A atenção com o solo traz reflexos tanto na produtividade agrícola como na conservação da água que será consumida na cidade. “A conscientização e preservação do solo e da água andam juntas, não tem como separar um assunto do outro”, afirma o engenheiro agrônomo, Cezar da Rosa, assistente técnico regional de Recursos Naturais da Emater/Ascar. Esse é o momento para o agricultor ficar atento e implantar as práticas de manejo para preservar o solo.
Segundo Cezar, a agricultura está no período conhecido como vazio outonal, e é importante que os produtores façam a cobertura das áreas. “Principalmente, depois da colheita da soja, introduzindo outra cultura para proteger o solo, tanto do excesso de chuva como dos raios solares”, observa.
Conforme Cezar, esse cuidado gera melhorias, entre elas, o aumento de teor de matéria orgânica e no perfil do solo, por meio do sistema radicular das novas plantas introduzidas no local. “Tudo isso vai trazer benefícios tanto para o produtor como para o meio ambiente”, afirma.
Tecnologias
Para que a água não leve o solo embora pela erosão, desperdiçando matéria orgânica, insumos e assoreando os rios, mas se torne uma importante aliada na preservação do meio ambiente e das lavouras, o produtor precisa seguir as recomendações técnicas que envolvem o emprego de quatro tecnologias.
Colheu, semeou
De acordo com Cezar, a primeira tecnologia é colheu/semeou, isto é, ao retirar a cultura da soja é necessário, em seguida, implantar a cobertura. “O produtor tem que perceber a importância do uso dessas tecnologias. Depois que colheu a soja deve semear outra cultura, o mais importante, tem que ser imediatamente”, ressalta.
Plantio em nível
A segunda tecnologia recomendada, afirma Cezar, é utilizar o plantio em nível, o que ajuda a diminuir a erosão provocada pela água.
Diversificação de culturas
Conforme Cezar, a terceira tecnologia é fazer a diversificação ou rotação de cultura na área plantada. “Quanto mais diversificado for onde se cultiva, melhor vai ficar o perfil do solo, porque as plantas têm diferentes sistemas radiculares, e isso vai contribuir para melhorar a infiltração da água, a ciclagem de nutrientes e o teor de matéria orgânica nesse solo”, explica.
Terraceamento
A última tecnologia a ser empregada pelo produtor é o terraceamento agrícola, que vai ajudar a segurar o excesso de água que cair no solo no período de muita chuva.
Ação integrada
No entanto, o engenheiro agrônomo enfatiza que não adianta o produtor fazer uso de somente uma dessas tecnologias, separadamente, isso não vai solucionar o problema. “A gente orienta para que os produtores façam a adoção dessas quatro tecnologias sincronizadas para ter uma melhor conservação do solo e da água durante os cultivos das lavouras”, comenta. E, acrescenta, “o produtor precisa ter consciência disso e do seu papel”.
Maior caixa d’água
Cezar explica que seguindo essas práticas são inúmeros os benefícios para o produtor e o meio ambiente. “O solo se torna a maior caixa d’água a céu aberto no momento em que a água infiltrar no solo. Contudo, em solos compactados a água da chuva não vai infiltrar, vai bater no solo e em minutos vai correr para a calha do rio e ir embora. E, isso é ruim até para as usinas hidrelétricas, porque essa água vai chegar toda num único momento nos rios”, explica.
Organização
O agrônomo enfatiza que para fazer a cobertura do solo é preciso organização e planejamento. “Não dá para colher a lavoura e depois ir atrás das sementes, tem que ter os insumos na propriedade. O produtor tem que estar consciente dos cuidados com o solo”, enfatiza.
Cezar ressalta que estudos mostram os benefícios efetivos em seguir essas práticas, e que a cobertura de solo também traz rentabilidade ao produtor. “Investir numa planta de cobertura, hora máquina, diesel, semente, adubo, não é dinheiro perdido. Muito pelo contrário. Esse investimento vai tornar o solo mais produtivo para o produtor e as próximas gerações”, observa.