Com a chegada do fim de 2019, a estimativa do Valor Bruto da Produção Agropecuária (VBP) é de R$ 617 bilhões (com base nos dados de novembro). Os dados foram divulgados pelo Ministério da Agricultura nesta semana e sinalizam para um crescimento de 2,1% em relação ao valor obtido em 2018, que foi de R$ 604,5 bilhões. Com a nova estimativa, o valor deste ano se iguala ao VBP de 2017, o maior já registrado e considerado excepcional para a agropecuária do País.
Avaliação
O engenheiro agrônomo e Assistente Técnico Regional (ATR) da Emater, Vilmar Fruscalso, avalia que o cenário da pecuária no Alto Uruguai está muito favorável. Segundo ele, o setor no Brasil, especificamente na região Sul, vem passando por uma modernização acelerada nos últimos anos e isso vem se demonstrando tanto na suinocultura, como na avicultura e também na bovinocultura de leite.
“As perspectivas são excelentes. Um dos aspectos é que os asiáticos estão consumindo mais carne e a tendência é que as exportações só cresçam. O Brasil tem a maior área agrícola do mundo, o melhor clima para o setor agrícola, então, o mercado tende a aumentar muito. Há oportunidades mas é preciso investimento, eficiência, dedicação, trabalho, planejamento e gestão. Os produtores devem ser cada vez mais profissionais”, considera.
Avicultura
“Na avicultura, a regra hoje é aviário climatizado e os investimentos são na faixa de R$ 1 milhão. Em diversos municípios da região foram implantados inúmeros novos aviários. Atualmente, ou o produtor está disposto a fazer esse investimento, ou ele não estará mais integrado às compradoras de aves”, comenta, citando que cresceu muito o número de integrados e as empresas que abatem aves disponibilizaram novas vagas de trabalho, sendo que a taxa de abate também cresceu muito na região.
Suinocultura
Nesse setor, Fruscalso destaca que o caminho é a denominada parceria total: o produtor oferece suas instalações, a mão de obra e, em contrapartida, as empresas disponibilizam os animais e a alimentação. “Esse sistema vem crescendo muito. O módulo mínimo atualmente é para mil suínos confinados. Isso envolve um investimento de R$ 500 mil a R$ 600 mil, feito por pessoas que assumiram a atividade como principal”, afirma.
O engenheiro agrônomo explica que a produção está se concentrando, tendo em vista que muitos estão deixando as atividades e poucos estão mantendo altos níveis de produtividade. “O valor médio ganho por um produtor de suínos que está na parceria total, de R$ 25 a R$ 40, por cabeça, dependendo da eficiência. Nesses últimos meses, o faturamento dos suinocultores aumentou, por isso é possível afirmar que o setor vive um bom momento”, assinala.
Gado de corte
No último mês o mercado animou os produtores pois o preço subiu consideravelmente e valor do quilo do bezerro para engorda, que estava na faixa de R$ 5 a R$ 5,50 o ano todo, no último mês ficou entre R$ 7 e R$ 8. “Esse é um setor que vem melhorando, está sendo incluída tecnologia aos poucos e as mudanças, mesmo lentas, sinalizam para um bom momento”, pontua.
Fruscalso explica que essa é uma cadeia que não está tão estabelecida, regulada, como é o caso da avicultura e suinocultura. “Não há muita exigência da indústria e as mudanças acontecem quando tem imposição”, alerta.
Entre os aspectos que merecem uma atenção mais específica, conforme o ATR, estão as melhorias nas pastagens, manejo e controle de raças.
Bovinocultura de leite
Esse é um setor de referência na região e que apresenta evolução. “Estamos partindo para a opção de confinamento, algo que há poucos anos era desconhecido no Alto Uruguai. Hoje, todos os municípios tem alguma situação de confinamento. Barra do Rio Azul possui em torno de 15 produtores seguindo esse método”, acrescenta.
De acordo com o engenheiro agrônomo, o ideal é trabalhar com no mínimo 1000 litros/ dia de produtividade. Quanto a média, há produtores que registram, pelo confinamento, 38 litros por animal/ dia.
O engenheiro agrônomo reforça que a tendência é priorizar qualidade e quantidade. “Por isso, é necessário investimento em tecnologia, estrutura, produtividade e conhecimento. E mais, para prosseguir nas atividades é preciso ter otimismo, trabalho e “mente aberta”. Não é mais possível tocar uma propriedade de forma “isolada do mundo”, mantendo os métodos tradicionais. É preciso investir”, frisa.
Atualmente o valor médio do litro de leite é R$ 1,25. Produzindo com eficiência, o custo médio é R$ 0,80.
Avaliação do governo
Conforme o governo federal, o resultado deste ano foi influenciado pela melhoria no desempenho da pecuária, que somou R$ 213,7 bilhões de produção, com acréscimo real de 7,8%. Enquanto que o valor da produção das lavouras teve ligeira queda em relação ao ano anterior, totalizando R$ 403,2 bilhões. "O mercado internacional favorável, onde os preços das carnes principalmente de frango e de suínos, situaram-se em níveis maiores, e as quantidades exportadas fizeram com que os resultados atingissem posições favoráveis ao setor em 2019. Na pecuária, apenas o leite teve queda de valor, 2,1%. Aumento acentuado ocorreu na carne bovina, 5,1%, carne suína, 12,5%, de frango, 13,1%, e ovos, 24,1%. A proximidade das celebrações de fim de ano no País, sem dúvida estão estimulando a demanda interna desses produtos", explica a nota técnica do Departamento de Financiamento e Informação, da Secretaria de Política Agrícola do Ministério.
Ritmo positivo em 2020
Depois de três trimestres de forte retomada, os últimos meses de 2019 devem manter o patamar elevado na produção e exportação de aves e suínos. Isso é o que indica a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). O presidente Francisco Turra e o diretor-executivo da instituição, Ricardo Santin, detalharam, recentemente, os números e projetaram 2020.
O impacto na expansão das vendas para o exterior esteve diretamente ligado à crise de peste suína africana que assola a Ásia. A crise sanitária no continente resultou na elevação das importações de carnes de frango e suínas brasileiras. “O fato novo para nós foi a entrada fortíssima da China, que ampliou em 28% a comercialização de carnes de frango e é responsável por 14% das nossas vendas. Em relação à suína, o aumento foi de 51%”, salientou Turra.
Em relação a 2020, as perspectivas são ainda mais positivas. “Toda a proteína animal terá um mercado excepcional nos próximos anos. O Brasil é uma das reservas da produção de alimentos do mundo”, frisou. Mesmo com a tendência de incremento nas exportações de carnes de frango e suína, o consumo interno deve se manter aquecido. “O nosso mercado principal ainda é o brasileiro”, sublinhou.
A expectativa da entidade é fechar 2019 com aumento de 2,3% na produção de carne de frango, passando de 12,85 milhões de toneladas, em 2018, para 13,15 milhões de toneladas neste ano. Puxadas pela China, as exportações devem registrar aumento de 2,4% e alcançar 4,2 milhões de toneladas até o final do ano. O consumo interno, da mesma forma, vem crescendo: passará de 41,7 toneladas para 42,6 toneladas – variação de 2,2%.
As projeções para a carne suína são otimistas. A produção deve ter alta de 1% a 2,5%, podendo superar as 3,97 toneladas de 2018 e chegar a 4,1 toneladas até o final de 2019. Mas a notícia mais promissora vem das exportações: o ano deve encerrar com alta de 14,5% de carnes embarcadas. O principal destino é a China, responsável por 32,7% do volume comercializado. Por outro lado, o consumo per capita terá retração de 1% a 2%.
A produção de ovos pode concluir o ano com 49 bilhões de unidades produzidas – o que representa uma elevação de 10% em relação às 44,48 bilhões de 2018. Parte significativa dessa produção está direcionada para o mercado nacional. Isso porque o consumo per capita deve crescer 9% até o final de 2019, evoluindo de 212 unidades para 230 unidades por habitante. Já as exportações tendem a cair até 32%.