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Cultura

É preciso investir mais em cultura e oferecer à comunidade

Rei das Rodas volta a se apresentar em Erechim são quatro espetáculos estreando o Fantasma da Ópera

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Rei das Rodas se apresenta nos dias 18, 19, 20 outubro
“Vamos integrar os grupos e oferecer cultura à população, fazer um show por mês e assim por diante,
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Rei das Rodas e Ígor Dalla Rosa Müller

O grupo artístico de patinadores Rei das Rodas volta a se apresentar em Erechim estreando o espetáculo O Fantasma da Ópera. As quatro apresentações serão nos dias 18, 19 e 20 deste mês, as 20h, no Salão de Eventos da URI Erechim. No dia 19 terá uma apresentação extra as 15h. A apresentação dura em torno de 1h45 min. O grupo é formado por 130 patinadores.  

Segundo o diretor técnico do Rei das Rodas, Adelmo Ronsoni, o grupo de patinação foi fundado em setembro de 1966, mas começou como Associação Atlética Cruzada, um grupo de jovens do colégio Medianeira em 1963, que se formou para ir à igreja e jogar futebol domingo à tarde.  

Ele lembra que a partir de 1966 se incluiu o grupo de patinação e os primeiros patins foram trazidos por Mauro Sponchiado, nas férias daquele mesmo ano. “Meia-dúzia de patins, daí o grupo começou a praticar. Em 1966 eu cheguei do interior para estudar. Em 1968, consegui morar no colégio Medianeira, trabalhar pela comida e o estudo”, conta.

Adelmo comenta que em 1969 começou a participar da patinação. “O fundador da patinação, hoje falecido, foi o irmão Marista, Antônio Pascoal Bastos. Em 1970 eu assumi a patinação e em 2020 fará 50 anos que estou à frente do grupo”, diz.

O diretor técnico afirma que a medida que foi passando tempo as coisas foram fluindo e o grupo teve contato com a Sociedade Esportiva Palmeiras de São Paulo, chamados Periquitos em Revista, que eram tidos como os melhores sobre rodas da América do Sul. “Em 1976 conseguimos trazer eles para cá, fizemos três shows no ginásio de esportes do Colégio Medianeira e a partir daí a patinação explodiu em Erechim”, observa. Nesse período, o Rei das rodas fez muitas apresentações por intermédio dos grupos, entidades locais e colégios. “Uma imensidão de coisas”, disse.  

Hoje, explica Adelmo, o cenário é completamente outro e as apresentações foram diminuindo, já não são tão frequentes. “As prefeituras estão quase todas com dificuldades, o que dificulta muito para fazer shows”, diz.

Neste ano o Rei das Rodas já fez um show em Estação, vai fazer as quatro apresentações em Erechim e vai encerrar o ano com uma apresentação em Itatiba do Sul no mês de dezembro, por meio da prefeitura.

Há 30 anos o grupo deixou de treinar no Colégio Medianeira e foi para URI Erechim, na ocasião, por intermédio do falecido João Dautartas. “Estamos há 30 anos na URI recebendo apoio e levando o nome da instituição onde vamos. Somos uma associação sem fins lucrativos, todos que participam do grupo são voluntários”, ressalta. E, acrescenta, o grupo se mantém com as aulas e shows, e está financeiramente organizado.

Indumentária

Ele conta que as roupas utilizadas nos números são as mais diferentes homenageando circo, folclore gaúcho, italiano, francês, russo, chinês, mexicano, se apresentando com uma diversidade de expressões culturais.

Formação

Segundo Adelmo, os patinadores que se apresentam no Rei das Rodas são formados pelo grupo, que tem a própria escolinha. “Dou aula para 70 alunos com patins, os iniciantes são todos comigo, ensino muito com disciplina, sem ela não tem como trabalhar”, diz.

Para manter esse tipo de arte, explica Adelmo, é necessário muito comprometimento, frequência e regularidade. Uma das dificuldades é que as crianças hoje têm muita recreação e, além disso, vivem “penduradas” em um celular. O início do aprendizado se dá a partir dos seis anos. “O que mais precisa na patinação é não ter medo, que causa uma dificuldade muito grande no aprendizado, porque o aluno não se arrisca. Uma criança, dependendo de cada pessoa, pode em 30 dias sair patinando”, conta.

Conforme ele, outra questão é o bullying, achar meninos para patinar. “Começo com 10 e termino com nenhum, agora tenho dois. Antigamente não tinha isso”, comenta.

Futuro

Há 50 anos Adelmo se dedica à patinação num trabalho voluntário, assim como todos que participam do grupo. “O problema hoje é achar líderes, não se encontram mais pessoas que se disponham a fazer isso, que se doem para alguma atividade”, afirma.

Conforme ele, o trabalho vai muito além dos ensaios no dia, envolve toda organização das apresentações, manutenção das fantasias, patins, equipamentos, isto é, requer dedicação diária. “É muito trabalho e correria. Qual é o futuro? Esses grupos vão deixar de existir”, sentencia.

Projeto cultural

O diretor técnico do Rei das Rodas comenta que é preciso investir em cultura, fazer um pacote cultural que contemple todos os grupos artísticos de Erechim como a patinação, escola de Belas Artes, Jupem, Grupo Gilé, entre outros e se apresentar nos bairros, asilos, Apae, creches e escolas da cidade ao longo do ano.

“Erechim tem vários ginásios de esportes poderíamos fazer shows no Bairro Progresso, Atlântico, Agrícola. Mas o grupo não pode sair de graça porque tem custos para se apresentar, precisa receber o mínimo possível”, afirma.

Segundo Adelmo, um calendário com shows no município seria bom para os artistas e a comunidade. “Fui atrás para fazer isso na prefeitura e até hoje não me deram resposta. A maior dificuldade hoje é fazer shows, temos um grupo treinado e não tem aonde se apresentar”, comenta.  

Isso seria um incentivo à cultura de Erechim para que os grupos culturais não acabem. “Vamos integrar os grupos e oferecer cultura à população, fazer um show por mês e assim por diante, quanta coisa bonita teríamos para apresentar”, diz. E, acrescenta, “com tantos gastos públicos será que não tem R$ 50 mil para o ano inteiro aos grupos culturais do município, para fortalece-los e levar cultura a comunidade”.  

Adelmo lembra que o Rei das Rodas fez um show num município da região e sobrou R$ 5 mil, o valor foi doado ao Hospital Santa Terezinha para reforma de quartos.

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