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Economia

Gás de Cozinha: Nova política de preços não muda nada na realidade, dizem revendedores

A Petrobras aprovou ontem (5) a revisão de sua política de preços do gás de cozinha (GLP), comercializado em botijões de até 13 kg. A mudança inclui também botijões de menor capacidade como, por exemplo, de 5 kg e 8 kg. Com a nova política de preços do gás de cozinha e GLP, os reajustes passam a ser realizados sem periodicidade definida, de acordo com as condições de mercado e da análise dos ambientes interno e externo. Conforme a Petrobras, os valores praticados pela companhia terão como referência o preço de paridade de importação (PPI), acrescido dos custos do frete marítimo, despesas internas de transporte e uma margem para remuneração dos riscos inerentes à operação. Mas afinal, qual o reflexo dessas alterações no preço final ao consumidor? Quase nada

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O custo do botijão de 13kg para a revenda é R$ 70, afirma Carlinhos. Hoje, a Petrobrás vende um boti
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

A Petrobras aprovou ontem (5) a revisão de sua política de preços do gás de cozinha (GLP), comercializado em botijões de até 13 kg. A mudança inclui também botijões de menor capacidade como, por exemplo, de 5 kg e 8 kg. Com a nova política de preços do gás de cozinha e GLP, os reajustes passam a ser realizados sem periodicidade definida, de acordo com as condições de mercado e da análise dos ambientes interno e externo. Conforme a Petrobras, os valores praticados pela companhia terão como referência o preço de paridade de importação (PPI), acrescido dos custos do frete marítimo, despesas internas de transporte e uma margem para remuneração dos riscos inerentes à operação. Mas afinal, qual o reflexo dessas alterações no preço final ao consumidor? Quase nada.

Revendedores de gás

Segundo o revendedor de gás de cozinha, José Carlos Moura, que atua há 39 anos nesse mercado e é proprietário de revenda há 25 anos, hoje o botijão de 13 kg na revenda custa R$ 80 e entregue em casa R$ 85. “Da maneira que está, com a estrutura que aí está, não vai mudar os preços para o consumidor final, essa proposta não muda muita coisa”, diz.

Ele explica que quem define o preço é o produtor e importador de gás, no caso a Petrobras, e também as seis engarrafadoras do produto no Brasil, são essas empresas que balizam o processo de preço do gás. “Nós, revendas, estamos engessados”, afirma.

Moura ressalta que a Petrobras, hoje, vende o gás de cozinha para as engarrafadoras mais caro que o preço internacional e, além disso, as engarrafadoras, praticamente, não tem concorrência entre elas. “Em outros países existem vários engarrafadores, por exemplo, na Argentina, tem mais de 100, nos EUA passam de 2200, e no México são em torno de 1800 engarrafadores”, comenta.

O revendedor ressalta que o mercado brasileiro de gás é muito fechado. “Somos o quinto maior consumidor de gás de cozinha do mundo e estamos na mão de seis engarrafadoras. É um mercado extremamente restrito, a gente está vendo que estão tentando mexer, mas a política internacional não conta muito, porque há pouco tempo se vendia a R$ 11 o botijão do gás na Petrobras para as engarrafadoras, hoje está em torno de R$ 25”, afirma.  

Segundo Moura, outro grande problema relacionado ao preço do gás são os impostos que incidem sobre esse produto. “Que em determinado momento chega entre 71% a 73% do valor do gás, isso sim pesa na composição do preço”, afirma.  

Hoje, em torno de 60% do gás de cozinha consumido no Rio Grande do Sul é importado da Argentina, Angola e outros países. 

Ele comenta que a Petrobrás abaixou R$ 2 no preço do gás de cozinha para as engarrafadoras, mas não para a revenda. “O consumidor vem para cima do revendedor achando que nós estamos aumentando o lucro, mas quem está ficando com esta diferença é a engarrafadora, e não a revenda. Para as engarrafadoras são milhões de reais porque hoje são engarrafados em média, por cada empresa, 19 milhões de toneladas de gás por mês no Brasil”, diz.   

Em meio a essa situação, afirma Moura, o consumidor paga a mais e a revenda fica com o prejuízo e, ainda, mal com o cliente. “Com a estrutura que aí está o preço do gás de cozinha não vai mudar muita coisa. A Petrobras quer dar lucro para seus acionistas, muita gente privada que tem títulos da empresa. O que está em jogo hoje é se a Petrobrás é uma empresa para dar lucro aos acionistas ou para favorecer a população. Essa é a grande briga do momento”, destaca.

Sem reajuste  

Para o revendedor de gás de cozinha, Carlos Alberto Dall’Agnol (Carlinhos), que trabalha há 26 anos no setor, essa nova política de preços do gás de cozinha não vai ter reflexos para o consumidor final. “Na minha percepção, do jeito que está, não vai mudar para o consumidor, na prática não muda”, diz.

Carlinhos afirma que de seis meses para cá o gás de cozinha aumentou 19% e as revendas não conseguiram reajustar os preços. “Nós não conseguimos repassar um real ao consumidor final, não conseguimos nem repassar o nosso custo”, afirma.

Segundo ele, só vai ter reflexo ao consumidor o dia em que as engarrafadoras “não pensarem somente neles”. Carlinhos explica que o custo do botijão de 13kg para a revenda é R$ 70, sendo que, hoje, a Petrobrás vende um botijão de 13 kg a R$ 24,06 para a engarrafadora.

“A Petrobrás e as engarrafadoras não perdem, e as revendedoras não conseguem repassar os valores. Ninguém trabalha de graça, se comprar uma pizza hoje eles vão cobrar R$10 de frete e o gás é a mesma coisa”, comenta. E acrescenta, “a carga tributária é muito grande e as companhias só pensam nelas e estão com o lucro maior”.

Além de todas essas questões, Carlinhos aponta ainda outro grande problema, agora local, os revendedores clandestinos de gás, que não sofrem nenhuma fiscalização. “De 10 botijões vendidos dentro da cidade quatro ou cinco pagam impostos, o restante não”, afirma.

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