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Economia

Mercado de games é coisa séria – e lucrativa!

Faturamento do setor atingiu 1,5 bilhão de dólares no ano passado apenas no Brasil. Em Erechim, empresário do ramo revela o que faz para se manter relevante para o público

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Games
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Por Salus Loch

Graças à capacidade de se reinventar, atraindo pessoas de (quase) todas as idades e de ambos os sexos, o mercado de games alcançou 1,5 bilhão de dólares de faturamento no Brasil, em 2018; número que deve seguir avançando – gerando oportunidades para jogadores e, claro, para quem trabalha na área.

Conforme a 19ª Pesquisa Global de Entretenimento e Mídia, da PwC, o segmento crescerá mais de 5% até 2022 no Brasil – que já é o atual líder latino-americano e ocupa a 13a classificação global. Apenas com jogos de celulares, segundo a PwC, o faturamento subirá de 324 milhões de dólares, em 2017, para 878 milhões de dólares em 2022.

A PwC analisou em seu estudo 15 segmentos do setor de entretenimento e mídia em 53 países e indicou que a receita global deve chegar a 2,4 trilhões de dólares em 2022 contra 1,9 trilhão de dólares registrados em 2017. De acordo com a PwC, publicidade digital e games são os segmentos que mais crescerão – com expansão média anual prevista de 12% e 15%, respectivamente.

 

Impacto local

Com mais de uma década de atuação no segmento em Erechim, o empresário Jones Santin – que abriu a Joe Games justamente por não encontrar o que queria no município e região –, observa que a mudança é a constante do setor, demandando acompanhamento atento das tendências e lançamentos. ‘O nível de informações do consumidor é muito grande e precisamos estar à frente para trazer tudo o que o meio cria de novidades’, observa ele, que completa: ‘embora o perfil de consumo continue semelhante, as exigências e a forma de consumir mudam ano após anos’.

 

Perfil

Conforme Jones Santin, o público masculino – de todas as idades – é predominante, embora também haja movimento feminino. ‘Os (homens) mais velhos conseguem acessar jogos que estavam distantes deles na infância, geralmente, por que faltava de dinheiro. Atualmente, o game deixou de ser um ‘luxo’ e faz parte do dia a dia de adultos e, especialmente, da maioria das crianças’, observa.

 

Digital e futuro

O crescimento do setor, no entanto, se dá mais no meio digital do que nas lojas, pontua Jones Santin. ‘O grande reflexo financeiro é percebido no consumo de games digitais, tanto nos consoles como nos aparelhos mobile. Ao lojista, é vital entender isso e buscar novos caminhos e produtos’, destaca.

Para ele, os jogos físicos estão entrando em um ‘processo de extinção’, como ocorreu com os filmes e cds de música. ‘O crescimento vai acontecer para quem está ligado às novas tendências; a mesmice leva ao comodismo e, em consequência, ao fracasso’, finaliza.

 

Cresce número de desenvolvedores de jogos digitais

Segundo o relatório de pesquisa do 2º Censo da Indústria Brasileira de Jogos Digitais, financiada por meio de acordo de cooperação técnica firmado entre o ministério da Cultura, a Agência Brasileira de Cooperação e a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), foram identificadas, no Brasil, no início do ano passado, 375 desenvolvedoras de jogos digitais – uma expansão de 182% em relação ao primeiro censo, elaborado em 2014.

Desse total, 276 eram empresas formalizadas, o que mostra um crescimento de 107% no mesmo período, além de 99 informalizadas. O levantamento foi divulgado em 2018.

O relatório confirma Rio e São Paulo como centros desenvolvedores de games (42,4% do total), com o Sudeste detendo a maior quantidade de empresas de jogos digitais (52,9%). O estudo evidencia ainda que, em relação ao primeiro censo, aumentou de 23,3% em 2014 para 27,9% em 2018 o número de empresas estabelecidas fora das capitais.

 

Panorama

Segundo a Associação Brasileira das Empresas Desenvolvedoras de Jogos Digitais (Abragames), em matéria produzida pelo G1, o Brasil está atrás de líderes de mercado como Estados Unidos, Japão, Canadá, França e Reino Unido. “Ainda assim, estamos entre as indústrias emergentes com maior potencial”, disse a entidade.

Apesar dos baixos resultados da economia nacional no momento, a indústria de jogos eletrônicos vive um boom histórico. Dados da Pesquisa de Inovação Tecnológica (Pintec), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostram que o número de desenvolvedoras de programas de computador no país cresceu, em média, 9,07% ao ano entre 2007 e 2014.

O crescimento do número de empresas brasileiras desenvolvedoras de jogos digitais nos últimos quatro anos foi cerca de 4,5 vezes a média de crescimento das desenvolvedoras de software, por exemplo.

Outro indicador desse crescimento é o número de jogos desenvolvidos no biênio 2016/2017. Segundo a Abragames, foram 754 produções em 2016 contra 946 em 2017 – um crescimento de 28%. Se considerados apenas os jogos de entretenimento (excluindo jogos sérios e educativos), o crescimento é de 50% de um ano para o outro.

 

Escola de games

Na esteira do sucesso do setor, o Brasil ganhou a primeira escola estúdio de jogos digitais da América Latina, diz o G1. A unidade funciona na Tijuca, zona norte do Rio de Janeiro. Além de ensinar sobre o desenvolvimento de games, a escola tem um estúdio profissional, onde os alunos criam projetos profissionalmente para o mercado, tanto na área de games, de modelagem 3D, como na área de projetos.

Até o momento, são 600 alunos matriculados, mas a capacidade é para 2 mil. Os estudantes são divididos em turmas de 30 pessoas e as aulas acontecem diariamente, das 8h às 22h.  Nessa unidade pioneira, os alunos aprendem desde a criação de um jogo de tabuleiro até a execução de jogos para novas tecnologias, como realidade virtual e realidade aumentada.

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