A família de Jaime Rosset, que mora na Linha Rio Verde no interior de Erechim trabalha com agroindústria desde 2013. Produz vários tipos de queijos, leite em saquinho, ricota, manteiga, coalho. “O carro-chefe é o queijo colonial”, diz. Segundo Jaime, a agroindústria surgiu com a produção de leite em 2013, a família não estava muito contente em trabalhar com aviário de corte, e daí veio a ideia de trocar de ramo, industrializar o leite e vender direto o produto industrializado.
“Tínhamos experiência de família em produzir queijo, a prefeitura oportunizou espaço na feira para nós, conversamos com Emater e Secretaria de Agricultura antes de investir”, conta.
Jaime comenta que comercializa a maior parte dos produtos na feira central, em torno de mil quilos de queijo por mês. “O que produz vende, não estamos conseguindo deixar curar o queijo porque tem bastante procura. Estamos vendendo também para merenda escolar, leite pasteurizado em saquinho”, afirma.
O agricultor explica que realiza todas as etapas de produção, desde a produção da matéria-prima para alimentação dos animais, criação das vacas de leite, tirar leite, industrialização e venda. “Toda essa cadeia de atividade é realizada basicamente por duas pessoas, eu e minha esposa, a minha filha estuda na cidade e ajuda quando pode”, diz.
O casal tem 16 vacas sendo ordenhadas, 20 vacas no total, e toda produção de leite vai para a agroindústria. “A agroindústria tem despesa, mas sempre vai sobrar mais do que vender leite in natura”, diz.
Dificuldade
A principal dificuldade é encontrar mão de obra para trabalhar no interior, já que o casal tem muitas atividades para poucas pessoas. Ele conta que precisaria de mais uma pessoa no trabalho diário, mas é difícil encontrar quem queira trabalhar nessa atividade. “Temos que se virar em duas pessoas e aí não é fácil”, diz. E, acrescenta, “o serviço começa de madrugada e vai noite adentro”.
O casal, ou pelo menos um deles, trabalha três dias por semana na comercialização dos produtos, sábado faz duas feiras, segunda, quarta e quinta-feira industrializa. O casal também faz feiras nas escolas. A capacidade de industrialização do leite é de mil litros por vez, o que resulta em 100 quilos de queijo.
Conforme Jaime, teria condições de ampliar a produção da agroindústria, se não fosse a falta mão de obra, porque os produtos têm procura. “É um negócio viável, é uma coisa boa, só que teria que ter mais pessoas para trabalhar”, diz.
Ele explica que poderia acrescentar mais 10 vacas de leite ao rebanho atual já que tem estrutura para isso. “A agroindústria está ociosa, parada quando estamos comercializando os produtos”, comenta.
Jaime enfatiza que a família vive da renda da agroindústria e consegue viver com esses recursos. “Esse trabalho é para quem tem coragem, muita vontade, não pode ter preguiça, se nós não conseguir produzir na segunda, quarta e quinta, temos que produzir no domingo”, conta.
“Nos domingos envasamos leite para merenda escola, já que tem que entregar o leite às 6h30 da manhã na cooperativa. Eles querem o leite antes das sete horas para fazer distribuição na segunda-feira”, diz.
O produtor afirma que a sua vida toda se dedica a agricultura, à produção de alimentos, e para colocar a agroindústria em funcionamento o investimento foi grande e parte dele financiado. “Não temos como parar”, diz.
Jaime afirma que tiveram dificuldades, no início, para vender os produtos já que era uma marca nova, situação que durou quase dois anos. “Agora, faz uns três anos que a agroindústria engrenou e o que produz vende”, afirma.