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Economia

Tecnologias Digitais aumentam em 22% produtividade das empresas, aponta Senai

A erechinense Cavaletti é um dos destaques do setor no Norte do RS. Em entrevista, supervisor de engenharia da empresa, Jeferson A. Gevinski, revela processos em andamento e o que deve vir por aí

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Cavaletti S/A Cadeiras Profissionais é uma das referências estaduais no uso das novas tecnologias.
Por Salus Loch
Foto Divulgação

Um programa piloto realizado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), com 43 empresas de 24 estados, mostrou que as novas tecnologias digitais da Indústria 4.0 aumentam em cerca de 22% a produtividade de micro, pequenas e médias empresas. Denominado “Indústria Mais Avançada”, o projeto é o primeiro a testar o impacto na produção do uso de ferramentas de baixo custo como sensoriamento, computação em nuvem e internet das coisas (IoT).

 

Saiba mais

Indústria 4.0 é um termo recente que explica a aplicação das novas tecnologias nos principais processos industriais. Entre as características mais marcantes estão a automação de tarefas e o controle de dados e informações. O surgimento e utilização dessas ferramentas estão sendo classificados como a quarta revolução industrial, devido à possibilidade de um impacto mais profundo e por se caracterizar por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e biológico.

 

Cavaletti Digital

Em Erechim, uma das empresas que é referência no uso destas tecnologias é a Cavaletti S/A Cadeiras Profissionais. Em entrevista ao Grupo Bom Dia, o supervisor de Engenharia Jeferson A. Gevinski explica o funcionamento de alguns sistemas e revela processos em andamento. Confira:

Bom Dia - Entre as ferramentas de um futuro cada vez mais presente está a Impressão 3D. Como a Cavaletti utiliza essa tecnologia?

Jeferson - Utilizamos a manufatura aditiva de materiais poliméricos para a confecção de protótipos. Porém, estamos atentos para a possibilidade de imprimir peças metálicas ou produzir peças em escala utilizando a impressão 3D. 

Bom Dia - A inteligência artificial busca simular a capacidade humana de raciocinar, tomar decisões, resolver problemas, dotando softwares e robôs de capacidade de automatizar processos. Em que pé a AI está na empresa?

Jeferson - Os futuros projetos da Cavaletti estão intimamente ligados a inteligência artificial, blockchain e big data (grandes quantidades de dados). Por exemplo, atualmente utilizamos um software de projeto, que prediz os próximos comandos que o usuário utilizará, economizando cliques e movimentos desnecessários do mouse. Também possuímos um módulo de otimização topológica que, através de IA, gera automaticamente a geometria da peça, respeitando limites de massa e espaço e que atende aos critérios de resistência mecânica.

Bom Dia - Sobre internet das coisas, como vocês veem a possibilidade de que objetos físicos estejam conectados à internet, podendo executar de forma coordenada determinadas ações?

Jeferson - É um caminho sem volta. Alguns dos nossos equipamentos já estão conectados em rede permitindo o acesso a informações online e a programação dessas máquinas pelo escritório. Os dados gerados pelas máquinas ficam acessíveis para monitoramento e controle pela Engenharia de Processo. O objetivo é que essa rede “social” das máquinas interligue todos os nossos equipamentos em breve.

Bom Dia - Vocês trabalham com sistemas ciber-físicos também?

Jeferson - O projeto Cavaletti Digital tem como principal objetivo a digitalização de todos os produtos e processos da empresa nos próximos anos. Esse conceito de clone digital está sendo implementado para criar um modelo digital que reflete fielmente o modelo físico, seja do produto ou do processo de fabricação. Assim, podemos simular vários cenários, validar e escolher o ideal considerando os objetivos estratégicos da empresa.

Bom Dia - Qual é o impacto da automatização na empresa? Quantos robôs vocês já têm no chão de fábrica?

Jeferson - Possuímos atualmente oito robôs e temos a intenção de adquirir mais nos próximos anos. Os robôs colaborativos e os “dual-arm” (capazes de trabalhar próximos aos seres humanos sem a necessidade de um grande aparato de segurança), são alvos de investimentos futuros, o que deve ocorrer em breve, aliás. Além disso, a programação off-line de um dos robôs já é realidade, permitindo a simulação e otimização dos movimentos antes de produzir uma peça física sequer. Em nosso entendimento, a automação é um dos processos que possibilita que os seres humanos sejam valorizados: todo o esforço físico passa a ser substituído pelo trabalho de pensar os processos. Transferimos as tarefas a robôs, e investimos na qualificação para que as pessoas possam desempenhar funções novas e/ou complementares.

 

 

 

Detalhes sobre o programa do Senai

Segundo o Senai, os pilotos do programa “Indústria Mais Avançada” foram realizados entre maio de 2018 e outubro deste ano, em empresas dos segmentos de alimentos e bebidas, metalmecânica, moveleiro, vestuário e calçados. Foram instalados sensores para coletar dados, e as informações foram transmitidas para uma plataforma que acompanha em tempo real o desempenho da linha de produção, podendo ter maior controle dos indicadores do processo e antecipar-se a possíveis problemas. “As organizações que obtiveram maiores ganhos com as tecnologias digitais foram aquelas que utilizavam menos técnicas de gerenciamento da produção antes de participar do programa. A técnica nova, ao ser introduzida em uma empresa que utiliza poucos métodos de gestão, proporciona ganho maior em produtividade”, disse o gerente-executivo de Inovação e Tecnologia do Senai, Marcelo Prim.

De acordo com o Senai, a análise mostrou ainda que a percepção do ganho obtido com a tecnologia é muito afetada pelo porte da empresa. As médias e grandes empresas tendem a investir em tecnologias da Indústria 4.0 para dar continuidade aos esforços de aumento de produtividade. Os micro e pequenos empresários valorizam mais a agilidade permitida pelo sistema. “O sistema permite aprender com o processo produtivo, diminuindo o tempo de resposta, tornando-o mais ágil e previsível. Garantir que aquilo que o empresário planejou será entregue nos prazos que ele combinou com o mercado traz um nível de competitividade maior para a pequena empresa, e ela consegue se inserir mais facilmente nas cadeias de valor”, explicou Prim.

 

Como aderir à indústria 4.0

Entre as recomendações para aderir à indústria 4.0 estão enxugar processos, qualificar trabalhadores, empregar tecnologias disponíveis e de baixo custo, além de investimentos em pesquisa.

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