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Rural

Infraestrutura e conhecimento na base dos investimentos

O assistente técnico regional da Emater e engenheiro agrônomo, Me. Vilmar Fruscalso, destaca que o ramo leiteiro é atualmente a principal atividade econômica e social da região Alto Uruguai

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Engenheiro agrônomo, Me. Vilmar Fruscalso
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Diante de uma cenário de expressivas transformações no setor leiteiro, o assistente técnico regional da Emater e engenheiro agrônomo, Me. Vilmar Fruscalso, destaca que o ramo leiteiro é atualmente a principal atividade econômica e social da região Alto Uruguai. Ao todo são cerca de cinco mil produtores. “As mudanças acontecem constantemente, mas no setor o processo se acelerou. Diante disso, para o produtor ter viabilidade econômica, é preciso aceitar esses novos desafios”, comenta em entrevista ao Bom Dia.

Entre os aspectos positivos da cadeia estão os solos, que são produtivos e tornam mais fácil a tarefa de produzir alimentos para os animais. “Há uma parte do setor interessada em investir, e a partir disso estão entrando os confinamentos, isso é interessante, fortifica a atividade, possibilita qualidade de vida às pessoas, aumenta a escala de produção que hoje é um dos principais desafios também”, pontua. Entre os pontos que devem ser levados em conta estão os investimentos na busca por tecnologia e inovação. O trabalho de assistência técnica e das cooperativas é outro aspecto que merece destaque.

Melhorias

As melhorias, segundo Vilmar, devem ser pensadas a médio prazo. Um dos aspectos apontados como desafios, diz respeito à qualidade do leite e às novas normativas do Ministério da Agricultura. “Todo produtor que por três meses seguidos produzir um leite com mais de 300 mil bactérias por ml, não poderá ter o leite recolhido. Estamos acompanhando um trabalho das cooperativas, fazendo um trabalho em parceria, e em muitas da região, os números apontam que está acima de 1 milhão. Temos que reduzir para 30% desse valor”, explica.

Conforme o engenheiro agrônomo, pela primeira vez uma normativa colocou detalhadamente quais são as obrigações do agricultor – parâmetros mínimos - para atingir níveis de qualidade que o mercado exige e a indústria precisa. Para tanto, foi estipulado um prazo e esse tempo vai possibilitar que os produtores se adaptem às novas regras. “No Brasil há muitos problemas a serem resolvidos nas propriedades, tais como um melhor planejamento forrageiro, em que os animais poderão garantir uma alimentação adequada, independente do período do ano”, orienta.

O aspecto que diz respeito à escala de produção, é outro grande desafio. “Não se trata do tamanho da propriedade, mas é uma questão de eficiência ou não, pois o custo de logística está se tornando cada vez mais alto. Agora, o produtor que trata a atividade leiteira de maneira profissional, que realiza investimentos – tanto na parte de equipamentos como conhecimento -, não está mais disposto a arcar com a ineficiência de alguns”, comenta.

Nesse sentido, algumas cooperativas estão mudando a postura em determinadas situações, em uma espécie de “estratégia”. “Há casos em que está sendo cobrado um frete extra para quem produzir menos de 2 mil litros por mês”, acrescenta.

O terceiro ponto, diz Vilmar, seria melhorar e modernizar as instalações. “Deve haver esse investimento em infraestrutura, organização de salas de ordenha adequadas, que facilite a higienização, possibilite conforto, fatores que interferem em todo o processo. Para tanto existem programas  de financiamento”.

Outro desafio essencial é a produção de matrizes. “Esse quesito na região é muito complicado, muitas vezes não há investimento em instalações para bezerras, em muitos casos estão “jogadas””, alerta. Por outro lado, enfatiza Vilmar, há propriedades com um trabalho excelente.

Por último, e também fundamental, está a gestão, anotar, analisar e tomar decisões baseadas nos números. “Passamos da era das vacas ‘com nomes’ e entramos na era da vaca com chip. Hoje em dia há coleiras eletrônicas que controlam o comportamento leiteiro da vaca. A ordenha robotizada já é viável a partir de 70 animais. É uma tecnologia que veio para a agricultura familiar”, reforça, comentando que esse é mais um motivo para participar de capacitações, entender melhor as exigências no mundo de hoje. A atividade leiteira deve ser considerada como uma prioridade.

 

O jovem na atividade

Na opinião de Vilmar, há muitos jovens que estão decididos em atuar no setor, desde que haja um bom relacionamento familiar, compreensão dos pais que esse público não está disposto a passar por situações que outras gerações enfrentaram, entre elas, o excessivo desgaste no trabalho. “Por isso, pensam e acreditam que é necessário ter o mínimo de tecnologias, que vem para viabilizar economicamente a atividade. Se os pais aceitam esse posicionamento dos jovens, compartilham as decisões e permitem que eles administrem parte da renda, é possível ter muito êxito na atividade”, opina.

Vilmar alerta que é imprescindível que a equipe técnica sempre fale a verdade aos produtores e não diga coisas como “os pequenos produtores são desvalorizados, perseguidos, que há uma tendência empresarial”. “Acho que é importante observarmos as questões citadas anteriormente. Preço, por exemplo é importante, mas é fundamental que cada produtor se preocupe em organizar a atividade, manter a autoresponsabilidade”, cita, informando que a Emater está disposta a orientar, são 33 escritórios municipais, um regional, para auxiliar no que for preciso. “Basta força de vontade, querer se profissionalizar”.

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