O 1º Fórum de Turismo do Norte do Estado do Rio Grande do Sul será realizado no dia 29 desse mês, no Centro Cultural 25 de Julho, e tem como objetivo unir regiões para consolidar o turismo. Na ocasião de lançamento, representantes regionais do turismo do setor público e privado destacaram a necessidade de fazer divulgação, integração regional, criar motivos para as pessoas visitarem a região, vender as potencialidades, buscar excelência no atendimento aos visitantes, cadastrar os roteiros turísticos na Secretaria de Turismo do Estado e no Ministério do Turismo, entre outras colocações. Importante lembrar que muita coisa já foi realizada e pode ser resgatada para auxiliar a consolidação do turismo regional.
A coordenadora do Fórum Regional de Turismo Termas e Lagos, Maria Vanda Krepinski Groch, afirma que a iniciativa do evento é positiva e construtiva, mas também é importante ressaltar que a região tem muitos roteiros turísticos, e que já estão recebendo turistas regularmente.
Vanda lembra que, desde 1997, no 1º Encontro Histórico Cultural da Região realizado com todos os municípios da AMAU em Marcelino Ramos, “nasceram muitas ideias e sementes foram plantadas”. E, acrescenta “os interlocutores dos municípios, desde então, trabalharam unidos pelo turismo regional, hoje oferecendo treze roteiros turísticos locais. Isto é fruto do trabalho e da dedicação de muitas pessoas - tanto no público quanto no privado, mais a receptividade da comunidade”.
Por isso, destaca Vanda, se faz necessário conhecer o que já foi feito em âmbito das regiões norte e nordeste na divulgação e estruturação do setor. Uma grande quantidade de material que pode ser atualizado, digitalizado e novamente servir ao desenvolvimento do turismo.
Ela cita o exemplo do folder que traz os roteiros Verdes Vales, Nossas Raízes, Rural e Termas e Pedras e Águas, o material mostra o mapa regional dos roteiros nos municípios, o que cada turista vai encontrar em cada lugar, a distância e em quantos dias irá demorar para fazer todo o passeio, assim como telefones para informações turísticas em cada município.
Outro exemplo, é um detalhado calendário regional de eventos da região norte e nordeste, envolvendo 42 municípios, com fotos de pontos turísticos, mapas, e o mais importante, a data, o evento e em qual município ele ocorre ao longo do ano, separados por mês.
“As leis da hospitalidade”, comenta Vanda, é outra iniciativa, um panfleto de duas páginas feito para colaborar com o aperfeiçoamento do atendimento ao turista, a profissionalização do setor. Que diz: 1) Trate bem o turista. Sempre; 2) Oriente o turista; 3) Incentive o turista conhecer outras atrações; 4) Dê informações claras e corretas para o turista; 5) Faça o possível para entender o que o turista fala; 6) Respeite o turista assim como você gosta de ser respeitado; 7) Lembre-se da importância econômica do turista; 8) Seja amigo do turista; 9) Cative o turista através da hospitalidade; e, 10) Fale com orgulho da sal terra e da sua gente.,
O que é turismo
Para responder a essa questão, Vanda cita Alexandre Panosso Netto, escritor e pesquisador sobre o assunto, para o autor há três visões distintas, que se complementam. A primeira é a visão leiga em que define o turismo como “descanso, conhecimento de novos lugares e pessoas, boa comida e bebida, férias”. A segunda visão é empresarial e define o turismo como oportunidade de ter renda e lucros financeiros, gerar empregos, buscar investimentos, conjunto de bens e serviços oferecidos aos viajantes elaboração de produtos turísticos, geração de riqueza. E, por fim, a visão acadêmica-científica está relacionada a inclusão social, produção de conhecimento e implantação de políticas públicas.
Conforme Vanda, uma das dificuldades, ainda hoje, é conseguir empresas, agências de turismo, interessadas em vender os roteiros turísticos regionais. Outro desafio é a própria região reconhecer o que já tem, produtos, e ser ela mesma a difusora desse turismo regional. “Precisamos falar bem uns dos outros”, afirma. Ela acrescenta que é importante também o roteiro ter um guia de turismo e que esse profissional esteja preparado e pesquise sempre de onde são as pessoas.
Segundo Vanda, os roteiros e panfletos são fruto de muito trabalho, já existe “um caminho andado”, que pode ser reaproveitado em prol do turismo regional. E para resgatar o que já foi feito é preciso dialogar com as pessoas envolvidas nos roteiros, setor público, privado e a comunidade. “É preciso dar vida novamente ao que já existia”, diz.
“É necessário consumir o que se oferece e ter alguém que venda o turismo. Tudo tem que funcionar encadeado e a tarefa é de todos. O que está errado falar no ouvido, e o que está certo divulgar aos quatro ventos. O que está bom divulgue, e aquilo que não está fale para quem pode mudar”, afirma.