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O crescimento da fruticultura na Capital da Amizade

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Os mais de 1700 citricultores são produtores rurais e cerca de 60% da produção vai para a indústria
Por Kaliandra Alves Dias
Foto Kaliandra Alves Dias

A citricultura é um dos cultivos que está crescendo em área e produtividade na região Alto Uruguai. Atualmente, 3200 hectares são voltados ao plantio de frutas como a laranja e a bergamota.  

De acordo com o engenheiro agrônomo, Luiz Angelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/RS-Ascar, a região tem muitos projetos de incentivos à cadeia da citricultura e há uma tendência de ampliação. Poletto afirma que no ano passado foram plantados 340 hectares de novas áreas, e, nesse ano, mais 380 hectares em toda a região.

Os mais de 1700 citricultores são produtores rurais e cerca de 60% da produção vai para a indústria de suco. Entre os investidores da atividade está a família Bertochi, que há mais de 25 anos cultiva um pomar com diversas variedades de laranja (valência, umbigo, do céu) e bergamota (montenegrina e caí).

As variedades no pomar também são comercializadas em feiras que são realizadas em Erechim. Segundo o responsável pela parte de gestão, Fabrício Bertochi, os consumidores estão mais conscientes da importância do consumo de alimentos não industrializados. “A fruticultura está ganhando espaço devido a sua importância nutricional e também ao sabor”. Outro ponto destacado por Fabrício é que agricultura familiar está ligada diretamente a um incentivo para que os pequenos produtores continuem investindo no meio rural, suprindo assim, uma demanda do mercado alimentício”, finaliza Fabrício.

Além da citricultura

Uva, pêssego, morango, caqui e figo são algumas das frutas que são cultivadas na região. Além disso, Poletto também destaca que a área envolvendo o cultivo de nogueiras-pecã também vem se destacando com 10 hectares em áreas novas.

Na propriedade de seu Delmir Dariva, a tradição de cultivos em pomares iniciou com o pai. Atualmente, além das ameixas e maçãs, o agricultor também cultiva pêssego, poncã, uva, melancia, batata doce e feijão. As variedades também são vendidas em uma feira que acontece três vezes por semana, nas proximidades do KM 10 - Dourado.

Há mais de 15 anos participando das feiras, Dariva destaca as dificuldades que enfrentou no início. “Antigamente não tinha muito comércio como é hoje. As feiras melhoraram e têm mais variedades. Os clientes gostam bastante, trabalhamos com amor e carinho”.

Dariva se orgulha da sua história e também relembra do momento que pensou em sair do interior e ir à cidade. “A Emater me incentivou a ficar e disse para não sair daqui. Vejo a agricultura familiar como um elo de incentivo para que os filhos permaneçam na agricultura dando continuidade ao nosso trabalho”.

 

Particularidades em uma mesma região

O Vale do Rio Dourado e do Rio Uruguai compõe a região. Mas o que poucos tem conhecimento é as peculiaridades que distingue as duas áreas de plantio. Segundo Poletto, a área do Vale do Rio Uruguai é propícia para a produção de frutas cítricas – já que o clima é favorável a este tipo de cultivo. “O Vale do Rio Uruguai possuí 3 mil hectares somente de citrus, começando por Marcelino Ramos até Erval Grande. Enquanto que no Vale do Rio Dourado, as folhas ficam mais frágeis, o que faz com que elas caiam”, explica.

Além disso, Poletto destaca que a topografia plana da região é favorável à fruticultura. “Daqui a 30 anos, vamos ser um polo frutífero. Outros tipos de frutas já estão sendo testados e estão dando resultado”.

 

O crescimento

Em municípios como Mariano Moro e Viadutos casos isolados de novas áreas de plantio são registradas. Em Erechim houve uma redução de áreas de plantio. De acordo com Polleto, quase 70 hectares de uva foram derrubados entre 2014 a 2017. “Atualmente a nossa região importa uva de outras regiões. A não ser a citricultura, quase 60% das outras frutas são importadas. A uva ela está sendo direcionada a municípios como São Valentim, Charrua e Floriano Peixoto, os quais estão aumentando as áreas”.

A procura pelas frutas em feiras

A procura pelos produtos orgânicos tem aumentado nos últimos anos. E além dos supermercados, quem mora na área urbana pode encontrar uma diversidade de frutas nas feiras que são realizadas na ‘Capital da Amizade’.

No Parque Longines Malinowski, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural é a responsável por uma das feiras. De acordo com o responsável, Tobias Biazi, a feira iniciou em novembro de 2016, e nove produtores comercializam no local.

De acordo com Biazi, a fonte principal de alguns produtores vem através da feira. “É uma das formas de comércio importante. Cada feira tem clientes específicos. Eles preferem determinados produtos e produtores. O objetivo é atender a população local”, destaca.

Eloir de Paula de 57 anos, é um dos produtores que expõe na feira. Além das verduras, ele também cultiva tomate, batata, goiaba, laranja, jabuticaba, limão (cravo e taiti), entre outras frutas. Além disso, o produtor comercializa seus produtos em padarias e supermercados. A produção iniciou após o agricultor adquirir uma chácara. “No começo foi difícil arrumar comercialização. Depois, começamos a trabalhar com a Prefeitura por meio da Emater. Vendo em padaria, restaurante, mercados”.

Ao contrário de muitos jovens que querem sair das atividades agrícolas, o jovem Joel Bansera, de 26 anos, quer dar continuidade ao negócio da família. Na propriedade rural localizada no interior de Erechim, a família realiza o plantio de mandioca, batata, moranga, feijão, além de diversas variedades de frutas. Nos fins de semana, Joel também vende em uma feira realizada pela Emater. “Temos clientes fiéis que compram conosco há mais de 10 anos. Por meio da agricultura familiar garantimos o sustento. Em uma pequena área podemos agregar bastante valor com o que cultivamos”.

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