Os agricultores do Alto Uruguai já estão comprando os insumos para as lavouras de verão 2019/2020, tanto para soja como milho. As instituições financeiras e produtores também estão fazendo projetos de custeio agrícola e buscando recursos para investimentos em equipamentos agrícolas.
Segundo o engenheiro agrônomo da Emater de Erechim, Adriano Szynkaruk, a previsão de área para o plantio de soja em Erechim é de 9700 hectares, mantendo os mesmos números que a safra passada; o milho tem uma estimativa de 1320 hectares para grão e 800 hectares para silagem.
A safra 2019/2020 vai ter aumento dos custos de produção, diz Adriano, o hectare da lavoura da soja que vai variar entre R$ 1900 a R$ 2400, dependendo da tecnologia empregada pelo agricultor. Esse valor pode oscilar, dependendo da cotação do dólar, já que a moeda estrangeira é referência para estabelecer o preço dos insumos no país. Ele acrescenta que o custo de produção por hectare do milho deve girar entre R$ 2400 e R$ 3000, tendo em vista também a tecnologia empregada pelo produtor.
Produção versus custos
O engenheiro agrônomo comenta que o preço do milho está em torno de R$ 31 a saca, tendo isso como base e o maior valor do custo por hectare (R$ 3000), o produtor precisará colher pelo menos 97 sacos de milho para pagar o valor investido por hectare, sendo que a média de produtividade em Erechim e região fica em torno de 150 sacos por hectare.
Com relação a soja, que está com preço de R$ 68,50 a saca, tendo como referência também o maior valor por hectare (R$ 2400), o agricultor terá que colher 35 sacos por hectare para pagar o custo da lavoura, sendo que a produtividade média de Erechim fica em torno de 60 sacos por hectare.
Conforme Adriano, o custo dos insumos vem subindo nos últimos anos, normalmente os valores sobem e, depois de aumentar dificilmente diminuem. “A margem do produtor está cada vez ficando menor”, diz.
Além disso, o preço da soja vem caindo nos últimos três anos, o produtor chegou a vender o grão na casa dos R$ 90 há três anos, na safra seguinte caiu para a faixa de R$ 80, chegando na atualidade ao patamar de R$ 68, uma diferença de quase 25%.
Monitorar a cultura
Nesse panorama de elevação de custos e diminuição da lucratividade o produtor tem que investir em tecnologia, diz Adriano. O agricultor tem que monitorar cada vez mais a lavoura para reduzir a aplicação, principalmente, de fungicida e inseticida e também herbicida. “Aprimorar o monitoramento de pragas e doenças para aplicar os produtos somente se necessário e na hora certa. O produtor tem que ficar de olho na lavoura”, afirma.
Segundo Adriano, adubo e fungicida estão entre os maiores custos da lavoura, sendo que o fungicida é fundamental para combater a ferrugem asiática, um dos maiores problemas da cultura.
Antecipar a compra
Ele explica que é importante comprar os insumos com antecedência para garantir a compra e conseguir bons preços. Em Erechim o zoneamento agrícola do plantio da soja inicia em 21 de setembro e vai até 31 dezembro; o plantio do milho vai de 21 agosto a 20 de janeiro.
Sindicato Rural de Erechim
Segundo o presidente do Sindicato Rural de Erechim, João Picolli, os insumos para as lavouras de verão aumentaram um pouco o preço. “A questão principal é que a soja, em vez de subir, está com o preço estagnado e tendência de baixa”, diz.
Picolli lembra que há três anos o produtor chegou a vender a saca da soja por volta de R$ 90, em alguns casos até um pouco mais que esse valor, no ano passado conseguiu vender a R$ 80, e neste ano diminuiu ainda mais, ficando em torno de R$ 68.
Nessa lógica, explica Picolli, o produtor teria que colher 70 sacas por hectare e receber R$ 70 a saca, mas é difícil fechar a produção da lavoura com essa média, que na região gira em torno de 55 a 60 sacos por hectare. “O que temos que fazer agora é aumentar a produtividade e diminuir os custos onde der, e alguma coisa sempre dá para reduzir, para aí compensar o preço”, afirma.
Conforme ele, o produtor vai ter que se profissionalizar na atividade, fazer cursos, trocar experiências, aplicar as novas tecnologias, melhorar o sistema de produção para se manter na atividade, uma série de ações que não envolvem necessariamente investimentos, como usar melhor o maquinário e cuidar para não desperdiçar os defensivos agrícolas. Ele acrescenta que, ao investir, o produtor precisa ter cuidar para não gastar demais e depois não conseguir pagar essa conta.
Produtores
Segundo o gerente comercial, Eudes Biavatti, da loja agropecuária da cooperativa Alfa em Erechim, que já tem 11 filiais no Alto Uruguai, já iniciou a procura e compra por insumos para as lavouras de verão. “O produtor este ano está escalonando as compras em função do dólar e da situação do mercado dos insumos e grãos”, diz.
Conforme o gerente, a safra 2019 – 2020, tanto do milho como da soja, está em andamento, e ele espera que o produtor não diminua os investimentos em função dos preços ruins do momento. “Quando o produtor for colher o preço pode estar melhor, e aí ele vai se perguntar porque não investiu mais para colher mais”, diz.
Ele acrescenta que é necessário manter o nível de investimento para manter uma produção crescente dos grãos. E para isso, a cooperativa busca sempre instruir tecnicamente o produtor para que ele alcance uma boa produtividade nas lavouras de milho e soja, assim como em qualquer cultura.
Eudes afirma que os custos variaram em relação ao ano passado, alguns itens se mantiveram iguais, mas outros aumentaram um pouco. “O custo de produção está um pouco maior, nesta safra, e o preço do grão menor”, diz.
O produtor tem que antecipar a comprar dos insumos e quanto mais esperar, de agora em diante, as empresas podem ter dificuldades para entregar os insumos, já que se tem envolvida toda uma questão de produção e logística. “Quem comprou já está com os insumos em casa, quem está comprando vai chegar, e quem esperar para última hora pode atrasar o plantio e ter falta de mercadoria”, diz.