As condições climáticas, com pouca quantidade de chuva, têm contribuído para o desenvolvimento do trigo na região. A Emater divulgou na quinta-feira (26), um Informativo Conjuntural em que a área estimada nesta safra para o cultivo do cereal é de 739,4 mil hectares.
O Alto Uruguai tem em torno de 50% das lavouras em fase de desenvolvimento vegetativo, 40% na fase de floração e 10% na etapa de enchimento do grão.
O engenheiro agrônomo e professor do curso de Agronomia da URI de Erechim, Antonio Sergio do Amaral, que possui Mestrado e Doutorado na área de Ciência do Solo, e atua como coordenador da área de Ciências Agrárias da URI, destaca que, no geral as lavouras estão em boa fase de desenvolvimento. “Estão sendo utilizados os tratamentos e feito o controle das lavouras e a preocupação principal está sendo o oídio – uma das doenças mais frequentes causadas por fungos que prejudicam a produtividade e a qualidade dos produtos agrícolas”.
Entre os destaques de produção está o município de Sertão, com 4 mil hectares, Cruzaltense com 2 mil hectares e Ipiranga do Sul com 1,8 mil hectares. “O rendimento no ano passado foi considerado bom, e registrou 3,6 toneladas/ hectare – quantidade que superou a média do Estado que foi de 2,5 toneladas/ hectare”, recorda Antonio.
Conforme o engenheiro agrônomo, Alcacio Binotto, o cenário indica uma boa safra em termos de produtividade. Contudo, ele pede que o produtor fique atento nesta reta final para a ferrugem, pulgões e lagartas (do trigo e spodopteras). “Como a maioria das lavouras está entrando na última aplicação, é aconselhável o uso de produtos com efeito em ferrugem, sem relaxar em manchas”, diz.
Preparativos para a soja
Principal cultura das lavouras gaúchas, a soja deve começar a tomar conta do Rio Grande do Sul no início do mês de outubro. Os agricultores estão se mostrando otimistas com a próxima safra, e algumas decisões tomadas no pré-plantio são essenciais para garantir boas produtividades.
Manejo do solo
O manejo do solo, visando altas produtividades, é extremamente importante. Uma das questões que merece destaque e sempre é frisada aos produtores, é a rotação de culturas. O professor da URI salienta que muitos produtores preferem não cultivar trigo ou cevada no inverno e acabam deixando as lavouras em pousio – mantida sem lavoura ou sem semeadura por período de tempo. Desse modo, segundo ele, não é possível ter resultado em termos de qualidade ou quantidade de palha, se comparado à mesma área com trigo, por exemplo. “Por isso, é importante que o produtor faça a análise do solo com as análises químicas em laboratório para verificar várias questões, entre elas, o cálculo da adubação, entre outros. Na URI é realizado o atendimento com um novo laboratório e com toda a infraestrutura necessária. Tudo é feito com bastante qualidade e rapidez. Os produtores interessados, podem deixar as amostras na unidade que, em até seis dias, haverá um retorno com os laudos”, comenta.
A questão física (se refere à compactação do solo) e é outro fator a ser observado. A compactação é a redução drástica da macroporosidade do solo. “Quando este se compacta, a estrutura se deforma e diminui os poros, especialmente os macroporos que tem funções muito importantes, tais como a infiltração de água. Quando o solo se compacta, o principal impacto é a redução drástica da macroporosidade e qualidade do solo”, pontua Antônio.
Ele esclarece ainda, que, com isso pode ocorrer uma série de problemas, pois haverá pouca água da chuva infiltrando, irá sobrar na superfície do solo e poderá formar enxurrada, ocasionando a erosão do solo. Outro problema será o impedimento físico para o desenvolvimento das raízes. “Por isso é fundamental preservar a estrutura do solo. Com a rotação de cultura é possível diversificar espécies, raízes, explorando volumes diferentes no solo e maior quantidade de palhada, de resíduos na superfície do solo. Então, são vários benefícios, inclusive na questão de plantas daninhas”, destaca.
Cuidados que merecem atenção redobrada
Um dos principais aspectos é a inoculação, no caso da soja. O processo, cuja principal função é facilitar a absorção de nitrogênio do ar, é considerada uma tecnologia barata, relativamente fácil de se fazer e, conforme o professor da URI, muitos produtores não tem o hábito de providenciar. “O que nem todos lembram é que se o procedimento for bem feito, não haverá necessidade de aplicação de adubação nitrogenada (química) na soja. Por isso, os produtores devem conversar com os profissionais que realizam o suporte técnico para orientar sobre esse procedimento da inoculação”, cita.
Outras medidas
A análise química é outra ação primordial. “É importante fazer em duas camadas com amostragem de 0 a 10 e 10 a 20, seguindo a recomendação oficial por parte da Comissão que faz parte da Sociedade Brasileira de Ciência do Solo”, explica.
A partir dessa etapa podem ser realizados os próximos controles e dosagens de adubos.
Outra medida importante é encaixar entre as safras, alguma cultura de cobertura, tais como centeio, aveia, ervilhaca, nabo, milheto, entre outros. “Assim, o perfil do solo irá se moldar, conforme a adoção dessas plantas de cobertura”, frisa o professor, reforçando que, por isso, o produtor deve fazer um planejamento ao longo do ano, pensando quais as culturas irá utilizar em suas áreas.
Impedimento físico é outra questão enfrentada no Alto Uruguai, principalmente em razão de o solo ser muito argiloso e, por isso, se compacta muito facilmente. “Há pesquisas na URI neste âmbito e os resultados estão sendo muito promissores”, assinala.
Após tais cuidados essenciais, vale destacar que as ações devem ser muito bem planejadas junto ao produtor. “Visando sempre a sustentabilidade do sistema, a continuidade no negócio, quer dizer, produzindo com qualidade, garantindo ganhos e respeitando o meio ambiente e a preservação do solo. Por isso, é fundamental utilizar o conhecimento e agir com bom censo”, alerta.