Um grupo de agricultores cooperados da Cotrel se reuniu em frente à sede administrativa da empresa, na tarde de ontem, para reivindicar mais informações e transparência nas negociações por parte da cooperativa. Os produtores querem mais clareza no que vem sendo feito. O grupo representa os cooperados que tem para receber em torno de R$30 milhões da cooperativa.
Transparência
O produtor Carlos Gustavo Duwe de Campinas do Sul, representando seu pai, associado da cooperativa, disse que em janeiro foi feita ação extrajudicial para pedir explicações e documentos aos administradores da cooperativa. “Mas nada aconteceu, ninguém nos procurou, e agora fizemos via judicial, está na Justiça”, diz.
Segundo Duwe, é importante lembrar que houve 21 pré-assembleias em que o presidente da cooperativa disse que com a aprovação da autoliquidação os bens da Cotrel não iriam mais a leilão. “Se avaliaria os bens por um valor melhor para pagamentos das dívidas. Mas não foi o que ocorreu. Foi aprovada a autoliquidação e depois já foram a leilão três bens, a fundação Cotrel, central de armazenagem e as chácaras atrás do frigorífico”, conta.
Duwe comenta que foram feitos esses questionamentos e a diretoria não se pronunciou. “Se for a leilão os bens chegam a metade do valor, aí como se pagará as dívidas. O que estamos procurando é transparência nos negócios”, afirma.
Dívida enorme com produtores
O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Viadutos, Adilson Machado da Silva, disse que o ato foi um pedido dos associados para esclarecer o que está ocorrendo e, também, para esclarecer a população. “Porque há uma dívida enorme com os cooperados da Cotrel, em torno de R$ 30 milhões. Queremos mais informações, a dívida também tem que ser esclarecida, se é de R$ 240 milhões ou não”, diz.
Conforme Adilson, os leilões que ocorreram no final do ano passado estão contrariando aquilo que se disse nas pré-assembleias e na assembleia da autoliquidação: de que não haveria mais leilões. “Esse foi o principal motivo que levou os delegados e associados a concordar, que os leilões parariam e o capital da cooperativa não seria mais leiloado, e se trabalharia na lógica de achar uma forma de pagar os agricultores”, comenta.
Segundo Adilson, nenhum produtor recebeu com os leilões porque em liquidação não pode fazer pagamentos dos credores.
Ele acredita que o patrimônio da cooperativa paga a sua dívida, mas se continuar indo a leilão não. Cita como exemplo a filial de Campinas do Sul, que era avaliada em R$ 14 milhões e foi vendida por R$7 milhões, a metade do preço. “Se fosse valor real acredito que pagaria, mas em leilão isso fica difícil”, afirma.
O produtor afirma que existe sim um temor por parte dos produtores de que não se consiga quitar as dívidas da cooperativa e ainda sobrem contas para os agricultores pagar. “O sócio é o dono da cooperativa”, diz.
Adilson enfatiza que há um descontentamento muito grande por parte dos agricultores, e alguns já tem idade avançada com 70 anos, 80 anos de idade e com cinco, seis safras de grãos depositadas dentro da cooperativa, na expectativa de quando irão receber esses valores.
Isso ocorria porque na época o agricultor tinha o costume de depositar a safra na cooperativa, já que sentia que era mais seguro ali. “Como se fosse depositar num banco, quando tivesse dificuldade financeira fazia retiradas”, diz.
Segundo Adilson, deve ter dinheiro represado desde 15 anos atrás, e o pior disso tudo, é que houve associados que retiraram dinheiro do banco para emprestar para a cooperativa. “Dinheiro que usava no dia a dia, como capital de giro, economias. Isso trouxe uma dificuldade muito grande para a região, que se descapitalizou, ficou uma época estagnada. São situações que deixaram a região travada por não girar esse dinheiro cooperativa”, observa.