai depender justamente da capacidade que o grupo de trabalho vai ter para gerenciar essas ações. “Acreditamos que até o final de 2019 estamos com as fases contempladas. O processo deverá durar pelo menos 12 meses”, diz.
Depois passa por um período de captação dos valores junto a empresas que recolham ICMS, vem o início da obra. “Acreditamos que até o final de 2020 estejamos com todas as fases dela em pleno processo”, ressalta.
O diretor não garante que o Castelinho vai estar aberto à população até 2020, porque não depende só da sua vontade, mas do tempo para desenvolvimento dos trabalhos, contratação, vencer todas as questões legais e burocráticas, que são necessárias para esse tipo de trabalho.
Conforme Neidmar, todo esse processo vai garantir a participação da comunidade no Castelinho, e principalmente a sua abertura de forma permanente, garantido pelo plano de sustentabilidade. “Ou seja, a partir do momento que todas as fases estiverem contempladas não existe mais a possibilidade de fechamento desse prédio histórico”, destaca.
Segundo a arquiteta urbanista, Ariane Pedrotti de Ávila Dias, técnica do Departamento de Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural do município, o objetivo do projeto é retomar a restauração do Castelinho, “corrigir alguns erros”, e fazer uma ocupação permanente do imóvel, tendo depois intervenções pontuais de manutenção e não mais restauração, que tem valor muito elevado.
Ariane destaca que esse trabalho vem no sentido de fazer um plano em sintonia com a população, já que é ela que vai utilizar o imóvel. O objetivo é ter uma gestão de longo prazo do Castelinho. “Porque o que tem sido feito ao longo de mais de 20 anos são restaurações e não se consegue ocupar o prédio com qualidade”, observa.
A arquiteta enfatiza que a obra de restauração é o que mais demora nesse processo e deve levar mais de um ano. “Seriam aí dois anos para o Castelinho estar aberto, e dessa vez de forma definitiva”, comenta.
Conforme Ariane, a parte estrutural do Castelinho foi resolvida na última intervenção feita em 2013 e 2014, em que se restaurou estruturalmente o prédio. “O prédio não vai cair. Foi garantida estabilidade dele na última obra, agora seria a parte interna que ficou faltando, pisos, estética, pintura e o projeto para uso”, esclarece. Por fim, a arquiteta convida a população para participar desse processo, já que tudo que será feito tem como finalidade devolver o Castelinho para a comunidade.