No mês de setembro são promovidas várias campanhas relacionadas à área da saúde, as quais fazem menção às cores: amarelo, verde e também dourado. Cada uma representa um alerta específico a algum tipo de doença ou problema.
Neste mês, um projeto de lei 358/2019, de autoria do deputado estadual Tenente-Coronel Zucco (PSL) que institui o ‘Setembro Dourado’ foi aprovado por unanimidade pelo plenário da Assembleia Legislativa. A iniciativa objetiva dedicar o mês à conscientização sobre o câncer infanto-juvenil. A cor simboliza que o dourado representa que esses pacientes “valem ouro”.
O câncer acomete anualmente cerca de 13 mil crianças e é a segunda causa de morte, atrás das causas externas.
O médico oncologista, Pablo Santiago, explica que o câncer infantojuvenil é uma doença negligenciada. “Por mais que seja atualmente a principal causa de mortalidade por doença em crianças abaixo dos 14 anos, não tem a devida atenção, apesar de ser uma doença extremamente curável quando diagnosticada precocemente”.
Segundo Santiago, estabelecer um período de conscientização é uma forma a mais de criar a cultura de pensar na possibilidade de câncer frente a sintomas compatíveis. “Assim é possível obter níveis de atendimento e resultados semelhantes a países onde essa prática já está melhor estabelecida”.
O especialista pontua que os principais tipos de câncer que acometem as crianças e adolescentes são: leucemias, tumores do sistema nervoso central, tumores do sistema nervoso simpático (neuroblastoma), linfomas e tumores de células germinativas. A predominância é variável de acordo com a faixa etária.
Faixa etária e as condições que devem ser consideradas
De acordo com o médico, neoplasias de crianças pequenas geralmente estão compostas em um grupo de neoplasias embrionárias (com a terminologia “blastoma”). Como exemplo está o retinoblastoma, nefroblastoma, neuroblastoma e leucemia linfoblástica, todas muito mais frequentes em indivíduos abaixo de cinco anos. “Na medida em que observamos a faixa pré-puberal e adolescentes, aumentam os casos de neoplasias relacionadas à exposição ambiental e ao desenvolvimento de alguns tecidos específicos nessa fase da vida. Então, aumenta a prevalência de linfomas Hodgkin e não-Hodgkin, tumores gonadais e de células germinativas e tumores ósseos”, cita.
Sinais de alerta para pais e responsáveis
Sintomas persistentes sempre devem servir de alerta, assim como aqueles acompanhados de significativa perda de peso. “Então, uma febre que dure mais de uma semana, suores noturnos que exijam a troca de roupas ou roupa de cama e perda de peso, são sintomas gerais de alerta. Outros sintomas mais específicos, tais como massa em algum ponto do corpo, caroços, dor progressiva, vômitos matinais ou a palidez do centro do olho são situações que não podem ser vistas como parte simplesmente de problemas de saúde corriqueiros. Muitas vezes, podem ser câncer”, alerta.
Nesse sentido, Santiago comenta que o problema do câncer infantojuvenil é que, mesmo sendo uma doença bastante curável em outras partes do mundo, No Brasil, dependendo da região, os índices são muito baixos. “Isso tem a ver com a estrutura de tratamento certamente, porém, não nos basta ter centros qualificados se as crianças chegam com doenças extremamente avançadas. Em outras palavras, parte do resultado na luta contra o câncer infantojuvenil está na velocidade com que o paciente é atendido em um centro especialista”, destaca.
Tratamentos
Quanto às opções de tratamento e as evoluções nesse campo, o especialista relata que, atualmente, é possível entender melhor como tratar os pacientes e intensificar ou não as modalidades de terapia. Segundo ele, as medidas de proteção contra os efeitos colaterais também melhoraram. “Em auxílio à quimioterapia e à cirurgia, novas formas de delimitar o tratamento de radioterapia foram implantadas e medicações-alvo surgiram. Tudo isso, aliado ao conhecimento de que a biologia tumoral é distinta e influenciada por fatores genéticos da própria doença, o que nos permite ser mais efetivos e com menos efeitos adversos”, acrescenta, reforçando que, além disso, um melhor entendimento multidisciplinar faz com que a reabilitação das crianças curadas, recoloque-as na sociedade com mais naturalidade.
Quando questionado sobre o que considera fundamental (tanto de pesquisa, como incentivo de políticas públicas – no caso do SUS), para que haja uma eficiência ainda maior nos tratamentos e, por consequência, uma melhor qualidade de vida dos pacientes, Santiago ressalta os seguintes aspectos:
* Esclarecer a população e as equipes de saúde sobre o diagnóstico precoce da doença;
* Estimular programas de diagnóstico das principais síndromes relacionadas ao câncer infantojuvenil, bem como programas de monitorização de pacientes afetados por essas síndromes (neurofibromatose, Síndrome de Down, síndrome de Li-Fraumeni);
* Permitir acesso rápido dos casos suspeitos e investir em equipes multidisciplinares superespecializadas no assunto para fazer o manejo dos casos estabelecidos;
* Garantir o acesso a medicamentos de última geração, modalidades mais elaboradas, tais como o transplante de medula óssea, quando for o caso, e investir em infraestrutura de medicina intensiva.
“Tudo isso, em conjunto, fará com que índices de 80-90% de cura sejam cada vez mais próximos de nossa realidade”, enfatiza.