A rastreabilidade na cadeia produtiva de produtos vegetais destinados à alimentação humana foi tema da segunda palestra da 18ª Semana Municipal de Meio Ambiente pelo engenheiro agrônomo, Lauro Bernardi, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater de Lajeado.
Segundo Lauro, a normativa editada em fevereiro de 2018, que entra em vigência a partir de agosto deste ano, incide sobre toda produção de produtos vegetais frescos para consumo in natura. “Na prática significa tratar da organização do produtor para que em qualquer momento da cadeia, produção, transporte, armazenagem, comercialização, se surgir algum problema possa se rastrear o alimento”, afirma.
Conforme o engenheiro agrônomo, o objetivo dessa normativa é monitorar os resíduos de agrotóxicos e o impacto na saúde. “Nesse contexto todos os atores dessa cadeia passam a ter responsabilidade sobre a informação, de tal forma que a qualquer momento possa se voltar a origem do produto”, afirma.
Implicações ao produtor
Lauro comenta que ao agricultor implica ter um caderno de campo para anotar os insumos utilizados, receituários, usar só produtos registrados e identificar a produção com rotulagem. “Essa é a novidade. Muitos produtores já tinham as suas marcas, mas não indicava o lote e agora vai ter que mostrar”, diz.
Ele afirma que no começo isso gera uma certa dificuldade e angústia ao agricultor, mas aos poucos ele compreende isso como uma oportunidade de diferenciar seu produto e se organiza, buscando os meios para avançar nessa perspectiva.
Custos
De acordo com Lauro, a questão central da nova normativa é organização, ter uma rotina de anotações no caderno de campo. “Essa é a ferramenta central do processo junto com o rótulo. O custo varia de R$0,07 a R$ 0,11 por unidade que será comercializada. “Se for unidade vai ter embalagem por unidade e se for caixa, por exemplo, de tomate, repolho, vai ter que ter identificação por caixa”, diz.
Benefícios ao produtor
A lógica, explica Lauro, é valorizar quem está fazendo a coisa certa, o benefício se dá na distinção e na qualidade do produto. “Sai da vala comum e a marca começa a ser cada vez mais reconhecida”, afirma.
Transição
Num primeiro momento, o produtor tem uma reação negativa, porque toda lei acaba sendo uma violência simbólica para quem tem que cumpri-la, diz o engenheiro agrônomo. “A nossa região do Vale do Caí tem 500 famílias que abastecem a Ceasa, essa fase inicial passou, como houve uma prorrogação, houve tempo para trabalhar a informação. Hoje, muitos adotaram e os que não fizeram estão nos chamando na propriedade para viabilizar a rotulagem”, afirma.
Lauro comenta que quem já tinha produtos rotulados será mais fácil a adaptação, já o produtor que precisa fazer o rótulo terá que ter disciplina e controle sobre o seu sistema produtivo. “Buscar orientação, não usar produto que não tenha registro para aquela cultura e respeitar a carência. Feito isso, nunca vai ter problema”, observa.
Ele enfatiza que na região dele se está associando a normativa ao que se chama de boas práticas agrícolas. “A rastreabilidade é a ponta final, mas as boas práticas são todo conjunto de técnicas que o produtor deve e pode utilizar para reduzir a carga química, não ter risco de contaminação orgânica, ter local de pós-colheita adequado, vedado ao acesso de rato e gato que trazem a toxoplasmose e a leptospirose”, afirma.
Organização da cadeia
“O consumidor vai ter segurança”
O objetivo da palestra sobre rastreabilidade foi orientar tanto os técnicos da Emater de campo como produtores na organização da cadeia produtiva, afirma o engenheiro agrônomo, Cezar da Rosa, assistente técnico regional de Olericultura e Fruticultura da Emater/Ascar. Ele ressalta que essa instrução normativa entra em vigor no mês de agosto e os produtores deverão ter a rastreabilidade. “Os produtos devem ser acondicionados e identificados”, diz.
Cezar destaca que esse é um assunto novo e a legislação terá que ser cumprida pelos agricultores. “O intuito disso é fornecer aos nossos consumidores um produto rastreado de origem, que se sabe quando foi plantado, os tratamentos fitossanitários. O consumidor vai ter segurança que o produto está sendo e sujeito às legislações”, afirma.
Realidade local
Ele observa que os supermercados já estão exigindo a rastreabilidade. Erechim tem muitas feiras, o município tem 60 olericultores e mais um grande número de fruticultores. “Tanto a produção frutífera quanto a olerícola precisam estar adequadas na rastreabilidade”, diz. Erechim ainda está se adequando.