21°C
Erechim,RS
Previsão completa
0°C
Erechim,RS
Previsão completa

Publicidade

Economia

Combustíveis: Realidade que não se sustenta mais

Mercado inconstante, imprevisível, alta carga tributária, preços elevados, dificuldades que se acumulam e prejudicam consumidor e revendedor

teste
45% do preço final da gasolina é imposto
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Ao longo de 2019, o preço dos combustíveis oscilou muito, confundindo até o consumidor mais atento. Ninguém sabia o que iria ocorrer, e a qualquer momento os preços poderiam subir ou baixar. A gasolina, por exemplo, todo mês foi reajustada, tendo o valor do litro elevado ou diminuído, sistematicamente. Essa situação trouxe insegurança ao consumidor, que nunca sabia qual era o preço que ia encontrar nos postos, mas também aos revendedores, por ter que lidar com um mercado inconstante e cheio de incertezas. Hoje, o combustível não é um bom negócio para quem vende, e, muito menos para quem compra.

Posto de combustível

Segundo Carlos Antunes, sócio de um posto de combustíveis no centro do Erechim, há um ano e meio, ele e o sócio decidiram entrar nesse setor, porque viram uma oportunidade de negócio. Ao longo desse período, a margem de lucro reduziu, o que mudou toda a projeção do que foi planejado. “A gente está fazendo, hoje, um esforço muito maior do que se esperava lá trás, quando o negócio foi projetado”, disse

Preço

Ele explica que o preço dos combustíveis é influenciado por muitos fatores, e a maior parte deles, o comerciante não tem previsibilidade. “Por exemplo, a política interna e externa, tudo isso a gente não tem como prever, e aí não posso te dizer se o preço amanhã vai subir ou baixar. Esse ano o preço dos combustíveis oscilou bastante”, comenta.

Carlos observa que nas últimas duas semanas houve dois aumentos consideráveis, por causa da alta do dólar, que chegou a R$ 4,27. “Além disso, a Petrobrás repassou 4% de aumento, e estamos no período de entressafra do etanol, que eleva o custo e ajuda a compor o preço da gasolina”, explica.

R$ 1,90 x R$ 4,80

Ele comenta que a gasolina sai da Petrobras com um preço médio de R$ 1,90, dando lucro para a empresa, mas chega ao consumidor de Erechim por até R$ 4,80. E, isso se dá em função dos impostos.

“A metade do valor do combustível é imposto, sem essa carga teríamos um combustível mais acessível”, explica. E, acrescenta, “o governo em dificuldades financeiras nunca vai abrir mão dos impostos sobre os combustíveis, porque é fácil de tirar da população”.

Ele ressalta que para vender combustível é preciso fazer um alto investimento para girar, e o negócio tem um risco enorme.

Repasses

O empresário afirma que muitas vezes o posto de combustível absorve o aumento do preço para não causar confusão ao consumidor. Carlos lembra que os preços, ao longo do ano, foram reajustados pelo menos duas vezes por mês, tanto para mais como para menos, chegando a mudar mais de 20 vezes. “Oscilou muito, o que não é bom para o consumidor, e nem para o revendedor, porque a gente não sabe se faz estoque, se trabalha num limite baixo, é um mercado bem complexo e subjetivo, o preço do combustível não tem 15 dias de previsão”, ressalta.

Consumidor

Segundo Carlos, a dica como consumidor, é abastecer o veículo no caminho de casa, do trabalho. “Porque deslocamento nenhum compensa a variação de preço que tem de um posto para o outro. Importante ter bom atendimento e confiança no posto”, disse.  

Taxistas

O presidente do Sindicato dos Condutores Autônomos de Táxi, Luiz João Chiaradia, afirma que o preço do combustível tira a capacidade de lucratividade do setor. “O preço da gasolina está impactando muito os taxistas, a meu ver, teria que diminuir esse valor”, comenta.

Isso porque, explica Luiz, o combustível representa uma parcela significativa dos custos dos taxistas. “Entre pneu e combustível estamos empatando, trabalhando porque temos conta para pagar e não tem o que fazer. O combustível afeta diretamente o nosso trabalho. Está tudo parado”, disse.

Transportes rodoviários

Segundo Claudiocir Samuel do Nascimento, presidente interino do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários do Alto Uruguai, a situação dos caminhoneiros está muito complicada. “Está muito difícil trabalhar com transportes hoje em dia, todo mês tem aumento de combustível, mas o frete não aumenta. Está difícil para o caminhoneiro”, ressalta.  

Ele afirma que o valor do combustível hoje não permite que o caminhoneiro tenha lucro, e está inviabilizando a atividade, já que o diesel é um dos principais gastos do frete. “O maior empecilho do transporte é o preço do combustível”, afirma.

Conforme Claudiocir, essa realidade é geral, não somente no Rio Grande do Sul, mas no Brasil, porque o diesel varia centavos. “Já se fala em greve em alguns estados do país, como no Rio Grande do Sul, Paraná e São Paulo. Não tem nada certo, mas tem muito caminhoneiro dizendo que não aguenta mais”, disse.

E, acrescenta, “na metade do ano que vem em diante pode ser que tenha paralisação dos caminhoneiros se continuar do jeito que está, se não baixar o preço do combustível, não tem mais como o caminhoneiro andar. É combustível caro, pneu, estrada ruim, tudo, não tem mais lucro”, afirma.

Leia também

Publicidade

Blog dos Colunistas

;