O inverno está sendo seco no Alto Uruguai e agosto fecha o terceiro mês consecutivo do ano somado a junho e julho com chuvas abaixo da média na região. Essa situação já começa a preocupar e pode ter reflexos negativos na agricultura.
Segundo o observador meteorológico da Embrapa de Passo Fundo, Ivegdonei Sampaio, tem previsão de chuva para este sábado (31) que pode se estender um pouco até o domingo. “Mas não tem como afirmar se será uma chuva bem distribuída e com quantidade significativa”, diz.
Sampaio ressalta que o mês de agosto está terminando com chuvas bem abaixo da média que é de 188 milímetros. “Setembro é o mês do ano que mais chove no Rio Grande do Sul, e o segundo é o mês de agosto, principalmente, na região norte do Estado”, comenta.
Se confirmar a chuva no fim de semana, explica Sampaio, as temperaturas devem cair na segunda-feira podendo chegar a mínima de 5 graus. “Ou seja, teremos uma grande amplitude térmica, a temperatura pode sair de 30 graus no fim de semana para 5 graus na segunda-feira”, diz.
Prejuízos
Segundo o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, a falta de chuva poderá prejudicar o desenvolvimento das lavouras de trigo no Alto Uruguai, que tem área semeada de 28.735 hectares. A expectativa inicial de produtividade é de 3.300 kg/ha. As culturas de cevada, com 9 mil hectares; e, aveia com 7.400 hectares, também podem ser prejudicadas pela falta de umidade do solo.
Fruticultura
O clima com dias de frio intenso está sendo favorável à fruticultura, no cultivo de morango, pêssego e uva. No momento, os produtores estão realizando tratos culturais como poda dos parreirais. Na área de citros, ainda há algumas variedades de laranja para serem colhidas, diz o Informativo. E, acrescenta, “o preço da laranja está baixo”.
Segundo o produtor de laranja de Marcelino Ramos, Cleovane Mazzuti, as condições atuais do clima, seco, são boas para a floração e não está prejudicando o pomar. Contudo, o clima frio e seco atrasou um pouco a floração uns 30 dias, o que vai se refletir na colheita do ano que vem, já que 38 semanas depois da florada começa a colheita.
O instrutor de Citricultura do Cetre de Erechim, Ivonir Antônio Biesek, que também atua na Emater de Erval Grande, afirma que a situação da florada dos cítricos, bergamota, laranja, limoeiro, está no início e em condições normais, e com isso se gera a expectativa de uma boa produção para a próxima safra.
Ele comenta que os produtores estão realizando o início dos tratamentos fúngicos na florada, principalmente visando prevenção ou erradicação de doenças na flor, como a estrelinha, e, também, realizando os tratamentos via adubação ou foliar.
Biesek acrescenta que o tempo seco para a citricultura, especialmente na fase de floração é positivo, porque dificulta o aparecimento de doenças fúngicas, ajudando o produtor no manejo fitossanitário das doenças de flor. “Essa é a situação da citricultura em âmbito regional”, afirma.
Milho
Os produtores da região se preparam para o plantio das culturas de verão com ações de dessecação das áreas de plantio, de acordo com informativo do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Erechim.
A expectativa inicial de plantio para a safra 2019/2020 com as lavouras de milho é de 42.320 hectares. Em alguns municípios como Aratiba, Mariano Moro e nas encostas do Rio Uruguai o plantio já foi iniciado. Já para as lavouras milho destinado para silagem, a expectativa de cultivo é de 15.615 hectares.
Soja
Em relação as lavouras de soja, a perspectiva de plantio é de 233 mil hectares, com redução 0,10% em relação a área cultivada na safra passada segundo levantamento da Emater/RS-Ascar. A área de cultivo com feijão, 1ª safra, também deve ter uma redução de 2% em relação à safra anterior.
Bovinocultura de leite
Apesar das baixas precipitações pluviométricas, o azevém apresenta alta oferta de forragem. O aumento na produção e a baixa no consumo estão puxando o preço do leite para baixo. O preço do leite variou entre 0,80 e 1,50 R$/L, média de 1,20 R$/L. Preço em queda no mês.