Representando apenas 30% da economia local, a indústria erechinense teve, em 2017, os piores índices de participação do segmento no Valor Adicionado Bruto (VAB) do município desde 2008, conforme dados do IBGE estratificados pelo Instituto SL/ISPO de Pesquisa. Tal desempenho fez com que o setor de serviços avançasse, no mesmo período, ao seu melhor patamar na década – representando 56,5% do VAB municipal. Por serviços entende-se desde infraestrutura até o comércio.
Outro segmento que cresceu foi o da administração pública, que registrou, em 2017, 11,8% do movimento total (também batendo recorde). A agropecuária, por sua vez, seguiu à margem, com 1,6%.
# A comparação com os tempos de vacas gordas da indústria ‘made in’ campo pequeno no VAB, entre 2011 e 2014 (ver tabela), mostra que a queda na participação do segmento também tem reflexos diretos na colocação dos erechinenses no mercado de trabalho. Em 2013, por exemplo, quando o setor industrial representava 38,8% da economia, 48.385 pessoas estavam ocupadas no município – os melhores indicadores dos últimos dez anos. Em 2017, a taxa de ocupação ficou na casa de 41.567, quase 7 mil pessoas a menos.
É preciso acordar
Isto posto – e em que pese se deva considerar o contexto econômico nacional – é imperioso que o município, a partir do poder executivo e das respectivas entidades de classe, atue de forma mais assertiva, inteligente e unida na busca por soluções que estimulem a retomada da atividade industrial (entendendo, ainda a era da Indústria 4.0), o que será capaz de promover inclusão e geração de renda, fazendo com que a ‘roda volte a girar’. É hora, pois, de ‘acordar’.
Saiba mais
# O Valor Adicionado Bruto (VAB) é o valor que cada setor da economia (agropecuária, indústria, serviços e administração pública) acresce ao total produzido em um país, estado, região ou município. O Produto Interno Bruto (PIB) é a soma dos VABs setoriais e dos impostos, e é a principal medida do tamanho total de uma economia.
# Para se ter uma ideia, voltando um pouco mais no tempo, a participação da indústria de Erechim, em 2017, foi apenas 3% melhor do que em 1999, quando o segmento representava 27% do VAB bota-amarela. À época, serviços e administração pública eram calculados de forma integrada – e somaram 69,1%; os 3,9% restantes competiam à agropecuária.
# Considerando o PIB total de Erechim de R$ 4,484 bilhões (soma dos VABs + impostos), o município representava, em 2017, a 16ª maior economia do RS – repetindo posição alcançada em 2016.
Você sabia?
Em 2017, o PIB per capita (‘por cabeça’) de Erechim foi de R$ 43.354,43, maior do que de Passo Fundo (R$ 43.183,62) e Chapecó (41.683.33).
# Em valores absolutos, contudo, nossos vizinhos levam a melhor. Enquanto Erechim tem uma riqueza acumulada de R$ 4,484 bilhões; Passo Fundo registra R$ 8,584 bi e Chapecó, R$ 8,890 bi. Os dados são do IBGE.