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Cultura

Barco feito de palitos: Obra de uma vida

Palito por palito, um a um, há 25 anos o seu Alberto Tamburrino, de 83 anos, trabalha na obra de sua vida: a construção de um barco feito com palitos de fósforo. A reportagem do jornal e TV Bom Dia foi muito bem recebida na casa do escultor e criador do barco, numa conversa leve e agradável, repleta de histórias e muita experiência de vida, serenidade e bom humor. O barco em si já é um espetáculo à parte, que combinado com a disposição e vitalidade de seu Alberto fica ainda melhor

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Seu Alberto já utilizou milhares de palitos e neste ano pretende terminar o barco
“Não tem coisa mais linda do mundo, sendo um homem bom, um bom cidadão, é isso que vale”
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Ígor Dalla Rosa Müller

Palito por palito, um a um, há 25 anos o seu Alberto Tamburrino, de 83 anos, trabalha na obra de sua vida: a construção de um barco feito com palitos de fósforo.  A reportagem do jornal e TV Bom Dia foi muito bem recebida na casa do escultor, artesão e criador do barco, numa conversa leve e agradável, repleta de histórias e muita experiência de vida, serenidade e bom humor. O barco em si já é um espetáculo à parte, que combinado com a disposição e vitalidade de seu Alberto fica ainda melhor.

O seu Alberto veio para o Brasil da Itália com 16 anos, depois de passar pela Argentina e outras cidades do Rio Grande do Sul fixou residência em Erechim.

Retorno para Itália

Depois de vir para América, seu Alberto tentou voltar para a Itália, mas ao retornar se sentiu um estrangeiro na sua “própria terra”. “Não me adaptei e os amigos não estavam mais”, afirma. Ele lembra que viveu a guerra e a fome. “Quando cheguei em Buenos Aires saímos de uma miséria, trabalhava e ganhava quatro dólares por dia”, conta. E, acrescenta, “meu pai morreu na guerra, a fome existia em qualquer esquina da Itália”.

Quando teve a ideia de fazer o barco?

Primeiro, lembra seu Alberto, ele viu numa revista um cara fazer um castelo e isso o motivou. “Um dia estava um pouco nervoso e resolvi fazer imagens na árvore. Não sabia onde botar a energia, comecei a esculpir e fiz isso aqui”, mostra.   

Um tempo depois ele começou a brincar com os palitos. “Comecei em 1994, faz 25 anos que estou fazendo o barco, já usei milhares de palitos, coloco palito por palito com cola de madeira. Ainda estou trabalhando no barco, se não gostei de algum detalhe tiro e faço de novo e aí vai da imaginação”, observa.  

Ele comenta que o barco é feito em partes, o interior pode ser desmontado, e tanto o interior como o exterior do barco são repletos de detalhes, e tudo feito pelo seu Alberto. “Eu imagino terminar até o fim desse ano. Queimo os palitos antes de usar, para não ter problema de pegar fogo”, diz.  

O Brasil acolheu bem o senhor?

“O homem que faz o que é melhor, encontrar a felicidade, amizade, isso que é a vida, conhecer pessoas de bem. A própria pessoa que faz o que é melhor, não existe um lugar melhor, a gente é que faz esse lugar melhor”, diz.

“Vivo a vida”

Seu Alberto afirma que até hoje não parou e não quer parar. “Até que Deus me chamar vou estar no mundo, tenho um casal de filhos e uma família, tenho um lugar para morar, não me queixo, não dá para se queixar”, observa.  A vida para ele é uma passagem, uma transição. 

Passou por muita coisa

O artesão comenta que hoje as pessoas acham muitas dificuldades na vida, no entanto, é preciso ter uma postura mais ativa frente às dificuldades. “Eu saía vender e ouvia que não dava porque estávamos em crise, tem que levantar de manhã e buscar o teu pão”, afirma.

Seu Alberto enfatiza que valeu o esforço para chegar até aqui. “Não tem coisa mais linda do mundo, sendo um homem bom, um bom cidadão, é isso que vale”, afirma.  

É uma cena realmente impressionante ver o seu Alberto trabalhar no barco, minuciosamente, no salão de festas na parte térrea nos fundos de casa. “Aqui embaixo estou bem, não incomodo ninguém, conversamos, eu e os palitos”, brinca. E pergunta para o repórter se já conversou sozinho alguma vez e logo responde: “tenta, vai ver que é bom, ninguém te contraria”, diz. Pergunto se ele imagina fazer outro barco, ele responde que não. “Essa é obra de uma vida”, diz. Seu Alberto conta que montar o barco é um divertimento, e além disso gosta de ouvir música e cantar em italiano ou espanhol. “Estou sempre de bom humor”, diz.

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