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Rural

Setor leiteiro: seminário reforça a necessidade de priorizar investimentos na garantia de rentabilidade

Qualidade e escala de produção estão entre os principais desafios da atividade

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Seminário - Durante todo o dia, o público acompanhou palestras de profissionais e pesquisadores na á
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Reunir produtores de leite e lideranças envolvidas na área para discutir aspectos da realidade do setor leiteiro e as perspectivas de aprimoramento e melhorias na atividade. Com esse objetivo foi realizado ontem (4), no Polo de Cultura, em Erechim, a terceira edição do Seminário de Bovinocultura de Leite do Alto Uruguai Gaúcho.

Durante todo o dia, o público acompanhou palestras de profissionais e pesquisadores na área, além de explanações de produtoras de leite, do Rio Grande do Sul e do Paraná. 

O evento foi promovido pela Emater com o apoio do Governo do Estado, Prefeitura de Erechim, Associação de Municípios do Alto Uruguai e Accie.

O coordenador do Seminário, o Assistente Técnico Regional da Emater e engenheiro agrônomo, Me. Vilmar Fruscalso, destaca que o ramo leiteiro é atualmente a principal atividade econômica e social da região Alto Uruguai. Ao todo, são cerca de cinco mil produtores vivenciando um momento de profundas transformações. “As mudanças acontecem constantemente, mas no setor o processo se acelerou. Diante disso, para o produtor ter viabilidade econômica, é preciso aceitar esses novos desafios”, comentou em entrevista exclusiva ao Bom Dia.

Um dos aspectos apontados por Fruscalso como desafios, diz respeito à qualidade do leite e às novas normativas do Ministério da Agricultura. “Todo produtor que por três meses seguidos produzir um leite com mais de 300 mil bactérias por ml, não poderá ter o leite recolhido. Estamos acompanhando um trabalho das cooperativas, fazendo um trabalho em parceria, e em muitas da região, os números apontam que está acima de 1 milhão. Temos que reduzir para 30% desse valor”, pontuou.

O segundo desafio, de acordo com o engenheiro agrônomo, é a escala de produção. “Não é mais possível viabilizar economicamente propriedades com a produção na faixa de 1 mil, dois mil litros/ mês. O custo de coleta, logística, de caminhão, é muito alto. O produtor precisa se decidir e dar um salto na produção, de 2 mil para no mínimo, seis, oito mil litros/mês”, enfatizou.

Para tanto, Fruscalso ressalta que é preciso investir, tanto em infraestrutura, pastagens, adubação, talvez em um sistema confinado, e, principalmente, em conhecimento e gerenciamento da propriedade.

Preço do leite

Fruscalso frisou que o preço do leite no Brasil não é baixo, comparado com outras realidades. Atualmente, na região, está na faixa de R$ 1 a R$ 1,70, dependendo da quantidade e da qualidade do leite.

“O preço que o Brasil remunera é acima da média dos países que produzem leite no mundo, tais como os Estados Unidos, Nova Zelândia, a própria Europa, a Argentina, o Uruguai. O nosso problema é a escala de produção – é produzido pouco por propriedade e não é investido no leite, muitas vezes é considerada uma atividade secundária”, questionou, citando ainda, que geralmente a soja, a suinocultura, a fruticultura e a olericultura, por exemplo, vem antes na escala prioritária. “É um momento de escolha, de tornar o leite uma prioridade e uma atividade profissional”, alertou.

Segundo o engenheiro agrônomo, no evento foi possível conferir orientações e novidades sobre tecnologias adaptadas a cada situação. “Algo que me perguntam muito: ‘se investir em confinamento, free stall, compost barn, não há chances de o produtor rural falir?’ Sim, há esse risco. Qualquer negócio tem esse risco. Não é o sistema que define o sucesso do produtor, mas a qualidade do sistema, a qual depende do gerenciamento”, enfatizou.

IN 76 e 77

A primeira palestra do evento foi realizada pelo secretário executivo do Sindicato da Indústria de Laticínios do Rio Grande do Sul (Sindilat), Darlan Palharini. Durante a explanação, apresentou alguns números sobre o mercado leiteiro e citou algumas expectativas por parte do Ministério da Agricultura, entre as quais está: atingir até 2025 a meta de 200 litros por habitante. Atualmente esse número gira em torno de 173 litros. Nesse sentido, a produção nacional, hoje, é de 35 bilhões e a ideia é chegar a 42, 45 bilhões.

Conforme Palharini, o volume de produção na propriedade é fundamental para a manutenção de renda e até para que o produtor possa fazer investimentos. “Em um comparativo com outros países do Mercosul, abrangendo agricultores familiares, o Brasil registra uma produção anual de 33 milhões, a Argentina cerca de 10 milhões e o Uruguai, 2 milhões. O frete representa de 0,03 a 0,05 centavos/ litro. Nesse contexto, é importante que a cadeia produtiva, indústrias e produtores, juntamente com o governo, consiga-se otimizar o transporte de leite”, destacou, ponderando a importância da implantação da IN 76 e 77, que, segundo ele, vem ao encontro de criar um padrão mínimo do leite brasileiro, de norte a sul.

A IN 76 trata das características e da qualidade do produto na indústria. Na IN 77, são definidos critérios para obtenção de leite de qualidade e seguro ao consumidor e que englobam desde a organização da propriedade, suas instalações e equipamentos, até a formação e capacitação dos responsáveis pelas tarefas cotidianas, o controle sistemático de mastites, da brucelose e da tuberculose.

A programação

As atividades do Seminário prosseguiram durante todo o dia.

 

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