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Rural

Mais de quatro décadas de dedicação ao ramo leiteiro

Alan Tormen junto aos pais e a um casal de colaboradores, atua no ramo leiteiro e acredita no setor

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Alan Tormen
Por Izabel Seehaber
Foto Izabel Seehaber

Alan Tormen tem 27 anos e junto aos pais e a um casal de colaboradores, atua no ramo leiteiro e mais, acredita no setor. Mesmo diante dos desafios do cotidiano, eles persistem, investem e afirmam que não deixariam de atuar na atividade que tanto gostam.

Na propriedade, há mais de 40 anos a produção de leite é a atividade que move o trabalho diário das famílias. Isso porque Alan e a esposa atuam junto aos pais e a um casal contratado para auxiliar nas atividades desde que houve a ampliação do trabalho.

Um exemplo claro e otimista de sucessão familiar.

E eles não medem esforços para o êxito das ações. Os resultados vêm sendo observados ao longo dos anos, tanto que, desde 2008 o leite se tornou a principal atividade da fazenda.

“Quando assumi a frente dos trabalhos, optei por prosseguir na atividade principalmente em razão da minha aptidão para esse trabalho, formação técnica em Agropecuária e depois veio a possibilidade de ter um alto rendimento líquido por hectare. Em outras atividades, tais como lavoura, é difícil de registrar tal rentabilidade. Não representava o mesmo percentual de lucro”, relata Alan.

A propriedade atualmente conta com 62 animais em lactação, produzindo em torno de 2.150 litros de leite por dia. A propriedade conta com uma área de 26 hectares para a produção de comida – silagem de milho, trigo, secada de azevem. A parte concentrada da dieta, milho, farelo de soja e casca de soja é comprada e a ração também é produzida na fazenda.

Atualmente são realizadas três ordenhas diárias e o trabalho é intenso, não para. É 24 horas. Aos fins de semana é feito revezamento e uma escala de folga para melhor organização de todos.

A maior parte dos investimentos, conta o produtor, foi feita a partir de 2011, quando sentiu-se a real necessidade de aumentar a produtividade para comportar a indispensabilidade de renda da família. “Tivemos uma visão que o negócio seria rentável. Apesar de passarmos por altos e baixos de preços, é algo que vale a pena. Naquele ano foi construído o primeiro galpão para alojar as vacas, sendo que já havia sido organizada uma sala de ordenha em 2008. Também foi investido em mecanização para a alimentação, limpeza do galpão, mais tarde surgiu a fábrica de ração, sala de ordenha nova, novo vagão de tratamento das vagas e outros investimentos”, pontua.

Desde que Alan começou a atuar de maneira mais forte no setor, foi investido um valor que ultrapassa R$ 6 milhões. “É um projeto a longo prazo, não há como investir nessa atividade e já esperar o lucro. No caso ainda estamos na fase de implementação do projeto e a tendência é que, em até dois anos, a fazenda tenha 105 animais em lactação nessa mesma área de terra. Assim atingiremos a plena viabilidade econômica. O ideal é que possamos utilizar todos os recursos disponíveis na propriedade da maneira mais eficiente, quem sabe podendo obter próximo a 45 ou 50 mil litros de hectare ano”, explica.

A qualidade do leite é uma preocupação constante, principalmente no que diz respeito a inibidores, tais como os antibióticos, por exemplo. “Toda vaca que é medicada, o leite não é vendido, é um regra padrão. Temos uma atenção redobrada quanto a Contagem de Células Somáticas (CCS), tanto que temos um laboratório de microbiologia na propriedade para fazer o controle leiteiro individual, além dos tradicionais exigidos pela Associação”, salienta o jovem. A entrega do leite é feita para a Italac.

Para Alan, além de todos esses cuidados, é imprescindível conhecimento técnico para evoluir, investimento em tecnologias – as quais, ele reforça que vão muito além da Internet, mas no que diz respeito a biotecnologia – híbrido de milho, investimento em melhoramento genético dos animais para serem mais produtivas, pois isso tudo está interligado e faz a diferença no resultado final.

Novos e modernos investimentos

Com o propósito de ampliar e inovar em estratégias que possibilitem mais lucratividade no trabalho, a família já pensando em outras atividades a partir da produção de leite para agregar valor à prática. Na propriedade o pensamento já está voltado a futuros investimentos e dessa vez será na bioenergia, a partir da biodigestão dos dejetos, inclusive fertilizantes e biogás. “Partindo do princípio que poderá haver economia de energia, pois hoje o gasto é bem expressivo. Se conseguirmos gera-la aqui será interessante. Inicialmente é um custo mas depois se torna investimento e na sequência proporciona lucros”.

 

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