A escassez de água no Alto Uruguai é um problema vivenciado por agricultores em diferentes atividades. O Bom Dia vem acompanhando a situação e trouxe reportagens nos últimos dias que sinalizam para possibilidades de prejuízos expressivos no cultivo de milho, soja e em atividades como a bovinocultura de leite.
Outro exemplo de preocupação se refere ao ramo de hortifrutigranjeiros. O esforço diário em produzir alimentos saudáveis, principalmente sem uso de produtos químicos, vem sendo reforçado junto à preocupação diante do clima seco na região.
O produtor Eloir de Paula, que reside na localidade de Lajeado Paca, interior de Erechim, trabalha fortemente para evitar mais danos na produção de itens como pepino, tomate, alface, beterraba, batata-doce e muitas outras verduras e legumes, cuja produção já registra em torno de 30% de perdas.
Em entrevista ao Bom Dia, ele relata que, mesmo com estufa e sistema de irrigação, as plantas estão secando. “O impacto é forte, as alfaces não se desenvolvem direito, às 9h30, dentro da estufa, o calor é insuportável. O repolho, a couve-flor e o brócolis também estão perdendo a qualidade. No caso do feijão só ocorreu a primeira floração. Está bem complicado”, comenta Eloir, citando que o trabalho inicia às 5h30 e prossegue até às 9h30. A retomada acontece depois das 17h até o anoitecer.
Quanto ao tomate, a preocupação é ampliada. Ontem (9), a colheita de Eloir rendeu cinco caixas do fruto. Em condições normais, o produtor comenta que o resultado seria de 10 caixas. Tal prejuízo é calculado e, até o momento, está em aproximadamente 50% da produção.
Em busca de uma alternativa
Na propriedade choveu apenas 14 milímetros próximo ao período do Natal. Para amenizar o impacto da falta de chuva e, por consequência, o chamado ‘Estresse hídrico’ nas plantas, Eloir e família contam com o auxílio de uma técnica indicada pela equipe da Emater, denominada de “água de vidro”, por meio da qual é feita a pulverização. “É uma forma de ajudarmos no processo de conservação, mas está difícil”, acrescenta.
Eloir comercializa os produtos na Feira localizada no Parque Longines Malinowski, nas casas e também nos colégios.
Alterações no clima afetam a comercialização
* Com informações – Assessoria de Comunicação - Ceasa
Na Ceasa - Centrais de Abastecimento do Rio Grande do Sul, vinculada à Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural, o preço dos alimentos mais afetados já sofreram elevação.
Folhosas mais sensíveis à combinação de excesso de calor e falta de chuva são os produtos mais prejudicados neste momento. Houve redução no ingresso de vegetais como repolho, milho verde e chuchu, além de aumento de preços.
Segundo pesquisa de Gerência Técnica, entre a última semana de dezembro e a primeira de janeiro, o preço do repolho subiu 100%, o do chuchu 66,87% e o do milho verde 42,86%. Em 30 de dezembro, a unidade do repolho custava R$ 1, o quilo do chuchu R$ 1,50 e o do milho verde R$ 1,40. Na última terça-feira (7), o valor desses alimentos subiu, respectivamente, para R$ 2, R$ 2,50 e R$ 2.
O presidente Ailton dos Santos Machado explica que o preço de frutas como a ameixa e a melancia também foram majorados, mas por motivos diferentes. Segundo ele, a elevação de agora é consequência do excesso de chuva ocorrido no período da primavera.
O preço da ameixa, por exemplo, subiu 93,4% na comparação dos dois primeiros meses do verão atual com o passado. Em janeiro de 2019, o valor médio cobrado por um quilo estava R$ 3,62. Na primeira semana deste ano, passou para R$ 7. No mesmo período, a melancia sofreu um reajuste menor, em torno de 20,5%, mas a qualidade foi afetada e as frutas estão menores.
Outras consequências já estão dadas. As safras de alguns alimentos serão de baixa produção em relação às de anos anteriores, e o tempo de colheita será mais curto comparado ao período normal de oferta.