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Rural

Normativa prevê novas regras para uso de defensivos em flores

Mudanças foram aprovadas por empresários como Darci e Genelci D’Agostini. Atuando há 20 anos no segmento, eles afirmam que produtos são fundamentais para o êxito da atividade

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Família D’Agostini cultiva mais de 150 tipos de flores e plantas ornamentais
Por Izabel Seehaber
Foto Fernando Genro

Elas “enchem os olhos”, oferecem um colorido a mais nos ambientes e fazem a alegria de muitas pessoas. A referência é às flores, que, seja em residências, empresas ou ambientes públicos, encantam pelos diferentes formatos, cores e perfumes.

Visando contribuir no desenvolvimento e manutenção de plantas ornamentais, foi publicada na semana passada, no Diário Oficial da União, uma Instrução Normativa Conjunta que estabelece as diretrizes para o registro de defensivos agrícolas destinados ao cultivo. A INC Nº 01 é assinada pelo Ministério da Agricultura, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Segundo a normativa, os defensivos agrícolas que serão registrados para esse tipo de planta, devem trazer nas bulas e rótulos, indicações sobre o tipo de ambiente de cultivo a ser utilizado, por exemplo, se a planta é cultivada em ambiente aberto, protegido ou misto. Também deverá conter a identificação do alvo biológico, a dose recomendada e o modo de aplicação, conforme o porte da planta. Mas não será obrigatório incluir no receituário para a venda de produto a espécie ou cultura agrícola.

Mudança agrada empresários

Darci Francisco D’Agostini, a esposa Genelci e os filhos Rubens e Raquel, atuam no ramo de flores há 20 anos. Para eles, essa Instrução Normativa que norteia o uso de defensivos, veio ao encontro das necessidades do dia a dia de trabalho e preenche uma lacuna que havia na atividade. “Se observarmos, em relação a qualquer produto que está no mercado, a recomendação para floriculturas era muito restrita, com poucos produtos permitidos. A flor que aparecia com frequência nas bulas era o crisântemo, que é muito conhecida. As rosas, raramente tinham alguma referência”, afirma D’Agostini, que também possui formação da área de Ciências Agrárias.

Segundo ele, a flor, em si, tem uma necessidade de insumos e outros produtos, muito expressiva. Isso porque o produto que vai para o mercado, deve estar o mais perfeito possível. “Se uma flor apresentar manchas de fungos, os consumidores já tem restrições. Não tiramos a razão deles e a ideia é oferecer um produto natural e “perfeito” no que diz respeito a essa parte química”, explica.

Na opinião do empresário, o uso de inseticidas é necessário. Ele afirma que condena, neste caso, a expressão veneno. “Acredito que algo é veneno quando não é usado da forma correta. Se for administrado na dose certa, tem a sua importância e, principalmente, necessidade da área de olericultura (ciência que estuda flores, hortaliças e frutos)”, orienta, citando que, como não envolve plantas comestíveis, há produtos que podem ser aplicados hoje e amanhã as plantas são disponibilizadas no mercado, sem danos à saúde humana. “Atualmente, a partir dessas novas regras, a lista de flores vai ser ampliada, irão aparecer begônias, roseiras, antúrios e muitas plantas, de modo geral. Há pessoas que reagem contra, porém, não imaginam os desafios para atuar na atividade que é, também um “alimento para os olhos”, tendo uma função muito importante na saúde”, completou.

Os benefícios dos defensivos nas flores, de acordo com D’Agostini, referem-se ao desenvolvimento até o pós-colheita e pós-venda. Ele reforça que está sempre em contato com pessoas que trabalham na produção de grandes quantidades de flores no Rio Grande do Sul e também em São Paulo, e pondera que os cuidados permanecem os mesmos. Também acredita que o problema da utilização dos agrotóxicos diz respeito a não observação à bula de qualquer produto. Lá estão todas as informações sobre os cuidados no manuseio, períodos de carência, o não-contato com o produto por determinado período, entre outros dados essenciais. “Sentimos falta de uma orientação técnica oficial, com acompanhamento mais frequente até por órgãos públicos, cujos profissionais possam levar informações a toda população. No interior, muitas pessoas conhecem melhor esses produtos, porém, na cidade também são cultivados produtos em hortas e outros espaços, e utilizados produtos para evitar problemas como o pulgão, por exemplo. Já conversei com prefeitos e outras lideranças e sinto que é preciso mais atenção a esse assunto relacionado ao uso de produtos químicos”, salienta.

Além disso, D’Agostini, que tem contato com estudiosos da área, diz que a preocupação é imensa. “É preciso debater melhor esse tema, conscientizar e informar sobre o uso correto de produtos que podem trazer benefícios ao desenvolvimento das plantas e outras culturas, sem danos e efeitos colaterais ao ser humano e ao meio ambiente, como um todo”, argumenta.

A família D’Agostini cultiva uma grande variedade de produtos, sendo que de flores e plantas ornamentais (tanto de plantio em jardim como flores em vaso), são mais de 150 tipos. “O grande diferencial da nossa chamada propriedade agrícola, é que temos uma assessoria em nível de Brasil, com especialistas em todas as plantas que produzimos”, ressalta.

Mais sobre a recomendação

O coordenador-geral de Agrotóxicos e Afins do Ministério da Agricultura, Carlos Venâncio, frisa que no País há cerca de 2,5 mil espécies de flores e plantas ornamentais sendo cultivadas e é impossível fazer constar todos esses cultivos na rotulagem. “Então, com base nessa realidade, Mapa, Ibama e Anvisa decidiram que, no caso de plantas ornamentais, a recomendação será para o grupo de flores, podendo ser usado em qualquer cultura no âmbito daquele grupo”, explica.

As regras valem para vegetais não comestíveis, cultivados com a finalidade comercial, podendo incluir mudas, plantas cortadas ou envasadas, herbáceas, arbustivas ou arbóreas, destinadas apenas para ornamentação ou para revestimento de superfícies de solo. Não estão incluídos produtos usados para plantas cultivadas em ambientes urbanos, como praças, parques, jardins e calçadas.

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